As MasterSessions são espaços de debate promovidos pelo festival que respondem a um conjunto de temáticas definidas em torno dos eixos curatoriais presentes na programação de cada edição, promovendo-se assim um espaço de reflexão em interacção com os diferentes públicos.

Promover e premiar o cinema português tem sido a nossa missão desde 1988, mas a sensibilização dos públicos para o nosso cinema não se pode fazer apenas pela projecção no grande ecrã. Desta forma os Caminhos caracterizam-se não só pela heterogeneidade da sua programação, mas também do leque de actividades que propõe anualmente. A formação de públicos, passa tanto pelo ensino, pelo consumo, bem como pela discussão daquilo que é o nosso cinema. Nesta 24.a edição, em co-organização com o LIPA/UC, estão programadas três sessões MasterSessions;

26 Nov. A representação da crise no cinema português nos festivais de cinema europeus

Os mais pessimistas dizem que Portugal sempre viveu em estado de crise. De uma forma mais ou menos evidente, o sentimento de crise tem marcada a cultura portuguesa dos últimos dois séculos. O cinema não foge a essa circunstância, particularmente na última década, cuja crise económica e social recente tem tido influência direta na produção de cinema em Portugal, mas também nos seus modos de produção. As questões relacionadas com as políticas públicas, a viabilidade económica e a circulação internacional, entre outras, voltaram em força às agendas mediáticas.
O objetivo desta mesa pretende debater e refletir sobre o atual estado do cinema português a partir do contexto da crise económica e social e sobre a sua influência sobre as perspectivas futuras.

  • Filipa Reis

    Filipa Reis

    Filipa Reis é licenciada em Gestão de Empresas pela Universidade Católica Portuguesa, tendo completado na mesma universidade uma pós-graduação em Cinema e Televisão. Frequentou o Mestrado em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na Escola Superior de Teatro e Cinema. Funda, em 2008, em conjunto com o seu companheiro e realizador João Miller Guerra a sua própria produtora, onde desenvolve projectos de cinema sob o nome UMA PEDRA NO SAPATO e produz programas de televisão com a marca VENDE-SE FILMES. DJON ÁFRICA, a sua primeira longa metragem, co-realizada com João Miller Guerra, teve estreia mundial na secção Tiger Awards, no Festival Internacional de Roterdão em 2018 e ganhou o prémio FIPRESCI do júri e uma menção honrosa no Festival Internacional do Uruguai. Juntos, realizaram os filmes FORA DA VIDA (Melhor Curta-metragem Competição Nacional - IndieLisboa 2015), O INDISPENSÁVEL TREINO DA VAGUEZA, FRAGMENTOS DE UMA OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA, BELA VISTA (Melhor Curta-metragem Internacional, no FIDOCS e Menção Honrosa MiradasDoc 2013) , CAMA DE GATO (Melhor Curta-metragem Portuguesa - IndieLisboa 2012 e Prémio Revelação - Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira 2012), NADA FAZI (Prémio Cinema Português, Melhor Filme - Fantasporto 2012 e Prémio do Público - Córtex 2012), ORQUESTRA GERAÇÃO e LI KÉ TERRA (Grande Prémio Longas-Metragens Nacionais - DocLisboa 2010 e Menção Especial do Júri - MiradasDoc 2011). Os filmes por si produzidos têm sido exibidos e premiados em festivais como Berlim (Urso de Ouro 2016), Roterdão, Cannes (L’ACID 2018), Festival Internacional do Rio de Janeiro, BAFICI, Cinéma du Réel (prémio SCAM 2018), Mar del Plata, Festival do Uruguai, FIDMarseille, IDFA, DOKLeipzig, Oberhausen, Visions du Réel, Olhar de Cinema Curitiba, Clérmond-Ferrand, New Directors/New Films, Moscow FF, Janela Internacional de Cinema Recife, Hong Kong, FilmFest Munchen, FICUNAM, Festival dei Popoli, Edinburgh IFF, Sheffield, Melbourne FF, Durban IFF entre muitos outros.

  • Paulo Cunha

    Paulo CunhaProfessor/Investigador/Programador

    Paulo Cunha é Doutor em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra, docente de Cinema na Universidade da Beira Interior, investigador do CEIS20-UC e programador no Cineclube de Guimarães e nos festivais internacionais de cinema Curtas Vila do Conde e Porto/Post/Doc.

  • Saúl Rafael

    Saúl RafaelMarketing Cinematográfico

    Saúl Rafael trabalha na NOS Lusomundo Audiovisuais desde 2001, tendo iniciado funções na área de Produção e transitado depois para a área de Marketing, onde lidera a equipa de Marketing dedicada à promoção do cinema português e Warner. Tem como objetivo pessoal e profissional colocar a quota de mercado do cinema português em Portugal acima dos 10%.

28 Nov. Novas Propostas Formais no Cinema Contemporâneo

O cineasta Edgar Pêra reage ao epíteto de “experimentalista”, por acreditar que categoriza o seu cinema como não canónico, como marginal no cinema português – que o arreda para um lugar quase externo. Pelo contrário, sente que o trabalho que realiza se pode enquadrar num campo central do cinema português, o que é comprovável, por exemplo, pelo facto de, ao longo da sua carreira de realizador, ter recebido encomendas institucionais para assinalar momentos relevantes do país ou para prestar tributo a importantes figuras da nossa cultura. O que é um cinema “experimental”, se fizer parte de um padrão reconhecido e perpetuado? Referir-se-á a expressão apenas a aspectos técnicos? Em que lugar da reflexão que a interrogação suscita se poderá integrar o papel do espectador? (O que seria, por exemplo, um “espectador experimental”?)

  • Alexandre Oliveira

    Alexandre OliveiraProdutor

    Trabalha há mais de 20 anos em cinema, inicialmente como diretor de produção e atualmente como produtor da Ar de Filmes. Integrou também o Departamento de Programação da Cinemateca Portuguesa.

  • Ana Isabel Soares

    Ana Isabel SoaresProfessora

    Doutorada em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa (2003) e Professora Auxiliar na UAlg, onde ensina desde 1996, tem lecionado disciplinas de áreas de História do Cinema, Cinema e Literatura, e Literatura Inglesa  Desenvolveu pós-doutoramento sobre poesia e cinema documental português, no Programa em Teoria da Literatura (FLUL), com bolsa da FCT (2009-2010). Tem publicado artigos e orientado seminários em universidades nacionais e internacionais, sobre cinema português e sobre poesia portuguesa contemporânea. É membro integrado do CIAC - Centro de Investigação em Artes e Comunicação. É membro fundador e foi a primeira presidente da AIM - Associação de Investigadores da Imagem em Movimento. Desempenhou funções no Ministério da Educação e Ciência (2011-2012), onde colaborou na preparação do Plano Nacional de Cinema, e no Camões - Instituto de Cooperação e da Língua (2013-2014). Traduziu, com Merja de Mattos-Parreira, a epopeia finlandesa, Kalevala (Dom Quixote, 2013) e publicou outras traduções literárias, de autores estrangeiros para língua portuguesa e nacionais para língua inglesa.

  • Fausto Cruchinho Pereira

    Fausto Cruchinho PereiraUniversidade de Coimbra

    Doutor em Estudos Artísticos, área de especialização em Estudos Fílmicos e da Imagem, pela Universidade de Coimbra Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Curso de Estudos Artísticos. Investigador Integrado do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra. Grupo Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais.

30 Nov. O valor de uma marca do/no Cinema Português

A Produção de Cinema em Portugal atravessa uma fase de mudança. Verifica-se um progressivo aumento de co-produções internacionais e sobretudo o país tem se revelado um polo de atractividade para produções oriundas de países de grande produção cinematográfica. O Programa PICPortugal veio oficializar a vontade do governo de atrair grande produções cinematográficas ao nosso País, explorando a grande diversidade natural, patrimonial, geográfica e social que é possível de encontrar num país de apenas 92 mil kilometros quadrados. Assim, o registo imagético é moldado por um país que se adapta a novas circunstâncias de produção, bem como pela forma diferente de olhar à nossa realidade. De que forma estas produções externas podem valorizar o país? Irá o seu registo modificar o “estilo cinematográfico nacional”? De que forma é que o produto “Portugal” poderá ser valorizado pela sua experiência no cinema?

  • João Gomes de Almeida

    João Gomes de AlmeidaPublicitário

    João Gomes de Almeida é um publicitário e cronista português, natural de São João da Madeira. Actualmente assina duas colunas de opinião, uma à sexta-feira no jornal i onde escreve sobre temas políticos e outra ao domingo no jornal económico Eco onde aborda temas do marketing e da publicidade. Em 2016 foi considerado pelo site internacional TheNextGag um dos 200 directores criativos mais influentes do mundo, numa lista onde só constavam mais dois profissionais portugueses. É ainda Founder e Non-Executive Chairman do Lisbon Awards Group, que detém os Prémios Lusófonos da Criatividade e o Lisbon International Advertising Festival, entre outros festivais de publicidade.

  • Luís Filipe Menezes

    Luís Filipe MenezesVice-Reitor da Universidade de Coimbra para a Cultura e Turismo

    Luis Filipe Menezes é Professor Catedrático no Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e membro do Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra (CEMUC). Concluiu o doutoramento em 1995 e prestou provas para obtenção do título de Agregado em 2003. Os seus interesses de investigação prendem-se com a física e mecânica das grandes deformações, mecânica computacional, conformação de chapas metálicas, modelação mecânica e simulação numérica, identificação e calibração de modelos constitutivos, algoritmos de optimização, programação e algoritmia. Está integrado num grupo de investigação do CEMUC na área da mecânica computacional em tecnologia. Foi coordenador científico de doze projetos de investigação com financiamento externo, todos na área de mecânica computacional, tendo participado, enquanto investigador, em mais de duas dezenas de projetos. É autor de cerca de 3 centenas de publicações, incluindo monografias, artigos em revistas e congressos internacionais, em temas relacionados com a sua área de investigação. É autor de vários programas de simulação numérica de processos tecnológicos. De entre os vários prémios atribuídos a si e à sua equipa destaca-se o prémio científico Europeu ESAFORM Scientific Prize, atribuído pela European Scientific Association for Material Forming em 1999. Foi coordenador científico do projeto que ganhou o Concurso Nacional de Inovação BES em 2007, no setor dos Processos Industriais. De 2005 a 2009 foi vice-presidente do Conselho Científico da FCTUC sendo desde essa data Subdiretor da FCTUC. Exerceu as funções de coordenador do CEMUC entre 2005 e 2010. Foi, de 2010 a 2013, membro nomeado do Conselho Científico das Ciências Exactas e das Engenharias da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Moderação de Sérgio Dias Branco

Sérgio Dias Branco

Sérgio Dias BrancoUniversidade de Coimbra

Sérgio Dias Branco é Professor Auxiliar de Estudos Fílmicos na Universidade de Coimbra, onde coordena os Estudos Fílmicos e da Imagem e dirige o Mestrado em Estudos Artísticos. É coordenador do LIPA - Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas. Integra o Instituto de  Filosofia da Nova (IFILNOVA), colabora com o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), e é membro convidado do grupo de análise fílmica da Universidade de Oxford, “The Magnifying Class”. Leccionou na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade de Kent, onde lhe foi atribuído o grau de doutor em Estudos Fílmicos. É co-editor das revistas Cinema: Revista de Filosofia e da Imagem em Movimento e Conversations: The Journal of Cavellian Studies e autor do livro Por Dentro das Imagens: Obras de Cinema, Ideias do Cinema (Documenta, 2016).