CORNUC2.jpg

Outros Olhares: do cinema para o ensaio, o arquivo, o teatro, a literatura e a instalação.

O cinema como palco para as mais diversas artes, num diálogo interdisciplinar constante. Destacamos o explícito diálogo entre o cinema e o teatro (em «Memórias do Teatro da Cornucópia», de Solveig Nordlund), a instalação («Ouro e Cinza»,  de Salomé Lamas), a fusão de escrita e a realização («Fuck the Polis» de Rita Azevedo Gomes), ou mesmo o cruzamento entre Paula Rego e literatura com «As Meninas Exemplares»,  de João Botelho. 

Entre 16 e 20 de novembro, a Casa do Cinema de Coimbra acolhe a programação da secção Outros Olhares, onde impera o questionamento, expansão e experimentação cinematográfica, do 31.º Caminhos do Cinema Português. As sessões decorrem sempre às 21h00, com bilhetes entre 3€ e 6€.

Assumindo-se como território de risco e liberdade formal, Outros Olhares apresenta obras que rasgam expectativas, cruzam linguagens artísticas e expandem a gramática do cinema, desenhando espaços onde memória, política, identidade, corpo e pensamento se confrontam em imagens e silêncio, vida e arquivo, ensaio e ficção.

Nesta edição, destacam-se filmes que atravessam cinema e teatro, instalação, escrita e ensaio visual, construindo um mosaico criativo que desafia convenções e convida o espectador a pensar, sentir e questionar.

Algumas das sessões contam com a presença dos realizadores, acompanhados por Esmeralda Sousa numa conversa aberta ao público. Já estão confirmadas as presenças de João Botelho, Leonor Areal., Frederico Corado e Rita Azevedo Gomes.

O júri da secção é composto por Joaquim Pinheiro, Carolina Dias e Leonor Teles, responsáveis por atribuir o prémio Outros Olhares.

 

Programação

16 NOV (DOM) – 21:00
As Meninas Exemplares, de João Botelho, 86’, PRT, 2025
Uma viagem pela infância e pelos seus interditos, baseada na obra de Condessa de Ségur, onde disciplina, moralidade e desejo colidem. A infância como campo de opressão e descoberta.

17 NOV (SEG) – 21:00
Ouro e Cinza, de Salomé Lamas, 77’, PRT, 2025
O retrato íntimo de uma mãe e filha numa relação marcada por silêncio, confronto e urgência emocional, entre o plano concreto da vida e o plano abstrato da reflexão filosófica.

18 NOV (TER) – 21:00
Memento / Lembra-te, de Leonor Areal e Edgar Sardinha, 15’, PRT, 2025
Uma bobine perdida encontra nova vida. Um ensaio sobre memória, esquecimento e a possibilidade de resgatar imagens do tempo.

Memórias do Teatro da Cornucópia, de Solveig Nordlund, 92’, PRT, 2025
A história de uma das mais importantes companhias de teatro portuguesas, evocada através de arquivos, testemunhos e cumplicidade artística.

19 NOV (QUA) – 21:00
A Memória das Sombras, de Frederico Corado, 10’, PRT, 2024
Lauro António e Vergílio Ferreira regressam do arquivo para iluminar o presente, numa visita às imagens e às casas da memória literária e cinematográfica.

A Mulher que Morreu de Pé, de Rosa Coutinho Cabral, 118’, PRT, 2024
Um retrato poético de Natália Correia, entre realidade e ficção, cinema e teatro, mito e presença, em busca da energia de uma criadora essencial à cultura portuguesa.

20 NOV (QUI) – 21:00
Complô, de João Miller Guerra, 86’, PRT, 2025
O percurso de Ghoya, rapper e ativista político, órfão do país que o viu nascer e resistente à margem. Um filme sobre luta, identidade e liberdade.

21 NOV (SEX) – 21:00
Fuck The Polis, de Rita Azevedo Gomes, 74’, PRT, 2025
Num mundo de vigilância total e descrença institucional, jovens reinventam a resistência no limiar entre o real e o virtual. Um manifesto sobre juventude, liberdade e dissidência.

 

De 15 a 22 de novembro, o Caminhos do Cinema Português decorre em Coimbra, Benfica (Lisboa), Penacova e Mealhada, com 63 sessões e mais de 110  filmes, celebrando o que de mais vivo e urgente se faz no cinema português e nas suas ligações ao mundo. Mais informações em caminhos.info.

 

A programação de Outros Olhares entra num território de questionamento, expansão e experimentação cinematográfica, onde se afastam certezas para abrir caminho à dúvida, à radicalidade estética e à beleza inesperada. É aqui que o cinema encontra o ensaio, o arquivo, o teatro, a literatura e a instalação.

 


Discover more from Caminhos do Cinema Português

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Related Posts