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Amor e o género marcam 8.º dia

Noite escura de sexta. No chão da Praça da República o tempo chuvoso garante um bom número de poças de água no chão. Nelas a luz reflete e aponta para algo mais grandioso: o Teatro Académico de Gil Vicente. Lá dentro não se sente a brisa incomodativamente fresca que sopra cá fora. Bem pelo contrário, sente-se um quente acolhedor que cola os presentes à sua confortável cadeira para ver mais uma sessão noturna da Seleção Caminhos. É o oitavo e penúltimo dia da 25ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português.

Na tela projetam-se Purpleboy, de Alexandre Siqueira, Flutuar, de Artur Serra Araújo e Golpe de Sol de Vicente Alves do Ó.

Purpleboy, uma curta-metragem animada. Que reflete sobre a questão da identidade de género. Seremos nós pressionados pela sociedade para sermos algo que não somos? Terá o nosso nome necessariamente que definir o nosso género? São algumas das questões que nos levante este filme de 13 minutos, mas com um vasto conteúdo e uma mensagem social subjacente.

No final da sessão, o realizador de Purpleboy, Alexandre Siqueira, usou da palavra para destacar os 13 minutos que constituem o resultado final do filme são produto de um processo de 5 anos que decorreu entre Portugal, França e Bélgica. A identidade de género e a metáfora da criança que germina de dentro da terra não eram o plano inicial do filme. Esclareceu também que “o filme não é pessoal”. Classifica esta obra como um “filme justo e honesto” que representa a “procura pelo reconhecimento”.

Flutuar, a outra curta da noite. A praia é o lugar onde a chama se acende. Talvez seja mais fácil apagá-la do que acendê-la, ainda que antes experimentar seja fundamental. Os tons quentes misturados com o lado obscuro da noite são propícios a flutuar. Uma flutuação que deixa num meio termo as paixões carnais.

Golpe de Sol , uma história que, apesar de pouco convencional, não deixa de ser de amor. Afinal, o que é que é convencional? Como pode o amor enfrentar-nos ainda que não esteja presente? Três homens e uma mulher a lidarem com uma ausência que sentem muito presente. Talvez não tão presente como desejariam, o que os leva a tornarem-se reféns de si mesmos. “Porque é que mentimos tanto quando amamos alguém?” A paixão concomitante com o axioma de que “ninguém ama sozinho.”

As urnas foram complementadas com os votos do público relativos às obras cinematográficas exibidas.