Crónica do Festival – Parte VIII

Vicente Alves do Ó é um cineasta com uma evolução muito peculiar, no sentido em que foi gradualmente criando e evoluindo um nome e respectiva marca de autor através dos trabalhos de bastidores. Através de guiões para telefilmes como “Monsanto” de Ruy Guerra ou “Facas e Anjos” de Eduardo Guedes, eventualmente inovou a sua lírica para o grande ecrã, onde assinou os argumentos para grandes sucessos de bilheteira como “Os Imortais” de António-Pedro Vasconcelos e “Kiss Me” António da Cunha Telles. Em 2005, dá o grande salto para a cadeira de realizador com a curta “Entre o Desejo e o Destino” e tal assento revela-se imediatamente confortável na sua faceta de esteticista narrativo. Isto porque apesar dos seus primórdios se situarem na escrita, Alves do Ó afirma-se acima de tudo como um autor com o visual em primeiro plano.

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Amor e o género marcam 8.º dia

Noite escura de sexta. No chão da Praça da República o tempo chuvoso garante um bom número de poças de água no chão. Nelas a luz reflete e aponta para algo mais grandioso: o Teatro Académico de Gil Vicente. Lá dentro não se sente a brisa incomodativamente fresca que sopra cá fora. Bem pelo contrário, sente-se um quente acolhedor que cola os presentes à sua confortável cadeira para ver mais uma sessão noturna da Seleção Caminhos. É o oitavo e penúltimo dia da 25ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português.

Na tela projetam-se Purpleboy, de Alexandre Siqueira, Flutuar, de Artur Serra Araújo e Golpe de Sol de Vicente Alves do Ó.

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Golpe-de-Sol-Img-PST.jpg

Destaques de 29 de Novembro

Neste que é o penúltimo dia de festival, a Seleção Caminhos apresenta, pelas 21:45 no TAGV, a animação de Alexandre Siqueira, “Purple Boy”. O filme conta a história da busca pela paz interior num confronto de género contra identidade. O realizador estará presente para partilhar o seu processo criativo com o público. Na mesma sessão é exibido “Golpe de Sol”, de Vicente Alves do Ó, o retrato de um (re)encontro de quatro amigos ao longo de um fim de semana em que as memórias e as feridas de outros tempos se avivam. 

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Variações: o homem que se despia na música

António Ribeiro quando criança ambicionava ser cantor. Inspirado pelo tom da fadista Amália Rodrigues começou a compor músicas, enquanto cortava cabelos. O artista foi o mote para a pesquisa de mais de uma década de João Maia, que recriou as variações de António Ribeiro. Um homem originário do Minho que rumou à capital, deixando para trás o seu anjo da guarda, a mãe.

O realizador confessou ter, na sua mente, uma imagem concreta do possível intérprete. Queria que alguém que tivesse uma boa voz, que soubesse dançar, mas que não imitasse. Sérgio Praia encaixava na perfeição. Tanto o ator como o próprio António passaram por progressivas evoluções de voz. Serem parecidos foi um trunfo para o sucesso e empatia imediata do público com o protagonista.  

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Música em destaque na Seleção Ensaios

Inteiramente dedicada à música, a sessão da Seleção Ensaios do dia 24 contou com os filmes “Rise”, curta-metragem de Catarina Belo e “Um punk chamado Ribas”, de Paulo Antunes. A exibição nos Cinemas NOS do Alma Shopping cativou os espetadores ao contar a história de dois artistas de origens diferentes, mas igualmente apaixonados pelos seus trabalhos.

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“Prazer, camaradas!” – o 25 de abril de ontem retratado pelos portugueses de hoje

Na sessão das 21h45, no dia 25 de novembro, do Festival Caminhos do Cinema Português estiveram em exibição duas obras nacionais, entre elas, a curta metragem “O Mar enrola na areia”, de Catarina Mourão e, o documentário “Prazer, camaradas!” de José Filipe Costa que, teve no mês de agosto, a sua estreia mundial no Festival de Locarno, na Suíça.

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GesMo dá mobilidade aos Caminhos do Cinema Português

Caminhos, são sinónimo de mobilidade. De 22 a 30 de novembro a XXV edição do festival Caminhos do Cinema Português alia-se à GesMo a nova Ford e traz a Coimbra o melhor cinema, com nova acessibilidade e mobilidade acrescida.

O Ford Fiesta, prático, ágil e simultaneamente requintado, enquadra-se na perfeição na identidade do evento e ritmo de vida urbano que nos caracteriza.

O festival, que é já um marco no cinema português, apresenta assim a todos os seus convidados as vantagens deste modelo que facilitará a mobilidade da organização e dos convidados, sendo o Ford Fiesta o carro oficial do evento.

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O papel das mulheres no cinema

No dia 27, nos Cinemas NOS, a Seleção Ensaios apresentou dez filmes de realização feminina. As exibições foram seguidas de um debate sobre as mulheres no cinema e teve a presença de Débora Gonçalves, realizadora de “Teus Braços, Minhas Ondas”.

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Crónica do Festival – Parte VII

A maneira como “História Secreta da Aviação” de João Manso e “Campo” de Tiago Hespanha – os dois filmes exibidos ontem à noite no TAGV – se coadunam é prova como as produtoras nacionais como a Terratreme procuram edificar uma marca distinta e contínua por entre os trabalhos autoriais que promovem. Além disso, serve igualmente como sinal do empenho da programação dos Caminhos do Cinema Português em conjugar trabalhos cuja consonância lírica seja merecedora de destaque.

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