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«Um Adeus a Baco, de Margarida Kalinichenko e Vasco Souto, por Alexandra Capelo

Para esta edição do Caminhos, procurámos convidar pessoas — não necessariamente ligadas ao cinema — que pudessem oferecer diferentes leituras sobre os filmes apresentados. É um esforço consciente para aproximar a comunicação do festival dos vários públicos a que se destina e ampliar os modos de ver e pensar cinema. Alexandra Capelo, estudante da Licenciatura em Estudos Artísticos/FLUC,  escreveu sobre um dos filmes da Seleção Ensaios, que vai ser exibido no dia 19 de novembro, quarta-feira, às 14h45, na Casa do Cinema de Coimbra.

 

Baco, o deus do vinho, dos excessos e da boêmia, o símbolo do hedonismo.
Na curta “Um Adeus a Baco” acompanhamos o processo do encontro e da separação com essa divindade que quando nos agarra, prende e suga tudo de nós até à última gota.
Num país em que um copo de vinho por dia é quase indispensável, lidamos com problemas como o alcoolismo funcional, de forma quase casual e sem grande problematização, afinal segundo as más línguas “um copinho nunca fez mal a ninguém”. O que é certo é que as estatísticas nos mostram que Portugal é o país com o consumo de álcool mais elevado da OCDE.
Esta curta documental replica o mesmo formato da longa-metragem “48” de Susana de Sousa Dias, ao usar o testemunho falado de uma pessoa, em conjunto com fotografias da mesma.
O resultado final revela-se numa pequena viagem intimista pela vida de José Souto, onde ao longo de 5 minutos vemos e ouvimos o seu relato sobre como o copo pontual nos convívios familiares se tornou o refúgio de momentos solitários.
José Souto afirma que o vício é como uma prisão, onde o que mais prende é a negação e a vergonha de admitir a existência de um problema. “A cabeça a pedir copos e o corpo a pedir tréguas”.
Margarida Kalinichenko e Vasco Souto expõem num curto espaço de tempo e de forma empática um problema que afeta não só as pessoas que sofrem com o vício como quem os rodeia, mas com a esperança de que o “adeus a Baco” não é o fim, mas sim um recomeço.

 

 

 

Alexandra Capelo, nasceu e foi criada em Coimbra. Atualmente é estudante de Estudos Artísticos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Desde cedo desenvolveu uma forte afinidade com o cinema e com tudo o que o rodeia — a capacidade de contar histórias sempre a fascinou. Entrou no curso com o desejo de aprofundar esse interesse, compreender melhor o universo cinematográfico e aproximar-se de um mundo que sempre lhe despertou enorme curiosidade.


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