A oitava edição do curso de cinema “Cinemalogia” entra agora na sua última fase: a pós-produção. Depois da formação teórica, seguiu-se a veia mais prática deste curso de cinema documental, na qual os formandos tiveram a oportunidade de produzir um documentário com base no tema da 20ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra, “As casas, oh as casas”.
Concluída a rodagem, a pós produção é a etapa subsequente, pautando-se pelas fases de montagem, edição e finalização, designadamente no que toca ao áudio, à imagem e à correção de cor, contando com a orientação do montador Tomás Baltazar, do colorista Nuno Garcia ou dos designers de som Luís Antero e Miguel Martins. Restam ainda 72 horas de formação, entre os dias 7 e 29 de abril, para conhecer e aprender os vários passos desta fase final da produção de uma obra cinematográfica, conjugando-se o saber teórico com o saber prático aplicado no desenvolvimento de um documentário. Há ainda espaço para estudar os procedimentos e mecanismos inerentes à distribuição de cinema e como se estabelecem os circuitos comerciais e de festival dos filmes.
As inscrições continuam abertas em www.caminhos.info/cinemalogia/inscricao.

Retomamos as etapas formativas e, consequentemente, iniciamos a pós-produção do documentário dedicado ao tema “As casas, Oh as casas”, com os módulos de Design de Som e de Montagem de Som e Imagem. O primeiro, a decorrer no dia 7 de abril, é coordenado pelo fonografista Luís Antero e tem como objetivo primordial mostrar a importância do som enquanto elemento diegético e a sua capacidade de incorporar camadas de significação. Será explorada a relação entre a perspetiva das paisagens sonoras e da relação destas com o indivíduo e os lugares, a sua identidade, o seu ambiente e com o próprio cinema, denotando a importância do som no quotidiano. A montagem do som e da imagem produzidos começa no dia seguinte. É com o montador Tomás Baltazar que, ao longo de 24 horas, se estruturará toda a narrativa criada, bem como serão abordados os aspetos artísticos e estéticos e a continuidade no espaço e no tempo. O módulo encerra com a preparação do material da curta-metragem para a correção de cor.

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É no fim de semana seguinte, a 21 e 22 de abril, com Nuno Garcia, que se iniciará a abordagem aos princípios da correção de cor usando a ferramenta BlackMagic Resolve, assim como os formatos e câmaras de vídeo digitais. Do ponto de vista prático, será realizado o acompanhamento da correção de cor e produção dos efeitos digitais necessários ao projeto do documentário produzido pelos alunos, sendo contraposto com exemplos de planos de filmes em que o formador colaborou.
Colour Grading é o processo de alterar e melhorar a cor de uma imagem, fixa ou em movimento, através de processos fotoquímicos, eletrónicos ou digitais. Neste processo, é possível melhorar ou até reparar a imagem obtida aquando das rodagens, introduzindo efeitos sobre o plano. O seu propósito é ajudar a criar ou reforçar o ambiente narrativo do filme na estética dos quadros que atravessam uma obra cinematográfica. Não é uma etapa conclusiva e independente do resto da produção, mas este trabalho começa logo na preparação da rodagem, sendo o Diretor de Fotografia responsável por planear e criar quadros capazes de armazenar o máximo de informação luminosa possível, tanto nas altas como nas baixas luzes. É a partir de uma imagem flat que podemos elevar a composição visual a outro patamar e exponenciar a expressão fílmica.
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Essencial à vida de um filme é o seu processo de distribuição. No dia 25 de abril, a produtora Maria João Mayer irá partilhar a sua experiência sobre os processos promocionais e a participação no circuito de festivais de cinema e no circuito comercial. Maria João Mayer é produtora cinematográfica há mais de 10 anos e já trabalhou com alguns dos cineastas portugueses mais reconhecidos como Manoel de Oliveira, Fernando Lopes ou Margarida Cardoso.
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A última etapa prática deste curso ocorre no módulo de Pós-Produção de Som lecionado pelo sound designer Miguel Martins. Pretende-se que os formandos compreendam os processos de dobragem, mistura e conclusão do processo sonoro do filme produzido. O plano de trabalho apresenta as definições de estrutura de som para cinema e os processos de trabalho e membros de equipa envolvidos. Miguel Martins é sound designer e recording mixer. Trabalhou em mais de 80 curtas e longas metragens. Foi também diretor musical, tendo feito sound design para rádio, publicidade, animação e cinema. Obteve uma distinção pela European Film Association com o prémio Best Sound Design 2015.
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Concluindo a formação teórica e o curso, realiza-se o módulo de Estruturas Narrativas com Daniel Ribas, servindo de reflexão sobre o trabalho prático desenvolvido ao longo do curso. O formador partirá da forma como a narrativa é organizada no contexto cinematográfico, elaborando o conceito de narrativa fílmica e da maneira como o cinema toma sentido para o espetador, culminando com o delinear da estrutura dessa narrativa, dividida nos modelos de longa e curta-metragem. Daniel Ribas é diretor e programador do Porto/Post/Doc e professor de cinema da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. É Doutor em Estudos Culturais pelas Universidades de Aveiro e do Minho.
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Os próximos módulos do “Cinemalogia” decorrerão no Departamento de Engenharia Informática da Universidade de Coimbra.
Mais informações estão disponíveis em www.caminhos.info/cinemalogia.
