A Casa do Cinema de Coimbra recebe, no próximo sábado, dia 20 de junho, às 18h15, uma sessão especial de «Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar», o mais recente filme de José Filipe Costa. O realizador estará presente para uma conversa após a projeção, juntamente com o historiador Miguel Cardina, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Portugal, 1968. Salazar cai de uma cadeira e sofre um AVC. Quando regressa ao Palacete de São Bento para convalescer, já não é Presidente do Conselho. Mas ninguém lhe revela a verdade: nem a fiel governanta Maria de Jesus, nem as criadas Aparecida, Socorro e Teresinha, nem o seu médico pessoal. O filme pergunta se Salazar desejará derrotar a morte e perpetuar-se no poder, e como é possível manter a sanidade mental num palacete tomado pela farsa.
«Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar» foi o filme mais premiado da 31.ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português, onde recebeu os prémios de Melhor Ficção, Melhor Interpretação para Catarina Avelar e Melhor Caracterização para Maria Almeida. O júri descreveu o filme como um ato político fundamental para compreender como a história se constitui a partir da farsa, um filme sobre um país que ajudou a alimentar a mentira, perguntando que mentiras estamos hoje dispostos a aceitar. A longa-metragem conta com as participações de Jorge Mota, Catarina Avelar, Vera Barreto, Carolina Amaral e Cleia Almeida, e produção de Filipa Reis e Uma Pedra no Sapato.


José Filipe Costa é cineasta e docente, doutorado pelo Royal College of Art, em Londres. Entre os seus filmes anteriores contam-se «A Pleasure, Comrades!», exibido em Locarno em 2019, e «Red Line» (2011). É autor do livro «O Cinema ao Poder!» (2002). Este é o seu primeiro filme de ficção em longa-metragem.
A conversa pós-sessão conta com Miguel Cardina, historiador especializado em memória, colonialismo e nas dinâmicas entre história e poder no Portugal contemporâneo. Foi coordenador do projeto de investigação CROME, financiado por uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação, sobre as memórias das guerras coloniais e de libertação, e é autor de «O Atrito da Memória: Colonialismo, Guerra e Descolonização no Portugal Contemporâneo». O seu trabalho sobre os silêncios e as construções de memória em torno do Estado Novo oferece um enquadramento privilegiado para discutir as questões que o filme coloca sobre o poder, a farsa e as mentiras que sustentam os regimes autoritários.
O filme continua em exibição na Casa do Cinema de Coimbra, com sessões anunciadas em caminhos.info/agenda. Os bilhetes estão disponíveis em casacinemacoimbra.bol.pt e na bilheteira física, que abre 30 minutos antes de cada sessão.
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