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Secções Paralelas dos Caminhos promovem o debate e o cinema português

A XXIV edição do Festival Caminhos do Cinema Português decorreu entre os dias 23 de novembro a 1 de dezembro. Para além das sessões principais do festival, os cinéfilos contaram com um Simpósio Internacional. Várias Secções Paralelas como Caminhos Juniores, Juvenis e Seniores no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), um olhar sobre o cinema mundial, a nova secção “Outros Olhares” e ainda três MasterSessions.

Nos dias 23 e 24 de novembro, decorreu o V Simpósio Fusões do Cinema Português em São João da Madeira. O Museu da Chapelaria foi palco da apresentação e debate das perspetivas sobre as Fusões das Artes no cinema, tendo em conta o prisma dos estudos dos média, tecnologia e educação. Esta atividade de cariz científico foi co-organizada pelos Caminhos do Cinema Português e pela Unidade de Desenvolvimento dos Centros Locais de Aprendizagem (UMCLA) da Universidade Aberta. O Simpósio apresentou no seu programa especialistas nacionais e internacionais em vários painéis temáticos, da educação à análise artística por meio do cinema. Contou com a participação de mais de 90 conferencistas.

Ao longo da semana, decorreram as sessões juniores, juvenis e seniores promovendo o cinema português junto de “miúdos e graúdos” . Os educadores e professores das crianças acreditam que a mensagem passada pelos filmes é útil e “os miúdos adoram”. Os mais novos tiveram a oportunidade de experienciar uma ida ao cinema, numa sessão especialmente pensada para eles, entre 25 de novembro a 1 de dezembro às 10h, para que estes pudessem ter contacto com filmes como Candy Island, produzido pelo Agrupamento de escolas Dr. Mário Fonseca – Nogueira e Casa Museu de Vilar, The Blue Butterfly, produzido pela Associação Instantes Mutantes e Casa Museu de Vilar ou O Zé Pimpão, o Acelera, de André Letria, produzido por Animanostra, num ecrã gigante. Complementarmente às sessões de cinema os Caminhos Juniores procuram que esta seja uma actividade que perdure em contexto pedagógico oferecendo um caderno de actividades pedagógicas em torno da programação.

Os Caminhos procuram oferecer na sua programação uma componente cultural, social e de integração na sociedade para todos os grupos etários e sociais. Pensada especialmente para os seniores foi promovida uma sessão com os filmes “Descobrindo a Variável Perfeita” de Rafael Almeida e “Soldado Milhões” de Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa. O encontro entre o cinema jovem e a nossa história que nesta sessão contou com a participação e apresentação filmes pelos seus criadores, nomeadamente os realizadores Rafael Almeida e Gonçalo Galvão Teles.

Olhando a uma promoção do cinema português junto de todos os grupos etários e olhando à sua importância enquanto ferramenta pedagógica, as sessões da tarde  tiveram um direcionamento para o público juvenil. Obras como O Homem-Pykante, de Edgar Pêra, a Aparição, de Fernando Vendrell, Peregrinação de João Botelho e Pedro e Inês, de António Ferreira, foram incluídas nestas sessões que permitiram aproximar o cinema nacional dos seus públicos, olhando-o além da vertente lúdica, mas como um instrumento vivo que traz à luz contemporânea a cultura literária portuguesa.

Enquanto espaços dedicados ao debate do cinema e dos estudos cinematográficos foram organizadas três MasterSessions; A representação da crise no cinema português nos festivais de cinema europeus”, “Novas Propostas Formais no Cinema Contemporâneo” e “O valor de uma marca do/no Cinema Português”. Co-organizadas pelo Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas da Universidade de Coimbra (LIPA/UC), decorreram, respetivamente, nos dias 26, 28 e 30 de novembro, às 18h, na Sala de Carvão, com a moderação de Sérgio Dias Branco, professor auxiliar de Estudos Fílmicos da Universidade de Coimbra. Estas sessões complementam o papel de formação crítica e intelectual sobre o cinema nacional que os Caminhos promovem. Procura-se acima de tudo o confronto de ideias, pela participação de oradores de diferentes atividades e setores, para chegar a novas conclusões e novos caminhos para o nosso cinema.  

A representação da crise no cinema português nos festivais de cinema europeus” foi o tema que inaugurou estas sessões, a 26 de novembro. À conversa estiveram Paulo Cunha, investigador e programador, Filipa Reis, diretora de cinema, e Saúl Rafael, responsável pela equipa de Marketing cinematográfico na NOS Lusomundo Audiovisuais. Foram discutidas possíveis soluções para uma maior dinamização e criação de uma indústria do cinema nacional. Mais distribuidores da arte cinematográfica e a elaboração de uma estratégia a longo prazo foram os pontos fulcrais da discussão. Na opinião dos oradores o principal problema do cinema português é a falta de investimento e de pessoas que, segundo Filipa Reis, “tenham a ousadia de investir”.

Alexandre Oliveira, produtor de cinema, Fausto Cruchinho Pereira, Doutor em Estudos Artísticos com especialização em Estudos Fílmicos e da Imagem e Ana Isabel Soares, professora na Universidade do Algarve foram os oradores, no dia 28 de novembro e debateram acerca das “Novas Propostas Formais no Cinema Contemporâneo”. Uma das conclusões da discussão foi que o espetador experimental é cada vez menos frequente nesta era de ubiquidade digital face à disponibilidade constante dos meios multimédia no nosso quotidiano. Será necessário estar predisposto a experimentar, sentir e assistir a novas formas narrativas e com isso se deixar levar pelas camadas sensoriais oferecidas pelo cinema contemporâneo.  

Por último, no dia 30 de novembro, a temática “O valor de uma marca do/no Cinema Português” foi levada a discussão por Edson Athayde, CEO e Diretor Criativo Executivo da FCB Lisboa, Jorge Pelicano, realizador e produtor, e Luís Filipe Menezes, Vice-Reitor da Universidade de Coimbra para a Cultura e Turismo. O objetivo inicial era encontrar um motivo condutor para a produção nacional nesta era em que o governo aposta no país como um centro de acolhimento para produções internacionais, bem como se procuram diversificar as co-produções internacionais, em especial de orçamento superior ao praticado na “indústria nacional”. Encontrou-se pela discussão antes de que forma é possível valorizar o nosso cinema e como é que a produção portuguesa é possível através do conjunto de medidas, acções e acima de tudo promoção junto dos espetadores da cultura nacional.

Ana Sofia Neto e Mélanie Fernandes