A chuva pela cidade de Coimbra não dissuadiu o público do Festival Caminhos que, na sessão de ontem de “Vitalina Varela“, se mostrou receptiva à presença de Leonardo Simões, director de fotografia do filme. O habitual colaborador de Pedro Costa – distinguido há um par de dias com o prémio de Melhor Fotografia do Festival Gijón – participou numa sessão de perguntas do público após o filme, esclarecendo alguns pormenores acerca dos bastidores da sua imagética. Um diálogo que serve enquanto exemplo de como o Festival Caminhos permite criar pontes entre os espectadores defronte o ecrã os artistas por detrás das câmaras. E após tal dia melancólico cujo clima pluvioso acentuou o caracter contemplativo do cinema de Pedro Costa, os Caminhos de hoje prometem apressar o passo com tons mais animados. Aliás, é precisamente uma obra de animação que abre este dia: “O Peculiar Crime do Estranho Sr Jacinto” que, após a sua estreia no Cinanima em Espinho, chega a Coimbra às 15h no TAGV. Trata-se de uma curta-metragem assinada por Bruno Caetano já há muito aguardada, dado que a técnica do stop-motion a que recorre tem caído algo em desuso, tornando-se cada vez mais refrescante rever este artifício de animação. Como ponto de contemporaneidade, a narração desta curta de temática ecológica está a cargo de Sérgio Godinho.
Os “Caminhos Juniores”, inseridos na 25ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português, têm como principal objetivo aproximar o público infantil, do pré-escolar e do 1º ciclo (das escolas de Coimbra), à 7ª Arte, tendo uma intervenção cívica e humana. A atividade irá decorrer no Teatro Académico Gil Vicente, entre os dias 25 a 29 de novembro.
Aqui, milhares de crianças tem a oportunidade de contactar, alguns pela primeira vez, com o cinema, numa sala própria, com uma tela gigante e som que percorre todo o ambiente. Toda a programação tem o intuito de transmitir a este público uma mensagem e uma aprendizagem feita de forma diferente.
O Teatro Académico Gil Vicente recebe, no dia 25 de novembro, às 21h45, “O Mar Enrola na Areia”, de Catarina Mourão, que conta a história de ‘Caititinha’. De barbas brancas e apito, vagueava e atraía crianças do areal, pelas praias portuguesas, nos anos 1950, e “Prazer, Camaradas”, de José Filipe Costa, um documentário sobre a vida no Ribatejo após o 25 de abril.
Antes, às 17h30, a realizadora Luísa Homem irá apresentar Suzanne Daveau, um documentário em torno da geógrafa franco-portuguesa que traça o esboço de uma mulher aventureira que atravessa o século XX, até aos dias de hoje, guiada pela paixão da investigação geográfica. O filme circula entre os inúmeros espaços-mundo percorridos pela geógrafa e os reservados espaços-casa que acolheram a sua vida privada.
A edição do catálogo de um festival é a materialização física de um conjunto de ideias, actos e vectores tomados a cada edição do evento. É um momento marcante na medida em que é essa mesma materialidade que permite perpetuar o trabalho de um ano inteiro de estudo, reflexão e programação do cinema que nos é proposto pelos criadores.
A importância da materialidade é feita pelas contingências em que o conseguimos produzir. Terabytes perdidos, centenas de informações recolhidas a partir das inscrições efectuadas por distribuidores e produtores unidos pela paixão cinematográfica tornam, ano após ano, a edição, o design e a revisão um processo desafiante que agora partilhamos com todos numa edição bilingue que torna o festival acessível a todos.
“Tristeza e alegria na vida das girafas”, longa ficção de Tiago Guedes, foi a aposta do Festival Caminhos do Cinema Português para a sessão das 21h45 do dia 23 de novembro, no TAGV. O filme integra a secção competitiva Caminhos.
As gargalhadas que compuseram a sessão das 21:45 refletiram o espírito do filme: a aventura de uma jovem e do seu urso de peluche suicida, Judy Garland, em busca do perdido Discovery Channel. O filme centra-se na capital, um lugar único e mágico, contudo tem-se presente a crise.
O fim da sessão terminou num grande aplauso por parte público, que se demonstrou recetivo ao longo do filme. “O tratamento lúcido que foi dado à personagem, que vivencia várias emoções na vida, é algo fantástico. A imaginação, os questionamentos e, ao mesmo tempo, a confiança que se estabelece com o mundo e com as pessoas…” afirma uma das espetadoras.
“Tristeza e alegria na vida das girafas”, longa ficção de Tiago Guedes, foi a aposta do Festival Caminhos do Cinema Português para a sessão das 21h45 do dia 23 de novembro, no TAGV. O filme integra a secção competitiva Caminhos.
As gargalhadas que compuseram a sessão das 21:45 refletiram o espírito do filme: a aventura de uma jovem e do seu urso de peluche suicida, Judy Garland, em busca do perdido Discovery Channel. O filme centra-se na capital, um lugar único e mágico, contudo tem-se presente a crise.
O fim da sessão terminou num grande aplauso por parte público, que se demonstrou recetivo ao longo do filme. “O tratamento lúcido que foi dado à personagem, que vivencia várias emoções na vida, é algo fantástico. A imaginação, os questionamentos e, ao mesmo tempo, a confiança que se estabelece com o mundo e com as pessoas…” afirma uma das espetadoras.
Do you like cinema? If your answer is yes, we have good news. Caminhos Film Festival it is the only event dedicated to contemporary Portuguese cinematography and it takes place in Coimbra’s heart since 1988. It is on until November 30th, with the purpose of promoting Portuguese cinema in its different paths, with all sorts of styles, genres and authors, represented by more than 190 films.
Apesar da propaganda contrária, muita vezes derivada do mediatismo sensacionalista centrado somente nos nomeados aos Óscares e semelhantes sucessos de bilheteira, o cinema português de hoje em dia está vivo e de boa saúde, marcando presença única no globo cinematográfico, muito graças à sua exploração da docuficção. Aliás, Portugal afirmou-se como uma nação pioneira no que toca a esse tipo narrativo, com “Maria do Mar” de Leitão de Barros, uma das primeiras produções deste subgénero, antecedendo clássicos mais notórios como “A Terra Treme” de Luchino Visconti ou “Close-Up” de Abbas Kiarostami. E apesar desse marco cinematográfico infelizmente negligenciado pela maioria do público desatento ao campo histórico, é inegável como os cineastas portugueses de actualmente revelam uma vontade de ressuscitar tais temáticas intermitentes e hipnotizantes entre a realidade e a ficção, o sonho e a memória. É o caso de Tiago Siopa, cujo novo filme “Fantasmas: Caminho Longo Para Casa” abre o 3º dia do Caminhos, sendo exibido às 15h no TAGV. Esta nova longa-metragem do realizador português apresenta-se com uma investida que parte do fantástico mas, transpondo imagens documentais captadas no passado para o presente, promete ser igualmente uma reflexão surreal sobre a passagem de testemunhos entre vidas e gerações.
O Festival Caminhos do Cinema Português exibe, no dia 24 de novembro às 21h45, o filme “Vitalina Varela”. 55 anos de idade, 25 à espera de um bilhete de avião. Vitalina regressa a Portugal três dias após o funeral do marido. A sessão terá a presença de Leonardo Simões, Diretor de fotografia.
