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Caminhos volta a exibir principais filmes vencedores da sua XXVI Edição (e não só!)

Os prémios da XXVI Edição dos Caminhos do Cinema Português podem até já ter sido entregues, mas tal não significa que as luzes dos projetores de cinema se tenham apagado. Para além das já anunciadas Mostras Paralelas “Filmes do Mundo” e “Intervenção!”, o Festival dinamiza, entre os dias 5 e 17 de dezembro, as habituais Reposições.

Nas palavras da direção do Caminhos, “estas sessões devolvem à tela do Estúdio 2 das Galerias Avenida alguns dos títulos mais marcantes das três secções competitivas”. Explicam ainda que as Reposições funcionam como um “reforçar do repto para que os públicos regressem às salas”.

A seleção das películas obedeceu, por isso, a uma perspetiva curatorial da organização, dos jurados, mas também dos espectadores. Permitindo que o próprio público vivencie alguns dos dilemas curatoriais experienciados durante a programação de um Festival, esta será uma viagem através das Seleções Ensaios, Outros Olhares e Caminhos.

Como tal, voltam a ser exibidos “O Fim do Mundo” (Basil da Cunha), “Maré” (Joana Rosa Bragança) ou “Nheengatu” (José Barahona) – películas amplamente elogiadas pelo Júri Caminhos – mas também “Carnage” (Francisco Valente), “Salazácula” (Pedro Réquio) ou “Parto Sem Dor” (Maria Mire) – curtas-metragens que mereceram um particular apreço por parte do público.

 

Programação das Reposições

05 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
17h30 | Reposições

“Pedro Peralta resgata, através das personagens criadas, uma noite que ainda hoje parece não acabar” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio de Melhor Argumento Original)

“É uma luz minimal que nos faz ver melhor, que nos faz ouvir melhor e que nos transporta para o universo do filme” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio de Melhor Fotografia)

20h30 | Reposições
  • Moço (Bernardo Lopes) – Prémio Revelação

“O trabalho do jovem realizador Bernardo Lopes, na definição da luz, posicionamento da câmara e no acompanhamento do jovem ator, estimula-nos com uma pequena história a querer ver os passos numa futura longa” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio Revelação)

  • A anunciar

 

08 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
20h30 | Reposições
  • Maré (Joana Rosa Bragança) – Prémio Melhor Animação

“Com uma aparente simplicidade, o filme consegue criar um universo de cores e sentidos que nos dá vontade de mergulhar no mar com o seu gigante” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio Melhor Animação)

“A curta-metragem “Água e Sal” é uma obra que se destaca pela sua experimentação delicada e minimalismo formal. Entrecruza momentos de mensagem política de um modo pessoal que transitam de modo harmónico com as sequências de índole mais poético e subjetivo. O posicionamento político de “Água e Sal” emerge de um fundo de vivências e memórias. O filme afirma uma política da subjetividade e da intimidade que muito interessou ao júri” (Justificativa apresentada pelo Júri Ensaios para entregar a Menção Honrosa de Ensaio Nacional)

  • Copacabana Madureira (Leonardo Martinelli) – Prémio da Federação Portuguesa de Cineclubes para Melhor Ensaio Internacional

““Copacabana Madureira” desestrutura inventivamente as formas narrativas e estéticas do cinema militante e engajado para propor uma reflexão crítica sobre o desgoverno de Bolsonaro no Brasil. A poética comprometida do filme de Leonardo Martinelli mereceu toda a nossa admiração. O gesto estético e político do filme é necessário e urgente num período de desintegração das instituições políticas e culturais do Brasil, como a Cinemateca Brasileira. Face à situação da Cinemateca Brasileira – e, concretamente, face às ameaças políticas ao património cinematográfico e ao “sequestro da memória audiovisual” do Brasil, nas palavras de Eduardo Morettin -, não podemos deixar de expressar a nossa preocupação e toda a nossa solidariedade” (Justificativa apresentada pelo Júri Ensaios para entregar o Prémio de Melhor Ensaio Internacional)

 

09 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
20h30 | Reposições
  • Nheengatu (José Barahona) – Prémio Melhor Documentário – Universidade de Coimbra

“Como os afluentes do rio que navega, o realizador entrelaça a língua Nheengatu, a natureza e o homem, criando um filme que nos envolve e alerta” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio Melhor Documentário)

 

10 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
20h30 | Reposições

 

15 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
20h30 | Reposições
  • O Fim do Mundo (Basil da Cunha) – Grande Prémio do Festival – Turismo do Centro e Prémio D. Quijote

“Um tempo, um imaginário e um elenco generoso permitiram a construção de um universo emocionalmente duro, mas que nos acompanha numa reflexão muito depois de o filme ter terminado” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Grande Prémio do Festival)

“A familiaridade do cineasta com a comunidade de Reboleira, adquirida ao viver e trabalhar com eles durante uma década, é evidente nesta longa-metragem  que revela um trabalho consistente, expresso pela empatia na relação com actores não-profissionais que se traduz em desempenhos notáveis. Os grandes planos transmitem-nos os pensamentos e sentimentos das personagens, o que dispensa muitas vezes os diálogos, quase sempre em criolo. A câmara à mão, seguindo o seu protagonista através do bairro, cria uma atmosfera de cerco, de claustrofobia, amparada pela luz alaranjada das ruas que  confere às sequências noturnas um quotidiano inquieto. Uma produção realizada de forma colaborativa e hábil, de um autor que com este filme cimenta um lugar de eleição na produção portuguesa, e que merece reconhecimento dentro e fora de portas” (Justificativa apresentada pelo Júri da Federação Internacional de Cineclubes para entregar o Prémio D. Quijote)

 

16 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
20h30 | Reposições

““Embers” tem uma construção narrativa complexa, tecendo-se ao som de um banda-sonora muito envolvente. A expressão gráfica que anima a tragédia é concordante com o tema explorado e destaca-se pela originalidade do seu autor” (Justificativa apresentada pelo Júri Ensaios para entregar a Menção Honrosa de Ensaio Nacional de Animação)

  • Corte (Afonso Rapazote e Bernardo Rapazote) – Prémio da Federação Portuguesa de Cineclubes para Melhor Ensaio Nacional

“A decisão da atribuição deste prémio é unânime pelos membros do júri. A curta-metragem “Corte” destacou-se pelo seu tema, universo, diálogos, casting, sonoplastia e figurinos. A singularidade do filme aporta uma voz autoral fresca, original. Sublinhamos a depurada ‘mise en scène’ e a coerência do seu sistema narrativo e estético, em diálogo com grandes obras da história do cinema, como “La Prise du pouvoir par Louis XIV”, de Rossellini” (Justificativa apresentada pelo Júri Ensaios para entregar o Prémio de Melhor Ensaio Nacional)

  • O Cordeiro de Deus (David Pinheiro Vicente) – Melhor Atriz Secundária e Melhor Caracterização

“Num mundo de sombras, o desempenho de Carla Galvão é luminoso” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio de Melhor Atriz Secundária)

“Uma grande coerência entre a expressividade da caracterização e o ambiente dramático ficcional” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio de Melhor Caracterização)

“O realizador mostra carinho e afeto pelas suas personagens, particularmente o protagonista. “Catavento”, através de uma escrita cuidada e calorosa, comunica eficazmente a incerteza sentida por um jovem numa encruzilhada, quando sente que tem “demasiadas escolhas” sobre o que fazer com a sua vida” (Justificativa apresentada pelo Júri da Federação Internacional de Cineclubes para a sua Menção Honrosa)

 

17 de dezembro, Estúdio 2 das Galerias Avenida
20h30 | Reposições
  • Lascas (Natália Azevedo Andrade)

“A mundividência e estética de “Lascas” surpreendeu de imediato todos os membros do júri. Contendo laivos surrealistas, a narrativa mantém um minimalismo que permite aos sentidos a sua fruição estética. Admirável é também a construção narrativa e o diálogo com tradições pictóricas extra-“ocidentais”” (Justificativa apresentada pelo Júri Ensaios para entregar a Menção Honrosa de Ensaio Internacional)

  • Mesa (João Fazenda) – Melhor Banda Sonora Original e Melhor Cartaz

“Entre copos, pratos e convivas, a música de Philippe Lenzini estende uma toalha de sons e melodias que gera uma maior partilha em torno da “Mesa”” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio de Melhor Banda Sonora Original)

“Quem vê o cartaz de João Fazenda começa de imediato a ver o filme” (Justificativa apresentada pelo Júri Caminhos para entregar o Prémio de Melhor Cartaz)

  • O Presidente Veste Nada (Clara Borges e Diana Agar) – Prémio da Federação Portuguesa de Cineclubes para Melhor Ensaio Nacional de Animação

“Saudamos a inventividade com que “O Presidente Veste Nada” figura os processos de trabalho numa fábrica têxtil através das ferramentas do cinema de animação. O filme vai além das convenções de género ao intercalar elementos do cinema de animação com elementos do cinema documental” (Justificativa apresentada pelo Júri Ensaios para entregar o Prémio de Melhor Ensaio Nacional de Animação)

“Um notável exercício de criação artística a vários níveis. Da sensibilidade estética visual ao pormenorizado trabalho de criação e edição sonora – não fosse o som a temática central do filme – passando pela relevância de que se reveste ao apontar a temáticas que não vemos ser abordadas regularmente. Tem, por isso, o potencial de despertar a curiosidade e interesse do público para os fenómenos invisíveis associados ao som, e a sua centralidade à experiência humana, que por vezes é tão subtil que se torna difícil de registar e analisar. Soa faz esse trabalho de registo e análise desses fenómenos, problematiza-os, e lança sementes de uma discussão que é habitualmente relegada para segundo plano.”
– Júri Outros Olhares

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