No dia 30 de Novembro entregaram-se os prémios da XXV edição dos Caminhos do Cinema Português. A cerimónia começou às 21h45 no Teatro Académico de Gil Vicente contando com o acompanhamento musical da Big Band Rags, da Tuna Académica de Coimbra.
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Na sessão das 21H45 do Festival Caminhos do Cinema Português, no TAGV, será exibido o filme Mutant Blast, uma comédia de terror de Fernando Alle. Depois de milhares de experiências científicas, que não correm como esperado, o mundo depara-se com o apocalipse. Milhões de zombies percorrem as ruas em busca de pessoas para se alimentarem. A sua sobrevivência está nas mãos de três heróis: Maria, ex-militar; TS-347, um homem com força sobre-humana e Pedro, que, além dos problemas comuns, se debate com uma ressaca descomunal, resultado de uma noite para esquecer.
Os “Caminhos Juniores”, inseridos na 25ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português, têm como principal objetivo aproximar o público infantil, do pré-escolar e do 1º ciclo (das escolas de Coimbra), à 7ª Arte, tendo uma intervenção cívica e humana. A atividade irá decorrer no Teatro Académico Gil Vicente, entre os dias 25 a 29 de novembro.
Aqui, milhares de crianças tem a oportunidade de contactar, alguns pela primeira vez, com o cinema, numa sala própria, com uma tela gigante e som que percorre todo o ambiente. Toda a programação tem o intuito de transmitir a este público uma mensagem e uma aprendizagem feita de forma diferente.
A edição do catálogo de um festival é a materialização física de um conjunto de ideias, actos e vectores tomados a cada edição do evento. É um momento marcante na medida em que é essa mesma materialidade que permite perpetuar o trabalho de um ano inteiro de estudo, reflexão e programação do cinema que nos é proposto pelos criadores.
A importância da materialidade é feita pelas contingências em que o conseguimos produzir. Terabytes perdidos, centenas de informações recolhidas a partir das inscrições efectuadas por distribuidores e produtores unidos pela paixão cinematográfica tornam, ano após ano, a edição, o design e a revisão um processo desafiante que agora partilhamos com todos numa edição bilingue que torna o festival acessível a todos.
O cinema começa por documentar acontecimentos comuns, a simples chegada de um comboio deslumbrava e assustava toda a plateia, sendo o encantamento por esta nova tecnologia suficiente para atrair multidões. Naturalmente, com o decorrer do tempo começam a ser criadas narrativas, que se vão tornando cada vez mais elaboradas, com personagens que assentam maioritariamente numa moralidade que defende a ordem e a homogeneização social. Atualmente o cinema incorpora uma análise mais complexa, contraditória e aberta, da condição humana.
“A única coisa verdadeira é a memória. A memória é uma invenção, no cinema a câmara pode fixar um momento, mas esse momento já passou, no fundo o que ele traça é um fantasma desse momento e já não temos a certeza se esse momento existiu fora da película. Ou a película é uma garantia da existência desse momento?”
É com estas palavras que o decano dos realizadores portugueses de então, Manoel de Oliveira irrompe no filme de 1994 Lisbon Story de Wim Wenders. A questão da memória e a sua relação com o cinema é uma questão essencial para compreender as bases onde o cinema documental acenta. Quando Niépce captou a que hoje consideramos a primeira fotografia da história por volta de 1826 e mais tarde os irmãos Lumière em 1895 ao produzirem pela primeira vez a imagem em movimento teriam eles noção do impacto em que teriam para a humanidade e para a noção desta de memória?Iniciada em 2006, a Seleção Ensaios, dedica-se ao cinema de escola, trazendo aos Caminhos do Cinema Português a a pujança dos novos autores, revelando nomes hoje reconhecidos e estabelecidos. Com a competição nacional, corresponde-se ao mote de revelar todo o cinema português, com filmes de mais de uma dezena de escolas portuguesas e com a competição internacional desvenda-se o que é feito em escolas de cinema de todo o mundo.
A produção nacional parece responder a um género de chamado conceptual, apresentando anualmente temáticas que se cruzam, independentemente da distância, quanto à sua forma e resultado. Nesta XXV Edição do festival Caminhos, a questão memória foi evocada constantemente, despoletada pela organização do nosso acervo aquando da idealização do conceito desta presente edição e celebração.
Conquistar a sensibilidade das camadas jovens para o cinema, cada vez mais cedo, é fundamental para promover a cultura e a literacia fílmica. Esse é um dos objectivos basilares dos Caminhos. Os Juniores são um serviço educativo, tendo por base que apenas a experimentação in loco de muitos minutos de pura magia para as crianças. A experiência da Sala Escura tornará possível a criação de hábitos de consumo desde a infância no que diz respeito ao cinema português.
O Curso de Cinema, criado em 2011, constituiu-se como um evento de referência na formação de públicos na área cinematográfica tanto numa abordagem teórica como prática. Volvidos sete anos desde a primeira edição propomos a revisitação das várias metragens realizadas em cada edição deste Curso de Cinema possibilitando uma leitura transversal dos métodos de ensino e produção empregues em cada edição, mas também um olhar atento sobre os vários espaços da cidade em que estas decorreram. Esta exibição conjunta é também uma oportunidade para a organização realizar um processo de auto-avaliação destes sete anos de trabalho em prol da formação e crítica cinematográfica. A exibição decorre no dia 6 de Março, às 18h00, no Mini-Auditório Salgado Zenha. Entrada Livre.
Na voz de quatro convidados debateu-se a importância de ir além da narrativa cinematográfica. O modo como os Conimbricenses vivem a oferta cultural da cidade deu o rumo final à conversa.
Discutir as mudanças na produção de cinema em Portugal foi a proposta apresentada por Sérgio Dias Branco, moderador da última MasterSession da XXIV edição dos Caminhos do Cinema Português com o tema “O valor de uma marca do/no Cinema Português” . O financiamento, o marketing e a cultura foram as temáticas abordadas ao longo da sessão do dia 30 de novembro.
E porque os mais novos também merecem, o Festival Caminhos do Cinema Português tem preparada para eles uma sessão repleta de animação. Eufóricos, entraram pelo Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) em grupos preparados para uma boa manhã de cinema.
Programar é um dos passos finais desta “mise-en-scène”, onde se vê tudo e se mostra parte de acordo com quem vai ver. Nesta XXIV Edição do festival Caminhos do Cinema Português, continuamos a acreditar que os criadores cinematográficos devem ser sempre equiparados aos autores de todas as outras artes já historicamente estabelecidas e por isso tratados com o mesmo cuidado e consideração. Seja qual for o seu formato, género, localidade ou até suporte financeiro, seremos sempre um catálogo vivo das principais manifestações audiovisuais que marcaram o ano desde a nossa última edição.
O nosso Festival segue o mote de ser uma montra de todo o cinema português, não podendo ser ignoradas as obras produzidas no seio das academias e escolas. Existe uma torrente anual constante de estudantes com vontade de criar ou, muitas das vezes, realizadores que voltam ao mundo académico para adquirir ou renovar novas competências no domínio da linguagem cinematográfica. Começa a ser muito ténue a linha que desarticula aquilo que consideramos cinema produzido em contexto profissional do que é produzido em contexto académico, mas sabemos que aquilo que os une é, sem dúvida, uma qualidade e originalidade surpreendentes.
Nesta edição do Festival Caminhos do Cinema Português introduzimos uma outra secção: “Outros Olhares”. Nesta criteriosa seleção procuraremos observar obras significativas da produção nacional nos parâmetros do documental e do experimental, permitindo assim, como a própria nomenclatura indica, que o público encontre outros e novos olhares que atualmente encaram o cinema e a realidade.
Na 24.ª edição do Caminhos do Cinema Português, a programação da secção Caminhos Mundiais pretende apresentar aos espetadores, por meio de filmes vindos dos vários continentes, a ideia de um mundo bastante crítico acerca de si próprio e cada vez mais aberto à diversidade, com personagens em constante processo de autodescoberta.



