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Cerimónia de Encerramento: “Estar aqui é um ato de ativismo”

Entre o desabafo do cineasta José Barahona que afirmava que “isto com rock’n’roll é ainda melhor” e a subida triunfal a palco do ator Ruben Garcia que, num salto, galgou o fosso da orquestra, a Cerimónia de Encerramento da XXVI Edição do Festival Caminhos premiou o melhor da cinematografia nacional.

Listen” (Ana Rocha) foi a película mais premiada, tendo arrecadado quatro distinções: Melhor Realizadora, Melhor Atriz, Melhor Ator Secundário e Prémio do Público. “Este é o primeiro prémio que recebo no meu país”, declarou a cineasta de forma emotiva, acrescentando que esta era também a primeira vez que via o seu trabalho enquanto realizadora ser distinguido em Portugal. Perto do fim da cerimónia, a cineasta viria ainda a subir a palco para receber o Prémio do Público. Confessou que esta condecoração tinha um sabor especial por ser a vontade de “fazer filmes de pessoas para pessoas” aquilo que a move.

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Ana Rocha – “Este é o primeiro prémio que recebo enquanto realizadora no meu país”.

Com três prémios (Melhor Ficção, Melhor Ator e Melhor Direção Artística), “Patrick” (Gonçalo Waddington) subiu ao pódio dos filmes mais aclamados pelos jurados. Este foi também o caso de “Amor Fati” (Cláudia Varejão) – favorito do Júri de Imprensa e reconhecido em duas categorias técnico-artísticas (Melhor Montagem e Melhor Som). A propósito destas últimas, Cláudia Varejão relembrou que, “mais do que técnico, este tipo de prémios é sobretudo autoral, na medida em que a gramática narrativa se constrói fundamentalmente no trabalho de edição”.

Mas, tendo recebido o Grande Prémio do Festival e o Prémio D. Quijote, foi a longa-metragem “O Fim do Mundo” (Basil da Cunha) quem conquistou o epíteto de grande vencedora desta edição. O cineasta luso-suíço agradeceu a condecoração e, em particular, as palavras escolhidas pelo júri para justificar a escolha. “Ouvir que a reflexão promovida pelo filme continua mesmo depois de os créditos terminarem é dos mais belos elogios que um realizador pode receber”, admitiu.

 

Da luminosidade dos desempenhos à sobriedade quotidiana dos guarda-roupas

Ao contabilizar o número de prémios arrecadados por cada trabalho, “Mesa” (João Fazenda), “Noite Perpétua” (Pedro Peralta) e “O Cordeiro de Deus” (David Pinheiro Vicente) ombreiam com “O Fim do Mundo”, tendo recebido dois prémios cada. 

Da curta-metragem “O Cordeiro de Deus” salientou-se a caracterização e o “desempenho luminoso” de Carla Galvão, atriz secundária do filme. De “Noite Perpétua” foram a fotografia e o argumento original a merecer os elogios do júri e, finalmente, em “Mesa”, destacaram-se a banda sonora original e o arranjo gráfico do ‘poster’. Distinguido pelo “Melhor Cartaz”, o realizador desta última curta brincou mesmo que “nem sabia bem da existência da categoria”, resultando o prémio numa “agradável surpresa”.

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Entre os premiados da Seleção Caminhos contaram-se ainda “Assim mas sem ser assim” (Pedro Brito), pelo argumento adaptado de um conto de Afonso Cruz, e “Surdina”, em virtude do guarda-roupa de uma “sobriedade quotidiana”.

 

Revelação, Animação, Documentário e Curta-Metragem

Moço” valeu a Bernardo Lopes o Prémio Revelação e deixou, no júri, a vontade de ver o jovem cineasta lançar-se numa “futura longa-metragem”. Já as películas “Maré” e “Nheengatu” fizeram com que Joana Rosa Bragança e José Barahona fossem agraciados com as distinções de Melhor Animação e Documentário, respetivamente.

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“Gratidão” foi a palavra mais vezes repetida pela jovem ilustradora Joana Rosa Bragança, um sentimento que se justifica pelo facto de “Maré” marcar a sua estreia no cinema de animação e por “este ser o primeiro prémio a reconhecê-lo”. Por seu lado, José Barahona recordou a edição de 2005 do Caminhos – ano em que uma curta-metragem o havia feito subir ao palco que, neste atípico 2020, voltava a pisar.

Bustarenga” (Ana Maria Gomes) sagrou-se Melhor Curta-Metragem.

 

“Estar aqui é um ato de ativismo”

Ainda que a Seleção Caminhos seja a principal secção competitiva do Festival, foram as Seleções Outros Olhares e Ensaios quem inaugurou a atribuição de prémios. Enquanto condecorava Raquel Castro pelo Melhor Filme da Seleção Outros Olhares, Emanuel Botelho elogiava “o alinhamento das sessões e a qualidade dos filmes a concurso”. A realizadora de “Soa” classificou a cerimónia (e todo o Festival) como “um ato de ativismo” – consideração que foi ao encontro dos discursos proferidos pela Comissão de Honra deste ano.

Suzana Menezes – É preciso que o público não desista, porque os artistas também não desistiram pesem embora todas as dificuldades“.

“Orgulho, liberdade e coragem” foram mesmo as palavras escolhidas pela diretora regional de Cultura do Centro, Suzana Menezes, para fazer um balanço desta XXVI Edição. “É preciso que o público não desista, porque os artistas não desistiram”, frisou ainda. Também a presidente da Federação Portuguesa de Cineclubes, Leonor Pires, lamentou o facto de, “no meio da pandemia, a cultura ter sido um dos setores mais esquecidos” – intervenção complementada pela diretora-adjunta do Teatro Académico de Gil Vicente, Luísa Lopes, que salientou o facto de “um festival de cinema dever fazer-se em sala, frente a um grande ecrã”. Coube, por fim, ao vice-reitor Delfim Leão encerrar os discursos da Comissão de Honra, salientando não só a própria produção artística como também a investigação que lhe subjaz e que é pelo Caminhos celebrada.

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Copacabana Madureira” (Leonardo Martinelli), “O Presidente Veste Nada” (Clara Borges e Diana Agar) e “Corte” (Afonso e Bernardo Rapazote) foram os filmes realizados em contexto académico / de formação que, na Seleção Ensaios, se distinguiram como Melhor Ensaio Internacional, Nacional de Animação e Nacional.