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O convite de Ivo M. Ferreira para que conheçamos “o seu Macau”

Nascido no seio de uma família de atores, recorda uma infância e adolescência passadas entre as cortinas do teatro, com as “pancadinhas de Molière” por som de fundo, e, talvez por isso, não hesite em estender também ao teatro o amor que já lhe conhecemos pela sétima arte. Se tivesse de definir o cinema português em três palavras, escolhia quatro: amor, identidade, morte e metamorfose. Falamos, claro, de Ivo M. Ferreira.

O realizador de “Cartas da Guerra” e “Sul” vai marcar presença na sessão de Warm Up! do Festival Caminhos do Cinema Português, marcada para a noite deste sábado, 7 de novembro. Pelas 21h45, a exibição de “Hotel Império”, filme que o cineasta assinou em 2018, mergulhará o recentemente reativado Cinema Avenida na atmosfera escura e exótica de Macau.

 

“A minha relação com o Caminhos começou da forma mais fantástica possível”

Numa retrospetiva à qual não falta o doce sabor de uma certa nostalgia, Ivo M. Ferreira recorda a sua estreia no Festival Caminhos, em 1999, precisamente com um ensaio sobre Macau. Justapondo pequenas histórias entre a ficção e o documentário, “O Homem da Bicicleta – Diário de Macau” reflete uma certa forma de fruir da cidade. A película valeu-lhe o Prémio de Melhor Documentário na VI Edição do certame.

O cineasta admite, por isso, em tom divertido, que a sua relação com o Caminhos “começou da forma mais fantástica possível”. “Como jovem realizador que era, a distinção teve uma importância acrescida”, relembra.

 

Cinema português: Alguma vulnerabilidade, mas, acima de tudo, muita vitalidade

“Quem traçar um retrato negativo do cinema português peca ou por falta de informação ou por falta de bom-gosto”, sentencia Ivo M. Ferreira. Nas palavras do realizador, o sucesso da sétima arte nacional pode ser medido pelo elevado número de produções e pela presença frequente em festivais internacionais. 

A este olhar otimista junta-se, no entanto, alguma preocupação. Depois de mencionar brevemente a falta de apoios à sétima arte, o cineasta desabafa que “o mais triste é mesmo o desaparecimento das salas de cinema”. Acrescenta ainda que tal o faz olhar para o renascer do Cinema Avenida como um “sinal de resiliência muito positivo”.

Ivo M. Ferreira volta, assim, ao Festival Caminhos do Cinema Português, trazendo consigo “o seu Macau”. “Mais do que um filme, “Hotel Império” é uma visita à cidade asiática que me tem a mim próprio como guia”, remata.