Este domingo, dia 15 de novembro, propomos-lhe uma tríade de reflexões relacionadas com a memória: a memória e a doença de Alzheimer, em “Mãos de Prata” (Catarina Gonçalves); as memórias do quotidiano captadas por câmaras de vigilância desprotegidas, em “Panopticon” (João Pedro Mateus); e uma memória quase em forma de tributo à vida de Cesina Bermudes, a obstetra anti-Estado Novo que introduziu os partos indolor em Portugal, em “Parto Sem Dor” (Maria Mire).
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Na sexta-feira (24), às 21h30, convidamos o público a voltar connosco ao estúdio de cinema do 7.º piso do Edifício Avenida, onde vimos tantos filmes.
Turno da Noite, uma das mostras paralelas do Festival Caminhos do Cinema Português, tem início a uma sexta-feira 13. Devemos, por isso, admitir que nunca um acaso do calendário nos pareceu fazer tanto sentido. É que entre o centro comercial abandonado de “Merry Christmas, Mr. Monster” (João Pais da Silva e André Rodrigues), os sonhos do cineasta que protagoniza “The Great Parody” (André Carvalho) e a jovem bastarda e pirómana de “Canção de Embalar” (João Pedro Frazão), Turno da Noite promete arrepiar até o espectador mais cético.
Há já mais de uma década que os projetores das salas de cinema das Galerias Avenida se apagaram. A respiração suspensa de quem assiste a um ‘thriller’ ou o suspiro contido no desfecho de um drama deram lugar a um profundo silêncio. Mas o sossego do Estúdio 2, no rés-do-chão do centro comercial conimbricense, vai ser interrompido pela XXVI Edição do Festival Caminhos do Cinema Português. Entre novembro e meados de dezembro, o Festival reativará a sala de espetáculo devoluta.
Vivemos tempos incertos.
Uma afirmação anteriormente classificada como dramática, mas que actualmente demonstra-se vulgar e quotidiana, não só no presente ano, mas certamente no futuro próximo. E apesar da ilação criativa da pandemia demonstrar-se promissora no que diz respeitos às lides de inspiração (sobretudo tendo em conta a tendência dos cineastas nacionais em captar imagens sob a lente da docuficção), as previsões da cultura nacional firmam-se actualmente num clima de incertezas que ameaça a exibição dos projectos cinematográficos em sala e o consequente financiamento de projectos posteriores. Acrescem a este cenário reptante diversos episódios controversos, como é o caso da aprovação da proposta de lei 44/XIV no final do mês passado, transpondo a Diretiva (UE) 2018/1808 para a legislação portuguesa de maneira impetuosa e quiçá míope. Em suma, o presente ano demonstra-se como um desafio. E se a natureza incógnita do futuro parece ser o seu único elemento actualmente previsível, 2020 veio incrementar a imprevisibilidade de todas as restantes arestas e agendas.
Um festival de Cinema opera na dupla condição de satisfazer a exigência dos espectadores e proporcionar janelas de exibição competitivas e dignificantes à filmografia seleccionada. Não podemos apresentar outros caminhos para a próxima edição do festival que não promovam o contacto estreito, mas seguro, do público com os criadores, nem tão pouco critérios de admissão que não compreendam as novas dinâmicas de distribuição do cinema e audiovisual. A pandemia veio impor as potencialidades digitais sob os nossos hábitos sociais, remediando-os, sem contudo conseguir substituir a aura das experiências in loco.


