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Irreverência formal da Seleção Outros Olhares chega aos ecrãs do Cinema Avenida

Derrubam os cânones, desprendem-se das regras tradicionais e procuram uma nova linguagem cinematográfica em que o argumento dê lugar à sensação – são assim os 34 filmes em exibição na Seleção Outros Olhares, uma das três secções competitivas do Festival Caminhos do Cinema Português.

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Programação das três Secções Competitivas do Festival Caminhos já é conhecida

À boleia da diversidade de géneros, estilos e contextos que, a cada ano, marcam a sétima arte nacional, os Caminhos regressam a Coimbra, entre 9 de novembro e 5 de dezembro, para provar que há cinema português para todos. Com a exibição de quase centena e meia de filmes, as secções competitivas do Festival Caminhos do Cinema Português arrancam já na próxima semana e trazem consigo estreias nacionais e um candidato a representar Portugal nos Óscares.

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Outros Olhares

Primeiro foi o “novo normal”, e agora é o “regresso à normalidade”. E ainda nem tivemos o tempo necessário e imprescindível para assimilar a inerente estranheza destas expressões tão curiosas que repentinamente vieram assaltar o nosso quotidiano. Teremos estado assim tão inundados pela constante torrente de “notícias”, “opiniões” e variadas outras reações oferecidas pelos novos meios, aos quais temos a desfaçatez de encarar enquanto “comunicação”, para não nos termos apercebido do comodismo com que medimos toda e qualquer realidade, por mais espantosa que seja, através do confortável conceito de “normal”? E se sim, como observar de facto essa normalidade a que estamos a regressar?

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Golpe-de-Sol-Img-PST.jpg

Destaques de 29 de Novembro

Neste que é o penúltimo dia de festival, a Seleção Caminhos apresenta, pelas 21:45 no TAGV, a animação de Alexandre Siqueira, “Purple Boy”. O filme conta a história da busca pela paz interior num confronto de género contra identidade. O realizador estará presente para partilhar o seu processo criativo com o público. Na mesma sessão é exibido “Golpe de Sol”, de Vicente Alves do Ó, o retrato de um (re)encontro de quatro amigos ao longo de um fim de semana em que as memórias e as feridas de outros tempos se avivam. 

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Tiago Afonso e a arte de realizar sem imaginação

Tiago Afonso deu início à Mastersession de quarta na Sala do Carvão, na Casa das Caldeiras  com o tema “O Meu Cinema”. O atual docente da Universidade Lusófona do Porto realiza sobretudo filmes de teor documental, como filmes de intervenção e reflexão política, mas também obras de cariz autobiográfico e experimental. O realizador, não só exibiu alguns trechos dos seus filmes, como também refletiu sobre os mesmos. Falou sobre as suas próprias obras e criou uma ponte entre o seu processo de criação e, aquilo que é feito no cinema português.

Citando “As Portas da Perceção” de Aldous Huxley, o cineasta falou sobre a abertura da perceção humana e sobre a sua considerada “deficiência”. Tiago Afonso, ao contrário do resto das pessoas, quando pensa em alguma coisa não consegue associar uma imagem no seu cérebro ou seja, não é capaz de visualizar mentalmente. Este antagonismo entre imaginação e criação levou com que, segundo o realizador, o seu processo de fazer cinema seja distinto de todos os outros: “tudo o que preparo é para destruir”.

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‘O Meu Cinema’ toma conta das Mastersessions

Nem só de cinema é feito o Festival Caminhos do Cinema Português. Coimbra é palco do evento que leva a cabo o mote “Cinema Português para Todos”, durante a presente semana. Para além de ter o objetivo de despertar o interesse pelo cinema ou alimentar o gosto já previamente adquirido, também pretende promover conversas e “discussão” sobre a sétima arte.

Posto isto, a semana do festival conta também com Mastersessions. O conceito a desenvolver este ano é o do “O Meu Cinema”, tirando proveito da presença de realizadores conceituados na cidade de Coimbra devido ao festival. O tempo da Masterclass será por volta de uma hora, criando-se uma conversa mais dinâmica, entre o público e orador, e um aprofundamento no cinema de alguns realizadores portugueses.

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Selecção Caminhos (2019)

A produção nacional parece responder a um género de chamado conceptual, apresentando anualmente temáticas que se cruzam, independentemente da distância, quanto à sua forma e resultado. Nesta XXV Edição do festival Caminhos, a questão memória foi evocada constantemente, despoletada pela organização do nosso acervo aquando da idealização do conceito desta presente edição e celebração.

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Jurados da XXV Edição

O Festival Caminhos do Cinema Português celebra, este ano, as sua bodas de prata. Desde 1988, este é um festival generalista, aberto à exibição e premiação de todas as correntes cinematográficas nacionais. Assim, de 22 a 30 de novembro, vai-se celebrar, em Coimbra, o melhor cinema português com sessões para todos os públicos.

As novidades da 25.ª edição passam por uma nova secção competitiva – “Outros Olhares” -, valorizando a filmografia de caráter ensaístico e experimental, cujas produções não se cingem ao argumento, mas valorizam o domínio sensorial, estimulado pelo conjunto da imagem e som. 

A competição académica da “Seleção Ensaios” volta a permitir o olhar comparativo entre as academias nacionais e internacionais. Nela encontraremos as mais recentes produções nacionais, disputando-se entre os prémios técnico-artísticos e os prémios oficiais, o prémio do Público “Chama Amarela”. 

Ganhar um prémio nestes Caminhos prova a relevância de um filme, destacando-se pelo seu caráter artístico, técnico, inovador ou da proximidade com os públicos. A decisão compete a cinco equipas de júri: Caminhos, Ensaios, Outros Olhares, Júri da Federação Internacional de Cineclubes, ‘Imprensa CISION’ e ao Público. 

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