Para esta edição do Caminhos, procurámos convidar pessoas — não necessariamente ligadas ao cinema — que pudessem oferecer diferentes leituras sobre os filmes apresentados. É um esforço consciente para aproximar a comunicação do festival dos vários públicos a que se destina e ampliar os modos de ver e pensar cinema. Alexandra Capelo, estudante da Licenciatura em Estudos Artísticos/FLUC, escreveu sobre um dos filmes da Seleção Ensaios, que vai ser exibido no dia 21 de novembro, sexta-feira, às 14h30, na Casa do Cinema de Coimbra.
Whaludin, é um dos 500 pescadores indonésios, que na esperança de um futuro melhor, veio para Portugal.
A curta documental acompanha maioritariamente as angústias de alguém cujo coração não muda de morada, apenas seguindo o rumo de um corpo que acompanha a direção da maré.
O formato documental de 14 minutos, retrata de forma intimista e empática, as dificuldades de quem imigra e o desejo de que as gerações seguintes não passem pelo mesmo.
Aqui vemos o trabalho unicamente como uma maneira de ajudar o próximo, sublinhando o senso de comunidade como um pilar fundamental para a experiência do imigrante, cuja solidão misturada com as saudades de casa chegam a ser insuportáveis.
Numa época em que os imigrantes são alvos diários do preconceito e usados como peões eleitorais, “Imigrantes do Mar” funciona como um protesto e uma lufada de ar fresco necessário, humanizando pessoas que nunca deveriam ter sido desumanizadas. Desmistificando a ideia de que os imigrantes são apenas uma “mão extra”, mostrando que sem eles alguns setores estariam em crise. O exemplo da comunidade piscatória de Caxinas, em Vila do Conde, serve como prova inegável da resistência e do esforço de pessoas que dão tudo por um país, mesmo quando não é o deles.
“Imigrantes do Mar” é um espelho sociológico, que nos convida de forma urgente a repensar o contributo de cidadãos menosprezados apesar das suas contribuições.
Alexandra Capelo, nasceu e foi criada em Coimbra. Atualmente é estudante de Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Desde cedo desenvolveu uma forte afinidade com o cinema e com tudo o que o rodeia — a capacidade de contar histórias sempre a fascinou. Entrou no curso com o desejo de aprofundar esse interesse, compreender melhor o universo cinematográfico e aproximar-se de um mundo que sempre lhe despertou enorme curiosidade.
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