João Pais,
Na curta-metragem ‘Maria’, Joana Viegas mostra-nos um amor incondicional, que quebra a barreira da vida e da morte. O sobrenatural costuma ser o último grito de desespero de muitos e é o que ocorre nesta obra, aquando da tentativa de manter um amor por uma filha, mesmo que seja resultado de um bizarro pacto demoníaco.
Já Leonardo António, com a sua longa ‘O Frágil Som do Meu Motor’ começa por nos colocar dúvidas existenciais que nos remetem para a imagem clássica do bebé filosoficamente pensante, que serve de olhos iniciais deste filme. Entramos num mistério intenso, que nos leva tanto ao patamar do amor como da traição, questionando-nos sobre valores que consideramos absolutos. Todas as personagens têm uma razão de ser, uma pista para interpretação do passado do protagonista e explanação do seu presente. Envolvente.
Já ‘Ricardo Martins’, mostra-nos na sua curta-metragem ‘O Que Eu Entendo por Amor’ um amor não em decadência, mas numa relação separada pela morte. No momento em que a protagonista questiona sobre esse fim, memórias e desejos da sua vida são encarnados em si mesma, quase que inspirado na história de romeu e Julieta, mas versão sénior.
Amizade também é uma forma de amor, porém quando não se sente amor por si mesmo, o resultado é uma solidão absoluta mesmo que acompanhado, como vemos na curta ‘Torres’ por André Guiomar. A personalidade molda-se nesta fase de transição e o meio influencia-a.
A sessão termina com ‘O Grande Kilapy’ de Zézé Gamboa, que nos mostra a história de um bom malandro com muito amor para dar. Apesar de ser mestre em golpes, esquemas e burlas, o protagonista é uma pessoa simples com noções reais de amizade e despreconceito.
Selecção Caminhos
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