A Casa do Cinema de Coimbra apresenta na próxima sexta-feira, 5 de junho, às 21h30, uma sessão especial de «Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar», o mais recente filme de José Filipe Costa. A sessão conta com a presença do realizador e de José Manuel Mendes, Professor Catedrático de Sociologia e Diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, investigador do Centro de Estudos Sociais, para uma conversa após a projeção.
«Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar» parte de um episódio verídico e pouco conhecido: em 1968, Salazar sofre um AVC após uma queda e, quando regressa ao Palacete de São Bento para se recuperar, já não exerce o cargo de Presidente do Conselho. Ninguém lhe diz a verdade. A governanta Maria de Jesus, as criadas e o médico pessoal, mantêm durante dois anos a ilusão de que o ditador ainda governa o país, até à sua morte em 1970. O filme apresenta-se, desde o seu título, como uma sátira ao paternalismo inerente aos líderes populistas.
O filme de José Filipe Costa transforma este episódio notável numa obra que navega entre a política, a sociedade de elite e as frágeis ilusões que sustentam o poder. Momentos de absurdo e ironia recortam este retrato de um homem agarrado a uma autoridade que o mundo já não reconhece. Esta é a primeira longa-metragem de ficção de José Filipe Costa, e teve estreia internacional no Festival Internacional de Cinema de Roterdão (IFFR), em fevereiro de 2025, tendo obtido reconhecimento pela International Cinephile Society como um retrato bem construído dos últimos dias de um regime fascista, destacando o design de produção e a interpretação de Catarina Avelar. Em Portugal, o filme participou nos festivais IndieLisboa e nos Caminhos do Cinema Português onde, na sua 32.ª edição, recebeu o prémio de Melhor Ficção no Festival Caminhos do Cinema Português. O júri descreveu o filme como “um ato político fundamental para podermos compreender como a história se constitui a partir da farsa”, acrescentando que “é um filme sobre um país que ajudou a alimentar a mentira, perguntando que mentiras estamos hoje dispostos a aceitar”.

A interpretação da governanta Maria, interpretada por Catarina Avelar, também foi reconhecida em Coimbra com o prémio de Melhor Interpretação Principal. O júri sublinhou que a actriz “interpreta a mulher que se construiu à sombra da ideia das próprias mulheres do país forjado por Salazar”. O júri assinalou ainda a dimensão política da própria escolha: premiar Avelar é também “uma celebração do seu trabalho no filme, mas também premiar uma entrega que ficou apagada por outros nomes, num país que parece ser sempre pequeno”.
«Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar» recebeu o prémio de Melhor Ficção no Festival Caminhos do Cinema Português, onde o júri o descreveu como “um ato político fundamental para podermos compreender como a história se constitui a partir da farsa”, acrescentando que “é um filme sobre um país que ajudou a alimentar a mentira, perguntando que mentiras estamos hoje dispostos a aceitar”.
A sessão especial do próximo dia 5 de Junho permitirá confrontar o filme com uma perspectiva académica sobre o salazarismo e os seus ecos contemporâneos. José Manuel Mendes é investigador nas áreas das políticas públicas, cidadania e risco social, e é actualmente Director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
«Pai Nosso: Os Últimos Dias de Salazar» (José Filipe Costa, Portugal, 2025, Drama/Comédia, 113 min, M/12) continuará em exibição na Casa do Cinema de Coimbra no sábado 6 de Junho às 14h30 e na segunda-feira 8 de Junho às 18h30. As sessões têm legendas em inglês.
Os bilhetes estão disponíveis em casacinemacoimbra.bol.pt e na bilheteira física, que abre 30 minutos antes de cada sessão.
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