Necessita ser realçada, na sessão das 17h30, a obra ‘Em Branco’, onde Luciano Sazo nos leva para o íntimo de uma doença. A pressão e a intensidade apresentadas pelo apoio familiar desembocam na perda de um foco de vida. Por muito difícil que se apresente lidar com as exigências do quotidiano, a tarefa torna-se mais árdua quando o escopo da atenção passa para uma pessoa com Alzheimer. Em ‘ISA’, Patrícia Delgado leva-nos para um exemplo claro do que o exterior nem sempre é congruente com aquilo que se passa na realidade da intimidade. Isa apresenta-se no teatro fórum com hipóteses teóricas para a harmonização dessa privacidade, que na sua vida íntima se manifesta de forma desarmoniosa. A sessão é encerrada com ‘Gipsofila’, onde assistimos a um trabalho conjunto entre realizadora e documentada. Nesta obra, Margarida Leitão marca a sua biografia cinematográfica com um registo da cumplicidade entre ela e a sua avó. Este possante registo, que eternizará estes momentos juntas, pega na realizadora para a frente da sua câmara, juntando-se à estória que nos mostra, construindo-a ao mesmo tempo. A linha entre o real e o ficcionado, entre o filme e a sua vida, confundem-se em fundem-se nesta obra. Destaque ainda para ‘Yvone Kane’, de Margarida Cardoso, uma obra que nos faz questionar o significado dos mistérios do passado, quando esses fazem parte do nosso legado familiar. Começar a descortinar o que violentamente existia antes de nós, implica uma luta viciante pela descoberta, no caso sobre a morte de Yvone Kane. O palco desse descobrimento é um país africano, habitado por fantasmas do passado histórico da guerra e da maldade. João Pais,
Selecção Caminhos
Discover more from Caminhos do Cinema Português
Subscribe to get the latest posts sent to your email.