A XXII Edição dos Caminhos já se encontra a meio e muito do melhor do nosso cinema já foi projectado em grande tela. A gala de abertura, no Mosteiro Santa Clara-a-Nova, foi composta por um crescendo cinematográfico. O cinema é feito, idealmente, para muitos. Variados são os espectadores e os seus gostos, tendo a sessão de abertura representado uma mostra da possibilidade de criação de filmes: um formato académico, de animação e de grande produção.
Programação Saiba tudo sobre a Programação dos Caminhos
Encontramo-nos na abertura da XXII Edição do Festival Caminhos do Cinema Português, este ano no Mosteiro de Santa Clara a Nova, como marca da união entre o nosso festival e a história cultural da cidade de Coimbra.
Apesar de todas as dificuldades que sempre marcam a organização de um evento como este, foi conseguida inaugurar mais uma edição graças ao constante apoio da nossa organização e parceiros.
O festival Caminhos do Cinema Português e a Academia Portuguesa de Cinema apresentam a exposição “Retratos da Academia Portuguesa”, que poderá ser vista em todos os espaços de projecção do festival. A mostra fotográfica irá ser em Coimbra (Teatro Académico Gil Vicente) e em Leiria (Teatro Miguel Franco e Teatro José Lúcio da Silva), entre os dias 19 e 26 de Novembro.
O cinema tem um importante papel na instrução cultural do seu espectador. Existem filmes que, devido à sua ligeireza temática e técnica, servem meramente para entreter quem o vê, fazendo esquecer, não pensar, não conhecer. Nesta programação especial para o público juvenil, foram seleccionadas obras que graças ao seu argumento e harmonia estética despertam a contemplação ao interior e ao meio, agindo como instrumento de inspiração e reflexão para todos os jovens que irão assistir às sessões. Por o cinema fazer crescer e cogitar, é premente a sua divulgação junto dos mais novos.
Os Caminhos do Cinema Português conscientes de que, nos dias de hoje, é cada vez mais difícil encontrar iniciativas em que este segmento da população possa participar, apresentam a secção paralela “Caminhos Séniores”. Acreditamos que esta iniciativa é uma mais-valia para o festival que, para além de uma componente cultural, também tem um papel importante de cariz social e de integração na sociedade.
Ainda que evitando uma abordagem política, todos podem reconhecer uma vasta e rica personalidade na cultura espanhola, desde Madrid à Galiza, na Catalunha, ou no País Basco e Andaluzia. Cada região tem as suas próprias idiossincrasias e ultimamente, na Catalunha, tem emergido um grande movimento popular que está a dar passos no que concerne à sua separação do Estado Espanhol. A emergência deste movimento deve-se a inúmeros fatores; a crise, a política, desavenças económicas e sociais entre o governo catalão e o governo central espanhol, etc., e no entanto tem vindo a redescobrir contextos históricos, culturais e linguísticos que hoje, mais do que nunca, se entranham nos discursos alheios.
A maioria dos realizadores percorre um caminho de formação constante, que o capacita com as ferramentas adequadas a uma melhor expressão artística daquilo que em cada geração seja considerado cinema. O nosso Festival segue o mote de ser uma montra do cinema português, não querendo assim colocar de lado as obras desenvolvidas em contexto de formação. Torna-se interessante ver o fluxo de realizadores que inicia a sua obra na Selecção Ensaios e que em muitos casos são imediatamente apontados como futuras referências cinematográficas nacionais e internacionais.
Programar a Selecção Ensaios é sentir o sangue jovem que sempre pautou o cinema, é ser confrontado com técnicas diferentes, ideias vanguardistas e até conhecer novos actores. Para aquele que estuda cinema, assistir às sessões da Selecção Ensaios dar-lhe-á aquele alento necessário, aquele sentimento de que é possível e exequível fazer bom cinema. Para o espectador e cinéfilo em geral, estas sessões representarão o aceder a mentes de jovens criadores, dando-lhes uma real noção dos valores e ideias que pautam actualmente este movimento artístico português e internacional. É a oportunidade única de ver a semente que germina, as primeiras obras, as novas formas de olhar o cinema e o mundo.
Todos os anos nos são apresentados novos tipos de desafios aquando da selecção e programação do cinema criado no nosso país. Mesmo recebendo apenas aquelas obras que foram produzidas depois da nossa última edição, vemos que anualmente o fluxo de inscrições tem sido constante e muito diverso.
Apesar de acreditarmos que nem tudo o que se mexe em ecrã deva ser considerado cinema, todas as inscrições são colocadas ao mesmo nível de análise, desprendendo-nos de critérios formais (como o autor ou a produtora) e ansiando pela criação de momentos cinematográficos em sala. Esses momentos vêm de fora para dentro, pois tudo dentro de nós é movimento que – devidamente inspirado – nos leva a escapar os limites físicos desta realidade, criando o filme uma nova foprma de existir que, como é interior, é só nossa.
A Casa do Cinema de Coimbra abre as portas a «Ângelo na Floresta Mágica», de Alexis Ducord e Vincent Paronnaud, dia 15 de fevereiro, às 14h30, na sua próxima matiné infantil. Com bilhetes a 3 € e exibida na versão portuguesa, este filme acompanha a aventura iniciática sobre o medo, a imaginação e o desejo de descoberta, através de um universo visual rico e surpreendente.
Se tivéssemos a capacidade de observar de fora o interior da intimidade das habitações, descobriríamos com exactidão a verdade. No interior dessas casas, essa verdade surgiria despida de máscaras exigidas pela sociedade, tendo a capacidade de mostrar seres por inteiro, independentemente do que isso implique. Hoje no TAGV mostra-se cinema íntimo e real, revela-se essa capacidade de entrar em casas documentadas e ficcionadas, fazendo-nos perder no caminho do meio que serpenteia ambos os géneros cinematográficos.
O início da fase adulta implica por vezes um desmembramento da criança e do adolescente que residem dentro daquele que cresce. Idealmente feito de forma paulatina, na prática acaba por ser um salto inesperado. O bom cinema, seja ficcional ou documental, tem a capacidade de registar e mostrar – se o seu criador assim o entender – essa transferência de consciência entre a criança e o recém-adulto, que são o mesmo.
Afirma-se consecutivamente que tempo não é intensidade. Nem sempre existe a carência de prolongar a duração de uma obra, quando o seu intento se acha suficientemente satisfatório em alguns minutos. Hoje o TAGV terá as suas sessões dedicadas principalmente a curtas, levando o espectador a percorrer caminhos de expressividade totalmente distintos.
Ver cinema faz-nos entrar numa outra realidade, tão palpável quanto a física. É trazer para este mundo o conhecimento apreendido em tela, continuando a dar vida ao filme mesmo depois deste ser visionado.
Conseguimos extrair, através da análise dos filmes produzidos em certa época, o estado actual das coisas. O cinema português pode funcionar como um género de manifesto cultural contra as coisas nefastas da situação estagnada do nosso país.
Os Caminhos começam a ser percorridos nesta XXI edição no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra. Para o nosso festival, cinema não deve ser apenas mostrado para ser visto e ouvido, mas também tem de fornecer a semente ideal necessária para estimular o nascimento de novas obras.
O Caminhos Film Festival apresenta o catálogo da XXI edição do festival. Agora que se aproxima a passos largos o início do festival a 24 de Novembro, torna-se essencial divulgar toda a informação disponível sobre todos os eventos que terão lugar em Coimbra. Além do programa estão disponíveis para consulta as sinopses de todos os filmes em exibição, biografias dos jurados, descrição de actividades paralelas e informações sobre o curso de Cinemalogia, ainda com inscrições abertas.

