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- Tiago Afonso deu início à Mastersession de quarta na Sala do Carvão, na Casa das Caldeiras com o tema “O Meu Cinema”. O atual docente da Universidade Lusófona do Porto realiza sobretudo filmes de teor documental, como filmes de intervenção e reflexão política, mas também obras de cariz autobiográfico e experimental. O realizador, não só exibiu alguns trechos dos seus filmes, como também refletiu sobre os mesmos. Falou sobre as suas próprias obras e criou uma ponte entre o seu processo de criação e, aquilo que é feito no cinema português. Citando “As Portas da Perceção” de Aldous Huxley, o cineasta falou sobre a abertura da perceção humana e sobre a sua considerada “deficiência”. Tiago Afonso, ao contrário do resto das pessoas, quando pensa em alguma coisa não consegue associar uma imagem no seu cérebro ou seja, não é capaz de visualizar mentalmente. Este antagonismo entre imaginação e criação levou com que, segundo o realizador, o seu processo de fazer cinema seja distinto de todos os outros: “tudo o que preparo é para destruir”.
“… ella no era una persona sino el acto, la facultad de mirar…”
(Juan Carlos Onetti, El Astillero)
A par da programação dos filmes a concurso e das sessões especiais, o Festival Caminhos do Cinema Português tem tido desde sempre o objetivo de promover as mais distintas e audazes experiências cinematográficas. É nessa esteira que esta XXV edição do Festival tem vindo a exibir, no início de cada sessão, um conjunto de trabalhos fílmicos realizados por alunos do 2º ano da licenciatura em Design e Multimédia (FCTUC), que, sob a orientação dos professores Paul Hardman e Nuno Coelho, foram concebidos a partir de alguns dos trabalhos mais célebres da poesia concreta, tais como “NasceMorre” ou “Beba Coca Cola”, respetivamente dos autores brasileiros Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e ainda de autores portugueses, como é o caso de “Luz”, de Alberto Pimenta.
O final do dia de ontem permitiu um dos maiores voltefaces do Caminhos deste ano. Por motivos alheios à organização do Festival, o filme “Serpentário“, de Carlos Conceição foi retirado do cartaz e da competição. Em substituição, foi exibido o filme “Mutant Blast“, uma paródia de z***ies co-produzido pela norte-americana Troma que homenageia os inícios cartoonescos de Peter Jackson. Tendo já figurado na sessão Turno da Noite no sábado passado, a longa-metragem de Fernando Alle é assim promovida ao horário de destaque e ao estrato competitivo do Caminhos. Teve igualmente a honra de ser precedida pela curta “Invisível Herói” de Cristèle Alves Meira, que marcou presença no TAGV juntamente com o protagonista Duarte Pina para uma sessão de conversa com o público que se revelou calorosa e intimista.
Os Caminhos primam como festival de cinema pela inclusão de todas as correntes de produção do cinema português.. Olhando à representação no ecrã das demais comunidades programaram-se um conjunto de sessões em que as temáticas LGBTI+ são protagonistas. Com as crescentes manifestações e a capacidade de auto-afirmação enquanto comunidade, que deve ser contemplada com direitos e tratamentos iguais, o festival traz ao público filmes que abordam a temática. Através de uma pluralidade temática e artística, vão ser transmitidos filmes que trabalham, desde questões de género e de orientação sexual, até tópicos sobre o corpo e a identidade. Assim, esperamos que os nossos caminhos se cruzem. As sessões com esta temática ocorrem na Quarta, 27 de Novembro, às 17:30 na Seleção Ensaios nos Cinemas NOS Alma Shopping, e Sexta, 29 de Novembro, às 17:30, na Selecção Ensaios nos Cinemas NOS Alma Shopping, 21:45 na sessão da Seleção Caminhos no TAGV e às 22:00 nos Caminhos Mundiais exibidos no Mini-Auditório Salgado Zenha.
A 27 de Novembro recebemos, na sessão das 21h45 da Selecção Caminhos as presenças de Tiago Hespanha, realizador de “Campo”, e João Manso, realizador de “História Secreta da Aviação”, ambos produções da Terratreme.
À tarde, na sessão das 15h00, “18” terá o seu realizador Rui Esperança presente, bem como “Gabriel” será representado pelo seu realizador “Nuno Bernardo”, pelo Director de Fotografia, Pedro Negrão e pela actriz Ana Marta Ferreira. A actriz Soraia Chaves representa a curta-metragem Moscatro. Esta sessão é reposta às 22h00 nos Cinemas do Alma Shopping.
Às 17h30 os Caminhos exibem a última animação de Regina Pessoa, “Tio Tomás, A Contabilidade dos Dias”, “Lá Fora as Laranjas Estão a Nascer” de Nevena Desivojević e “Alva”, do realizador Ico Costa.
O Teatro Académico Gil Vicente foi, mais uma vez, casa das exibições desta terça-feira, dia 26. A Seleção Caminhos levou até aos espectadores, pelos ecrãs do teatro da Praça da República, os filmes “Invisível Herói” e “Mutant Blast”.
Duarte Pina protagonizou o primeiro filme da noite, com início às 21h45. A curta-metragem de Cristéle Alves Maria é, na sua perspetiva, uma demonstração da forte ligação que tem com a cultura crioula. Inicialmente, contou, a ideia passava por realizar uma longa metragem que abordaria os invisíveis de Lisboa e Duarte ia ser apenas mais um. Contudo, envolveu-se de tal forma com o que ele era enquanto pessoa e enquanto pessoa cega, que decidiu fazer uma curta só com ele.
“Invisível Herói” segue a história de Duarte, um homem de 50 anos, cego. Ao longo da curta ele vai procurando pelo seu amigo Leandro, a quem quer entregar a letra de uma canção escrita por si. Na praia, Duarte vai perguntando, a todos quantos sente a presença, se viram o seu amigo. Ninguém sabe quem é ou onde está. A verdade é que a procura daquele amigo, cuja existência questionamos, é o que permite a Duarte conversar, conhecer pessoas.
Na sessão das 21H45 do Festival Caminhos do Cinema Português, no TAGV, será exibido o filme Mutant Blast, uma comédia de terror de Fernando Alle. Depois de milhares de experiências científicas, que não correm como esperado, o mundo depara-se com o apocalipse. Milhões de zombies percorrem as ruas em busca de pessoas para se alimentarem. A sua sobrevivência está nas mãos de três heróis: Maria, ex-militar; TS-347, um homem com força sobre-humana e Pedro, que, além dos problemas comuns, se debate com uma ressaca descomunal, resultado de uma noite para esquecer.
A direção do festival Caminhos do Cinema Português informa que o filme “Serpentário” de Carlos Conceição não será exibido na sessão competitiva da Seleção Caminhos, no Teatro Académico Gil Vicente, prevista para as 21h45. Lamentamos a decisão do realizador, apesar de todas as diligências tomadas pela organização para ir ao encontro atempado das questões levantadas por este. A situação não foi possível de se contornar e respeitamos a sua decisão. Garantimos ainda que a sessão das 21h45 no TAGV será assegurada mediante programação a anunciar.
A Direção do festival.







