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Casa do Cinema de Coimbra evoca centenário de Camilo Pessanha com exibição de «Pe San Ié — O Poeta de Macau»

A Casa do Cinema de Coimbra assinala o centenário da morte de Camilo Pessanha com uma sessão especial do documentário «Pe San Ié – O Poeta de Macau», de Rosa Coutinho Cabral, na quarta-feira, 23 de setembro, às 19h00. A realizadora estará presente, em conversa com o Prof. António Apolinário Lourenço, investigador e membro da Comissão Organizadora do Centenário da Morte de Camilo Pessanha.

Rodado entre Macau e Portugal, o filme é um ensaio cinematográfico sobre o exílio voluntário do poeta no antigo enclave português no Extremo Oriente. «Pe San Ié» é a expressão cantonense usada para designar o homem que se exilou e escolheu morrer longe do lugar a que pertencia, título que a própria realizadora escolheu para descrever esse percurso. «Este filme tem que ser uma espécie de fantasmagoria, que traz um Pessanha novo», disse Rosa Coutinho Cabral sobre o processo de criação da obra, distinguida com o Prémio de Melhor Banda Sonora no Innuendo International Film Festival, em 2019.

É precisamente esse Pessanha, ainda por descobrir para muitos, que a sessão procura recuperar. Nascido em Coimbra a 7 de setembro de 1867, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra antes de partir para Macau, onde foi professor de filosofia, conservador do Registo Predial e, temporariamente, juiz. Viveu ali cerca de 30 anos, até à morte, a 1 de março de 1926, ficando sepultado no Cemitério de São Miguel Arcanjo. É hoje considerado o poeta mais representativo da estética simbolista em Portugal, autor de «Clepsidra», o único livro que publicou em vida e uma referência determinante para nomes como Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Eugénio de Andrade ou Carlos de Oliveira. Ainda assim, segundo António Apolinário Lourenço, a sua obra «desapareceu» dos programas do ensino secundário nos últimos anos, uma ausência que compromete a compreensão da linha de continuidade entre poetas como Antero de Quental e Fernando Pessoa.

Rosa Coutinho Cabral (Ponta Delgada, 1956) é realizadora, argumentista e encenadora, licenciada em cinema pela Escola de Cinema do Conservatório Nacional. Dirigiu longas-metragens como «Serenidade», «Cães Sem Coleira», «Lavado em Lágrimas» e «Coração Negro», este último distinguido com o Prémio de Melhor Realizadora no Krajina Film Festival, na Bósnia, e com o Prémio do Público no festival Caminhos do Cinema Português, ambos em 2017. É também autora dos documentários «Arrivederci Macau», sobre o arquitecto Manuel Vicente, e, mais recentemente, «A Mulher que Morreu de Pé», sobre a escritora Natália Correia.

À conversa com a realizadora estará António Apolinário Lourenço, professor aposentado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde dirigiu o Instituto de Estudos Espanhóis e coordenou a respectiva secção na Faculdade. Integra a Comissão Executiva do Centro de Literatura Portuguesa desde a sua fundação e tem sido um dos principais responsáveis pela organização das comemorações do centenário, que incluíram o Congresso Internacional «Pairo na luz, suspenso…», realizado em maio de 2026 na Faculdade de Letras e na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e uma exposição bibliográfica dedicada ao poeta na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.


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