Tag Invisível Herói

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Crónica do Festival – Parte VII

A maneira como “História Secreta da Aviação” de João Manso e “Campo” de Tiago Hespanha – os dois filmes exibidos ontem à noite no TAGV – se coadunam é prova como as produtoras nacionais como a Terratreme procuram edificar uma marca distinta e contínua por entre os trabalhos autoriais que promovem. Além disso, serve igualmente como sinal do empenho da programação dos Caminhos do Cinema Português em conjugar trabalhos cuja consonância lírica seja merecedora de destaque.

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Explosão de sensações num apocalipse cinematográfico

O Teatro Académico Gil Vicente foi, mais uma vez, casa das exibições desta terça-feira, dia 26. A Seleção Caminhos levou até aos espectadores, pelos ecrãs do teatro da Praça da República, os filmes “Invisível Herói” e “Mutant Blast”.

Duarte Pina protagonizou o primeiro filme da noite, com início às 21h45. A curta-metragem de Cristéle Alves Maria é, na sua perspetiva, uma demonstração da forte ligação que tem com a cultura crioula. Inicialmente, contou, a ideia passava por realizar uma longa metragem que abordaria os invisíveis de Lisboa e Duarte ia ser apenas mais um. Contudo, envolveu-se de tal forma com o que ele era enquanto pessoa e enquanto pessoa cega, que decidiu fazer uma curta só com ele.

“Invisível Herói” segue a história de Duarte, um homem de 50 anos, cego. Ao longo da curta ele vai procurando pelo seu amigo Leandro, a quem quer entregar a letra de uma canção escrita por si. Na praia, Duarte vai perguntando, a todos quantos sente a presença, se viram o seu amigo. Ninguém sabe quem é ou onde está. A verdade é que a procura daquele amigo, cuja existência questionamos, é o que permite a Duarte conversar, conhecer pessoas.

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Destaques 26 de Novembro

No dia 26 de novembro, o Festival Caminhos do Cinema Português na Seleção Caminhos apresenta “Invisível Herói” de Cristèle Alves Meira. Esta curta conta a história de Duarte invisual de 50 anos que procura por Leandro, o seu amigo imigrante cabo-verdiano desaparecido. Também inserido nesta sessão é apresentado o documentário “Serpentário” de Carlos Conceição. Um viajante chega vindo do céu à procura de redenção. A história avança com uma narração que se divide entre a voz do protagonista sem nome e uma voz feminina, de quem não se conhece o rosto ou condição. A sessão começa às 21:45 no Teatro Académico de Gil Vicente. Referência ainda para Linhas Tortas, de Rita Nunes, às 15:00.

É um dia recheado de convidados especiais que possibilitam ao público o contacto directo com os criadores do nosso cinema. Estarão presentes Mariana Gaivão, realizadora do filme “Ruby”, Rui Esperança, realizador de “Os Inúteis” e “18”, bem como Marta Fatal e Rafael Marques, também do filme “Os Inúteis”, representando o “Último Acto”, a realizadora Maria Hespanhol e Ricardo Almeida, e, por fim, Cristèle Alves Meira, realizadora, e Duarte Pina, actor, de “Invisível Herói. 

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Crónica do Festival – Parte V

No que toca a escala, o imaginário dos cineastas sempre se viu limitado ao orçamento e não há campo que sofra tanto isso como o da ficção fantástica. Trata-se de projectos cuja propensão envolve à partida ambiciosos efeitos visuais, tal como manda e mandata a regra dos blockbusters americanos ou asiáticos desde a década de 50. Infelizmente, os limites do Instituto do Cinema e Audiovisual ou semelhantes instituições de apoio financeiro não permitem tal empreendimento visual a nível nacional. Ou sequer europeu.

Aliás, foi no velho continente que se originou um espécime cinematográfico que pega nas transcendências desse fantástico e molda as mesmas em torno da introspecção humana, de modo a fascinar em primeiro plano a alma e não tanto a visão, embora este último sentido não seja de todo ignorado. O cinema oriundo da então União Soviética foi notoriamente o primeiro a enveredar por tal abordagem mais filosófica. Com efeito, foram autores do outro lado da cortina de ferro como Karel Zeman ou Andrei Tarkovski que revolucionaram a estética estimulante da 7ª arte a cadências mais minimalistas.

Segue-se pois a década de 80, em que o cinema a nível global, temendo um futuro sem recursos monetários, começa-se afastar dos visuais futuristas e tecnológicos e a explorar precisamente os conceitos fatalistas da distopia pós-apocalíptica. Tais temáticas acordam com os temores que se vivenciavam do holocausto nuclear e do ser humano que, perante um mundo devasto, se vê reduzido à sua determinante convicção survivalista. Embora popularizado pela franquia “Mad Max” do australiano George Miller, muitos outros autores como Luc Besson (em “O Último Combate”) ou Andrzej Zulawski (com “On the Silver Globe”) deram seguimento a cenários distópicos mais pautados ou meditativos.

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Selecção Caminhos (2019)

A produção nacional parece responder a um género de chamado conceptual, apresentando anualmente temáticas que se cruzam, independentemente da distância, quanto à sua forma e resultado. Nesta XXV Edição do festival Caminhos, a questão memória foi evocada constantemente, despoletada pela organização do nosso acervo aquando da idealização do conceito desta presente edição e celebração.

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