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- Vivemos tempos incertos. Uma afirmação anteriormente classificada como dramática, mas que actualmente demonstra-se vulgar e quotidiana, não só no presente ano, mas certamente no futuro próximo. E apesar da ilação criativa da pandemia demonstrar-se promissora no que diz respeitos às lides de inspiração (sobretudo tendo em conta a tendência dos cineastas nacionais em captar imagens sob a lente da docuficção), as previsões da cultura nacional firmam-se actualmente num clima de incertezas que ameaça a exibição dos projectos cinematográficos em sala e o consequente financiamento de projectos posteriores. Acrescem a este cenário reptante diversos episódios controversos, como é o caso da aprovação da proposta de lei 44/XIV no final do mês passado, transpondo a Diretiva (UE) 2018/1808 para a legislação portuguesa de maneira impetuosa e quiçá míope. Em suma, o presente ano demonstra-se como um desafio. E se a natureza incógnita do futuro parece ser o seu único elemento actualmente previsível, 2020 veio incrementar a imprevisibilidade de todas as restantes arestas e agendas.
Volvido o seu quarto de século de existência celebrado no ano passado, o Festival Caminhos do Cinema Português regressa em 2020 com um novo ímpeto, bem mais destemido a que nos habituou. Seguindo a vertente mais heróica que a maioria dos educadores procura enfatizar nos livros de história, a organização do Festival aposta com um espírito de persistência cultural na confiança e coragem – quer dos espectadores, quer dos cineastas – em ir à sala de cinema nestes tempos incertos, de forma a ecoar o mantra actualmente publicitado nas redes sociais de #aculturaésegura. Mais que um apelo, trata-se de uma afirmação que a projecção audiovisual em sala é recompensadora, nem que seja enquanto refúgio das notícias e sensacionalismos alarmantes dos media. Um escopo que as transmissões internáuticas não possibilitam, por mais tentador que seja o seu aparente conforto publicitado.
Um catálogo de um festival como o Caminhos, revela uma definição espácio-temporal de parte da história cinematográfica actual, com claro destaque para aquelas produções co-produzidas ou produzidas em contexto nacional. Este produto editorial não é só uma mera representação quantitativa de obras produzidas num determinado ano ou edição, mas antes um um registo de carácter qualitativo da amplitude temática e técnica do cinema contemporâneo. Além disso, mostra-nos decisões conceptuais, artísticas e curatoriais de um evento que já conta com 26 edições e que realiza um conjunto de actividades que pretendem enriquecer a cultura cinematográfica junto de todo o tipo de públicos.
No ano de estreia da sua mais recente longa-metragem, o realizador português Leonardo António protagonizou uma conversa que percorreu por palavras o caminho que o levou até ao cinema. “Submissão” (2020) foi selecionado pelos Stony Brook Film Festival (Estados Unidos da América) e PÖFF | Tallinn Black Nights Film Festival (Estónia) e estreia no dia 25 deste mês em Coimbra.
Estando Coimbra fora da lista de concelhos de risco “extremo” e de risco “muito elevado” devido ao número de casos de Covid-19, o Festival Caminhos do Cinema Português pôde fazer algumas alterações na sua programação. Na linha da frente destas mudanças estão o interesse, a acessibilidade e, sobretudo, a segurança de cineastas e espectadores.
O primeiro ajuste diz respeito à Cerimónia de Encerramento. O Caminhos continua a eleger o palco do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e os acordes dos The Twist Connection para encerrar a sua XXVI Edição, mas a celebração faz-se numa nova data. A Cerimónia de Encerramento transita, por isso, de sexta-feira para as 18h de sábado, dia 28 de novembro. Num final de tarde que se anuncia chuvoso, o Festival vai celebrar o melhor da cinematografia nacional (e não só), entregando quase 30 prémios. Além do trio conimbricense, o Caminhos espera contar com a presença dos galardoados deste ano.
Estando Coimbra fora da lista de concelhos de risco “extremo” e de risco “muito elevado” devido ao número de casos de Covid-19, o Festival Caminhos do Cinema Português pôde fazer algumas alterações na sua programação. Na linha da frente destas mudanças estão o interesse, a acessibilidade e, sobretudo, a segurança de cineastas e espectadores.
O primeiro ajuste diz respeito à Cerimónia de Encerramento. O Caminhos continua a eleger o palco do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e os acordes dos The Twist Connection para encerrar a sua XXVI Edição, mas a celebração faz-se numa nova data. A Cerimónia de Encerramento transita, por isso, de sexta-feira para as 18h de sábado, dia 28 de novembro. Num final de tarde que se anuncia chuvoso, o Festival vai celebrar o melhor da cinematografia nacional (e não só), entregando quase 30 prémios. Além do trio conimbricense, o Caminhos espera contar com a presença dos galardoados deste ano.
A principal secção competitiva do Festival Caminhos do Cinema Português arranca já na manhã desta quinta-feira, dia 19 de novembro, no recentemente reativado Estúdio 2 das Galerias Avenida. Pelas 10h30, “Maré”, curta-metragem de animação realizada por Joana Rosa Bragança, é o filme que dá o pontapé de saída da Seleção Caminhos.
A esta película seguir-se-ão outras 42 entre animação, documentário e ficção. “Um Animal Amarelo” (Felipe Bragança) e “A Vida Dura Muito Pouco” (Dinis Leal Machado) são apenas dois dos títulos em destaque, aos quais se juntam as estreias nacionais de “Submissão” (Leonardo António) e “Aos Nossos Filhos” (Maria de Medeiros). “Amor Fati” (Cláudia Varejão) e “Listen” (Ana Rocha), o candidato português aos Óscares, não poderiam também deixar de constar da lista de filmes em exibição.
Esta quinta-feira, dia 19 de novembro, damos início à Seleção Caminhos, principal secção competitiva do Festival. Como tal, propomos-lhe que atravesse o Atlântico e que aterre na Buenos Aires de “Salsa” (Igor Dimitri) para depois rumar ao coração da Amazónia à boleia de “Nheengatu” (José Barahona).
Após uma dupla viagem a terras sul-americanas, contamos com “A Raiz da Margem” (Sílvia Coelho e Paulo Raposo) para nos fazer regressar aos cenários portugueses já familiares. Rodada no Estuário do Tejo, a curta-metragem segue o ritmo dos ciclos das marés.
Aos cineastas, jurados e espectadores…
Quando nos propusemos a organizar a XXVI Edição do Festival Caminhos do Cinema Português sabíamos estar a fazê-lo em condições excecionais que nos obrigariam a sermos particularmente perseverantes, criativos e flexíveis. Se ao delinearmos a programação deste ano já nos havíamos reinventado – seja através da maior dispersão temporal das sessões, seja através do salto para o mundo digital dado pelos nossos painéis e conversas – as medidas recentemente anunciadas forçaram-nos a pôr em marcha um novo plano de contingência.








