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Masterclasses e mesas-redondas

Como habitualmente, o Festival promove momentos de encontro e partilha entre profissionais e público, dedicados a aprofundar o pensamento e a prática do cinema contemporâneo. São conversas que cruzam experiências, metodologias e olhares sobre diferentes áreas — da montagem à comunicação, da distribuição à ética da representação, passando pela materialidade da película. Através destas sessões, o festival reforça a sua vocação formativa e o compromisso com o diálogo entre quem faz e quem vê cinema. 

Entre 15 e 18 de novembro, um ciclo de masterclasses e mesas-redondas que colocam o público em contacto direto com cineastas, investigadores, programadores e profissionais do setor. As sessões decorrem na Casa de Cinema de Coimbra (CCC) e no Estúdio 1 (7.º piso, Edifício Avenida). O programa inclui: uma sessão dedicada à montagem com projeção do filme «Santa Iria», de Luís Miguel Correia, seguida de debate do realizador Luísa Neves Soares (15 nov., 14h30, CCC); uma conversa sobre «O papel dos festivais na circulação e distribuição do cinema» (16 nov., 15h00, Estúdio 1); a mesa-redonda «Corpos em cena», coordenada por Rita Alcaire e João R. Pais, sobre ética, desejo e representações do sexo explícito no cinema português (16 nov., 17h00, Estúdio 1); a masterclass «A Comunicação no Cinema»», com Débora Pereira e João Vintém (Filmin) (17 nov., 17h30, Estúdio 1); e uma demonstração prática de projeção em película 16mm, conduzida por João Silva (TAGV) (18 nov., 16h00, Estúdio 1).

Cinema, Realidade, Montagem

Projeção do filme «Santa Iria», de Luís de Luís Miguel Correia, seguida de conversa com o realizador, moderada por Luísa Neves Soares 

15 de novembro, sábado, 14h30, CCC

Uma mesa-redonda sobre a montagem enquanto lugar de construção e descoberta do filme, tendo como ponto de partida o filme «Santa Iria», de Luís Miguel Correia. Esta obra, que nos apresenta os subúrbios de Lisboa numa linguagem entre o documental e o experimental, questiona a própria natureza do cinema: o que define um filme? Como se articula a relação entre a captação de imagens e a montagem? Qual o papel da montagem na construção – ou desconstrução – de uma narrativa? O realizador diz: «filma-se tudo, o filme faz-se na montagem». Mas será mesmo assim? Esta conversa pretende refletir sobre isso.

A influência dos festivais de cinema na exibição e distribuição  

16 de novembro, domingo, 15h00, Estúdio 1

Os festivais de cinema são pilares/instrumentos privilegiados para levar o cinema a todo o território nacional, mas carecem de reconhecimento e apoio adequados a essa missão de serviço público cultural. Esta mesa-redonda promoverá o diálogo entre os diversos agentes do ecossistema cinematográfico, refletindo sobre os desafios e oportunidades que os festivais de cinema representam para a circulação de obras, a descoberta de novos talentos e a dinamização cultural dos territórios.

A Comunicação no Cinema
Com Débora Pereira e João Vintém (Filmin) (segunda, 17 de novembro, 17h30, Estúdio 1)

Num panorama cinematográfico em constante transformação e devido à elevada oferta, comunicar cinema é um desafio que vai muito além da estreia em sala. Esta masterclass propõe uma viagem pelas diferentes etapas e estratégias de comunicação que acompanham um filme ao longo do seu percurso.

Desde a promoção em festivais e o diálogo com a imprensa especializada, até à promoção nas redes sociais de forma e como as estratégias das plataformas de streaming podem dar uma nova vida ao filme, a masterclass oferece uma visão prática e atual sobre como posicionar uma obra cinematográfica perante diferentes públicos através de várias formas de comunicação.

Projeção de Cinema em Película 16mm, com João Silva (TAGV) (terça, 18 de novembro, 16h00, Estúdio 1).

Antes do cinema digital conquistar as cabines de projeção, o cinema vivia na matéria: rolos de película, carretos, luz e som mecânico. João Silva sabe isso melhor do que ninguém. Projecionista do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) desde 1978, acompanhou décadas em que os filmes chegavam em caixas, eram montados à mão, testados, e apenas depois ganhavam vida no ecrã. A projeção em película no TAGV durou até cerca de 2012 — quando o digital finalmente se impôs e encerrou um ciclo. Mas a memória do gesto técnico, do cuidado e do tempo que o cinema exigia, permanece.

O Festival Caminhos vai ter uma máquina de 16mm no Estúdio 1, onde João Silva nesta masterclass vai regressar à prática que acompanhou a sua vida profissional para mostrar como tudo acontecia: como se montavam os rolos, se alimentavam as bobines, se afinava a luz e se iniciava… o cinema. Um testemunho raro sobre a materialidade do cinema e o ofício invisível que sustentava cada sessão: «Só se lembravam do projecionista quando alguma coisa corria mal», diz João — com a serenidade de quem conhece os bastidores. Uma oportunidade única de ver, ouvir e aprender com quem viveu o cinema desde dentro — e continua a partilhá-lo para que as novas gerações saibam como a imagem se tornava projeção muito antes do digital.

Corpos em Cena: Representações Explícitas de Intimidade no Cinema e na Performance
Mesa-redonda coordenada por Rita Alcaire e João R. Pais 

O sexo explícito tem sido usado no cinema como provocação, ferramenta estética, estratégia política ou promessa de autenticidade. Entre o gesto artístico e o gesto voyeurista, a sua presença nas telas continua a desafiar fronteiras entre erotismo e pornografia, ficção e realidade, intimidade e performance. Nesta mesa-redonda, discutiremos como o cinema tem utilizado o sexo explícito para interrogar relações de poder, desejo e representação — e de que modo estas escolhas formais e narrativas dialogam com debates contemporâneos sobre trabalho sexual, consentimento, censura e agência. A reflexão estende-se também às plataformas digitais, onde o sexo e o corpo se tornaram territórios de visibilidade, comércio e autoexpressão, alterando profundamente a forma como entendemos a exposição e a intimidade. Num encontro entre investigação académica, criação cinematográfica e crítica cultural, propomos um olhar plural sobre as políticas do desejo e as éticas da representação, perguntando o que está em jogo quando o sexo se torna imagem — e o que essa imagem nos diz sobre o nosso tempo.

A sessão conta com a presença de Steph Breton – coordenadora de intimidade, (Intimacy Coordinators Canada (ICC)).

As sessões que têm lugar no Estúdio 1 são de entrada livre

 


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