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O domingo do Festival Caminhos do Cinema Português propõe uma viagem pelo cinema sul-americano e africano. A Casa do Cinema de Coimbra exibe, de tarde, “A terra segue azul quando saio do trabalho”, do brasileiro Sérgio Silva, “Umukulu”, do angolano Nuno Barreto, e “Avó Dezanove e o Segredo do Soviético”, do moçambicano João Ribeiro.
Na secção Filmes do Mundo, é possível assistir “Otonashi”, do alemão Martin Gerigk, e “As Mil e Uma”, da argentina Clarissa Navas. À noite, é a vez da secção Outros Olhares, com a exibição de “O Ofício da Ilusão”, de Cláudia Varejão, “Timkat”, de Ico Costa, “Mulher como Árvore”, de Flávio Ferreira, Helder Faria, Alejandro Vazquez, Carmen Tortosa e Daniela Cajías, “Mudança”, de Welket Bungué, e “Diálogo de Sombras”, de Júlio Alves.2
A noite é e sempre será associada à escuridão, à penumbra, ao medo e ao proibido. É através desta simbologia que é apresentado a mostra paralela do Turno da Noite onde expomos e damos a conhecer um lado do cinema que não serve para deixar o espectador indiferente. Muito pelo contrário serve para o estremecer seja de susto seja de sensualidade.
O Turno da Noite este ano traz três sessões diferentes onde o cinema explicito tem a missão de chocar o espectador. Nesta mostra paralela, que decorrerá sempre de madrugada, são mostrados filmes de terror que vêm expor diferentes temáticas desde as mais atuais àquelas que são consideradas intemporais, nunca deixando de agitar e arrepiar quem a elas for assistir. Serão ainda mostrados filmes explícitos onde o erotismo é tomado como papel principal e onde serão ainda quebradas barreiras mostrando-se uma sexualidade polivalente e deixando a heteronormatividade de lado para mostrar que há muito mais para além disso.
É nesta mostra que o cinema mais arrojado, sem medos, nem amarras, encontra espaço, criando uma reação imediata entre o que se vê e quem o vê.
Temos vindo a assistir gradualmente ao fenómeno da globalização, e com ele tantas barreiras têm vindo a ser quebradas. O cinema desempenha um papel importante neste processo e é com ele que pouco e pouco podemos ver, conhecer e compreender melhor um mundo que nos é fisicamente tão distante. Com esta mostra de Filmes do Mundo pretendemos que não só o espectador, seja ele o mais acérrimo cinéfilo ou um estreante no mundo cinematográfico, contemple e conheça um pouco daquilo que se tem feito na 7ª arte, viajando por 4 continentes diferentes: a Ásia, a Europa, a África e a América, mas também que se confronte e se exponha a diferentes culturas que coabitam com a nossa própria.
Esta mostra apresenta uma programação, que embora provenha de quatro cantos diferentes do mundo, se mostra transversal a ele próprio. Foca-se assim em diferentes áreas temáticas mostrando uma sociedade precária onde habita a pobreza, o medo e o envelhecimento, mas também onde reside o progresso e a quebra de barreiras sociais expondo um mundo, por vezes estranho, que se confronta com uma nova era onde a tolerância impera.
Ao longo dos anos, temos salientado que é essencial a descentralização cultural, que é igualmente necessário criar as condições de fruição e acesso cultural em todo o território, promovendo iniciativas que não se cingem à cidade de Coimbra, à Região Centro, e que passam por levar o cinema português mais além. Consideramos igualmente que a programação de cinema português deve estar acessível ao longo do ano, disponibilizada aos diferentes públicos que anualmente nos acompanham por ocasião dos Caminhos do Cinema Português, uma oportunidade de o ter sempre junto a si. Este ano, através do projeto Casa do Cinema de Coimbra, iniciamos uma nova forma de estar presente na cidade, com programação regular, ressuscitando um espaço e abrindo-o de novo à fruição cultural, e à sua vocação original que é o cinema.
As Sessões Especiais trazem um conjunto de filmes portugueses lançados ao longo do último ano que, não estando em competição, demonstram grande qualidade e relevo no panorama cinematográfico atual. As sessões decorrerão na Casa do Cinema de Coimbra nos dias 03, 22, 23, 25, 26, 27, 29 e 30 de novembro, sempre às 21h45.
A Seleção Ensaios debruça-se, como é seu apanágio, no que de melhor se fez em contexto académico no último ano.
Será curioso observar a crescente preocupação dos estudantes de cinema por temas abertamente políticos, como o crescimento da nova extrema-direita ou as alterações climáticas e as suas consequências potencialmente catastróficas.
O contexto de produção dos filmes apresentados nesta Seleção, devido às contingências dos últimos dois anos, é também um motivo de especial interesse: constata-se que os jovens autores, sejam nacionais ou internacionais, encontraram soluções equilibradas e esteticamente interessantes, absorvendo as dificuldades em novas soluções narrativas, em novas ideias de Cinema.
Nota também para a presença, pela primeira vez, de três filmes realizados por estudantes de Coimbra, consequência do crescimento da atividade cinematográfica, a todos os níveis, na cidade. Numa altura em que os jovens reclamam mais presença no locais de decisão, a Seleção Ensaios é uma boa oportunidade para ouvir a sua voz.
A aproximação a um público mais jovem é essencial para o cinema português, pelo que pretendemos, desta forma, dar a conhecer os Caminhos Juniores, que reúnem diversas sessões de cinema pensadas para os diferentes níveis de ensino, respeitando o crescimento individual e intelectual de cada criança e/ou jovem, e proporcionando-lhe uma experiência cinematográfica que vá ao encontro das suas expectativas, mas que seja, ao mesmo tempo, desafiante.
O Festival Caminhos do Cinema Português abriga numa das suas mostras uma seleção dedicada ao cinema produzida pela comunidade lusófona.
Num ano marcado pelas inúmeras dificuldades decorrentes da pandemia, que atingiu o sector cultural com imensa força, encontram-se entre as selecionadas, produções, cuja riqueza e variedade, enaltecem a cultura dos países de língua portuguesa, trazendo à luz, sejam personagens de histórica importância ou gente simples, do povo, documentários com poder de denúncia ou ficções, histórias originais, histórias adaptadas de autores consagrados, animações, um festim não só para os assumidamente cinéfilos, senão que também um convite ao conhecimento do movimento cinematográfico que existe na comunidade que partilha a maior das identidades: a língua portuguesa como espaço simbólico de identificação nos processos socioculturais e históricos abordados nas películas.







