Apresentação do Filme O Cerco

À semelhança de Eduardo Geada que pediu aos Caminhos uma breve a presentação de “Sofia e a Educação Sexual”, filme que abriu o ‘Programa Cinema Novo’, também António da Cunha Telles nos sugeriu uma breve contextualização do seu O Cerco que exibiremos hoje, o 4º deste ciclo de cinco filmes emblemáticos do movimento iniciado nos anos 60 e que mudou definitivamente a imagem do cinema português, expondo-o aos olhos do mundo.
Cunha Telles é um caso curioso no panorama dos cineastas que deram corpo ao movimento.Oriundo da Madeira, onde começou a fazer cinema como amador, ainda em 9,5 milímetros, o formato criado pela Pathé francesa e que levaria a Kodak a lançar o 16 mm, veio para o continente integrar o grupo de pioneiros da RTP, o que lhe facultou o acesso a uma bolsa de estudo em Paris.
Estudou no I.H.D.E.C., Institute d’Hautes Études Cinématographiques de Paris, onde cursou realização a montagem, acabando por tirar uma licenciatura na Sorbonne e um curso de audiovisuais em St. Clois. Durante a permanência em Paris viveu praticamente na Cinemateca Francesa, bebendo o clima de euforia que caracterizavas a cinefilia à época.
De regresso a Portugal, estreou-se produzido filmes como Domingo à Tarde e Verdes Anos, ambos de Paulo Rocha e este último responsável pela revelação ao mundo da figura incontornável de Carlos Paredes (autor da banda musical), Katembe de Faria de Almeida que sofreria 60 cortes da censura e nunca foi exibido, estreando-se aqui no TAGV no próximo dia 27, com a presença do realizador e da mentora desta restauração Carmo Piçarra, e Belarmino de Fernando Lopes que amanhã encerra o ciclo.
Em finais dos anos 60, acabado o dinheiro para a produção, decidiu passar à realização com O Cerco, alvo de boicote no nosso país e enfim seleccionado para a “Semana da Crítica de Cannes”, sendo objecto dum extenso trabalho no “Le Monde”, colocando a actriz Maria Cabral na capa da revista “Elle” e sendo referida pela “Variety” norte-americana como “a futura grande actriz do cinema europeu”. Entre nós, o filme foi exibido 3 meses no Cinema Império, em 3 sessões diárias, tendo merecido ao crítico Lauro António a afirmação “O Cerco é o filme que eu gostaria de ter feito.”
O filme foi feito por 6 pessoas, quase sem dinheiro, com película fora de prazo paga a 1$00 por metro, cada actor recebeu o cachet simbólico de 10.000$00 e até o chefe-maquinista fez de actor principal. Mas, acima de tudo, O Cerco ficaria para a história pelo rosto sardento de Maria Cabral, pela extrema suavidade da película fora de prazo, pelo tratamento sensível dado às personagens, tema que mais prende o realizador, como voltaria a suceder décadas volvidas quando fez dum modelo chamado Marisa Cruz, a diva de Kiss Me.
À semelhança de Eduardo Geada que pediu aos Caminhos uma breve apresentação de Sofia e a Educação Sexual, filme que abriu o ‘Programa Cinema Novo’, também António da Cunha Telles nos sugeriu uma breve contextualização do seu O Cerco que exibiremos hoje, o quarto deste ciclo de cinco filmes emblemáticos do movimento iniciado nos anos 60 e que mudou definitivamente a imagem do cinema português, expondo-o aos olhos do mundo. Cunha Telles é um caso curioso no panorama dos cineastas que deram corpo ao movimento.Oriundo da Madeira, onde começou a fazer cinema como amador, ainda em 9,5 milímetros, o formato criado pela Pathé francesa e que levaria a Kodak a lançar o 16 mm, veio para o continente integrar o grupo de pioneiros da RTP, o que lhe facultou o acesso a uma bolsa de estudo em Paris.
Estudou no I.H.D.E.C., Institute d’Hautes Études Cinématographiques de Paris, onde cursou realização a montagem, acabando por tirar uma licenciatura na Sorbonne e um curso de audiovisuais em St. Clois. Durante a permanência em Paris viveu praticamente na Cinemateca Francesa, bebendo o clima de euforia que caracterizavas a cinefilia à época.
De regresso a Portugal, estreou-se produzido filmes como Domingo à Tarde e Verdes Anos, ambos de Paulo Rocha e este último responsável pela revelação ao mundo da figura incontornável de Carlos Paredes (autor da banda musical), Katembe de Faria de Almeida que sofreria 60 cortes da censura e nunca foi exibido, estreando-se aqui no TAGV no próximo dia 27, com a presença do realizador e da mentora desta restauração Carmo Piçarra, e Belarmino de Fernando Lopes que amanhã encerra o ciclo.
Em finais dos anos 60, acabado o dinheiro para a produção, decidiu passar à realização com O Cerco, alvo de boicote no nosso país e enfim seleccionado para a “Semana da Crítica de Cannes”, sendo objecto dum extenso trabalho no “Le Monde”, colocando a actriz Maria Cabral na capa da revista “Elle” e sendo referida pela “Variety” norte-americana como “a futura grande actriz do cinema europeu”. Entre nós, o filme foi exibido 3 meses no Cinema Império, em 3 sessões diárias, tendo merecido ao crítico Lauro António a afirmação “O Cerco é o filme que eu gostaria de ter feito.” 
O filme foi feito por 6 pessoas, quase sem dinheiro, com película fora de prazo paga a 1$00 por metro, cada actor recebeu o cachet simbólico de 10.000$00 e até o chefe-maquinista fez de actor principal. Mas, acima de tudo, O Cerco ficaria para a história pelo rosto sardento de Maria Cabral, pela extrema suavidade da película fora de prazo, pelo tratamento sensível dado às personagens, tema que mais prende o realizador, como voltaria a suceder décadas volvidas quando fez dum modelo chamado Marisa Cruz, a diva de Kiss Me.

 

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Crónica “Queremos o Cinema! Dêem-nos o Cinema!”

Em 1995, ano em que o Cinema completou um século de vida, os ‘Cahiers du Cinéma’ publicaram uma entrevista feita a Federico Fellini que terminava questionando-o sobre a sobrevivência do cinema e cuja resposta foi “Um dia, as pessoas vão-se cansar da luz bruxuleante da televisão, desligarão os receptores, sairão à rua em magotes e erguerão os braços clamando defronte dos cinemas encerrados ‘Queremos o Cinema! Dêem-nos o Cinema!’.

Na noite do passado domingo, na Cerimónia de Abertura dos Caminhos do Cinema Português, a multidão que encheu literalmente a sala do TAGV para ver uma curta e uma longa realizadas por cineastas conimbricenses deu razão ao mestre e também a Godard, quando afirmou que “a televisão está para o esquecimento, como o cinema para a memória”.
Deu também uma grande alegria ao presidente da Direcção do ICA, José Pedro Ribeiro, que momentos antes durante o jantar referia “já ganhámos a batalha do cinema, falta só ganharmos a do público”.

Mas acima de tudo, gratificou duma forma generosa e ostensiva a equipa que, ano após ano, transforma Coimbra, cidade da Cultura, ma capital do Cinema Português, trazendo ao TAGV e ao, recuperado Theatrix, cerca de 170 filmes, desde os 67 da Secção Competitiva, aos exibidos nos Ensaios Visuais (trabalhos realizados pelos alunos das escolas de cinema), passando pelos Caminhos do Cinema Europeu, este ano dedicados à rica cinematografia turca, animações para os mais jovens nos Caminhos Juniores e Retrospectiva Cinema Novo, 5 obras escolhidas a dedo de entre os filmes mais emblemáticos do movimento que mudou o cinema português o projectou no mundo.
Até dia 23, oportunidade de ver muito e, acima de tudo, bom cinema, convivendo em torno dele e da música nas After Parties do Theatrix, diariamente a partir da meia-noite e meia. Desde dia 14 e até terça-feira, a Festa do Cinema Português, é em Coimbra, nos XVII Caminhos do Cinema Português.

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Crónica Abertura

– Crónica de Opinião –

Em 2010 abrem-se as portas para os Caminhos do Cinema Português com chave de ouro. Isto pois a noite de abertura do festival contará com a exibição do filme “Embargo”, produção maioritariamente feita na cidade de Coimbra, onde o festival se realiza anualmente. O novo trabalho de António Ferreira, que já nos presenteou com obras como “Respirar (Debaixo de Água)” (que também terá uma exibição especial no último dia do festival) e “Esquece Tudo o que te Disse”, é não só prova evidente do vasto contributo que a capital dos estudantes pode providenciar ao cinema nacional, mas também um excelente fruto criativo da ficção cinematográfica portuguesa actual.

A trama, adaptada de um conto de José Saramago, aborda a história de Nuno, o inventor de uma máquina que promete revolucionar a indústria do calçado e que, na véspera de um encontro de negócios crucial para o seu futuro, vê-se numa situação algo carismática (e surreal) que firma-se como obstáculo ao futuro que deseja para si e a sua família, num futuro afligido por uma crise marcada pela escassez de gasolina.

O filme, que muitos já classificaram como uma homenagem às comédias dos irmãos Coen e louvaram como uma das melhores adaptações dos escritos de José Saramago, acaba por ser muito mais que isso, pois desafia classificações e/ou géneros (nos tempos que correm, em que a falta de originalidade da sétima arte começa a ser palpável, tal é notável) e evoca um mundo pós-apocalíptico, em que a sátira e a criatividade andam de mãos dadas a mil à hora. Ao abordar uma visão algo metafórica da sociedade, mas com os pés assentes na cultura mundana portuguesa, o argumento da autoria de Tiago Sousa consegue criar e desenvolver um mundo próprio do conto original de Saramago em que se baseia.

Nesse cenário, é narrada uma história em que o desejo do homem comum de conseguir uma vida melhor é o centro fulcral de uma comédia dramática que consegue capturar até mesmo o mais desinteressado dos públicos. Tal deve-se à realização de António Ferreira, que envereda por um estilo visual bastante único no cinema nacional, embora mantendo um ambiente acessível a todos. O timing cómico e o ritmo narrativo presentes em “Embargo” são impecáveis e reveladores de um teor criativo bastante pessoal, que demonstra um artesão do cinema nacional em clara ascensão. Destaque também merecido ao elenco de actores, sucinto mas competente, que conferem emoção e suscitam empatia às personagens que encarnam e ao mundo que retratam. Sobretudo o actor Filipe Costa, que retrata na perfeição o protagonista, enquanto herói tragicamente afligido pelo mundo em crise que o rodeia. Por último, é de se louvar a banda sonora (da autoria de Luís Pedro Madeira) que confere um tom próprio ao filme.

Por mais que se possa falar do filme “Embargo” (e, de facto, a quantidade de pormenores que o filme comporta fornece papel onde se podem redigir várias opiniões e/ou debates) o bom mesmo será experienciar o filme numa sala própria de cinema e já que não se encontra mais em exibição nas salas comerciais (depois de várias semanas em que afluíram bastantes espectadores), é de se aproveitar a exibição de hoje à noite no TAGV para ver (ou rever) um dos grandes projectos do cinema nacional deste ano.

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Está quase!

 

A partir de amanhã não perca todo o cinema francês em Coimbra. Upsst! É o de cinema português que falamos! Com mais de 60 filmes em competição na selecção oficial, 25 em competição nos ensaios visuais! Mas muito mais, não perca as nossas formações e as conferências, bem como as sessões de cinema europeu no Theatrix Coimbra, ou ainda a retrospectiva de Cinema Novo. Para quem conseguir aguentar o dia,  e ainda tiver forças não se esqueça que pode queimar energia nas nossas afterparties.

 

Para já dê uma olhadela no Catálogo do Festival, e esteja a par de todas as novidades!

 

Capa Catalogo

 

 

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Workshops Info

Informamos que os Workshops de Edição de Imagem, Cinematografia em Cinema Digital e Produção e Realização Vídeo se encontram praticamente esgotados. Pelo que a quem se inscreveu recomendamos o pagamento o quanto antes possível e caso o mesmo seja efectuado por transferência bancária ou vale postal, procedam ao envio do comprovativo  de forma a finalizar a inscrição.

Aproveitamos a ocasião para informar que a pré-inscrição sem pagamento não garante a reserva do lugar a partir do momento em que as vagas se encontram em vias de esgotar, pelo que qualquer nova inscrição que seja liquidada, se torna efectiva de imediato. Aproveitamos igualmente para informar que as Salas/Locais de Formação já se encontram definidos.
Relembramos que a Inscrição em qualquer Acção de Formação garante ao formando o acesso a todas as sessões do festival sem quaisquer custos, mediante apresentação de credencial e troca pelos correspondentes ingressos nas salas onde se realizam as exibições cinematográficas.

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Alguns números…

Secção Competitiva

Longas-metragens 749′
Curtas-metragens 391’41”
Documentários 814′
Animações 159’45”

Ensaios Visuais – 387’10”
Caminhos Juniores 59′ x 7 dias
Cinema Europeu 691′

Conferências 2
Workshops 5
19 Bandas, Artistas e DJs

Evento Inédito – A Jigsaw musicam Respirar (Debaixo de Água) de António Ferreira

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Cinema Novo ao Contemporâneo

Dia 17 – Quarta-feira
18h TAGV – Foyer
1. Do Cinema Novo ao Cinema Contemporâneo Português

Moderador: Paulo Jorge Granja
Conferencistas:
Paulo Cunha e Daniel Ribas

Do Novo Cinema à Escola Portuguesa
Ao longo da década de 60, uma nova geração cinéfila formada nas principais escolas de cinema europeus, promoveram uma revolução cinematográfica em Portugal. Rejeitando a herança do passado cinematográfico português (com a excepção de Manoel de Oliveira), esta geração reivindicava uma filiação estética no cinema moderno europeu. Garantindo progressivamente o controlo da crítica, da realização, da produção e do ensino de cinema, esta geração promoveu uma (re)invenção do cinema português mesmo antes da revolução política e social de Abril de 1974.No final dos anos 70 e inícios dos anos 80, algumas obras de autores como Manoel de Oliveira, António Reis, João César Monteiro ou Paulo Rocha registaram um significativo reconhecimento em prestigiados certames cinematográficos internacionais. Coincidindo com a entrada de Portugal no espaço económico comum europeu (1986) e sustentando-se em argumentos culturais e económicos, o poder político e cultural português favoreceu a promoção de uma tendência estética que seria baptizada de “Escola Portuguesa”, pretendendo criar uma espécie de região demarcada de criação de cinema e valorizar a especificidade de um cinema autoral.
Esta breve apresentação pretende fazer uma panorâmica analítica e reflexiva do cinema português produzido entre os anos 60 e os anos 80 e reflectir sobre um novo paradigma estético e criativo que se afirmou no cinema português dessas décadas.

Paulo Cunha
Licenciado, Mestre e Doutorando em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Membro do CEIS20 – Centro de Estudos Interdisciplinares do séc. XX da Universidade de Coimbra, grupo de trabalho Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais. Membro fundador e dirigente da AIM – Associação de Investigadores da Imagem em Movimento. Responsável pelas bases de dados Novo Cinema Português 1949-80 [www.ncinport.wordpress.com] e Crítica de Cinema em Portugal [www.critcinport.wordpress.com]. Programador, com Michelle Sales, do Bacalhau Cinema Clube, projecto de divulgação e promoção do cinema dos países lusófonos sedeado no Rio de Janeiro.

Tem participado em diversos encontros nacionais e internacionais, integrado comissões de diversos encontros académicos e científicos na área de história e estética do cinema.

O cinema português contemporâneo (1990-2010)
Nas duas últimas décadas o cinema português transformou-se. Com o advento das televisões privadas e com a adesão à União Europeia (e o fulgor financeiro que daí resultou), os filmes multiplicaram-se na mesma dimensão que os subsídios cresceram e as montagens financeiras internacionais se mostraram possíveis. Desse boom também surgiu uma diversificação de géneros: longas-metragens, curtas, documentários, animação, séries de televisão. Nesse sentido, o panorama audiovisual alterou-se. Com isso, também o cinema português se abriu aos novos autores.
Sintoma dessa abertura é a nova vaga de realizadores que ganham prémios em festivais importantes ou são citados em revistas da especialidade como autores a reter no futuro. O ponta de lança dessa visibilidade é, claro, Pedro Costa, mas muitos outros autores podem ser aqui citados: Miguel Gomes, João Pedro Rodrigues, João Canijo, Sandro Aguilar, Serge Tréffaut, Regina Pessoa, José Miguel Ribeiro, entre outros. Mas também o cinema comercial, que abertamente pretende dirigir-se ao grande público, procurou novas fórmulas e até aí novos autores arriscaram um novo modelo para o cinema português.
Querendo-se ou não, este novo movimento alterou, fortemente, os pressupostos produtivos, temáticos e estéticos do cinema português, que, em diferentes velocidades, se vai afastando da aura da “Escola Portuguesa”. Esta apresentação pretende, nesse sentido, lançar um conjunto de sinais que pretendem revelar a face do cinema português no final da primeira década do século XXI.

 

Daniel Ribas
É investigador de doutoramento da Universidade de Aveiro e professor do Instituto Politécnico de Bragança, ambos no campo dos Estudos Fílmicos. É licenciado em Som e Imagem (especialização em argumento) pela Universidade Católica Portuguesa e, durante anos, foi argumentista free-lancer e crítico de cinema. É membro fundador da Associação de Investigadores da Imagem e Movimento e editor da revista online DRAMA, uma publicação da APAD (Associação Portuguesa de Argumentistas e Dramaturgos). Tem também colaborado com o Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema.

Moderador
Paulo Jorge Granja

É doutorando em História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e Mestre em História pela FLUC, em 2007. Assistente convidado na mesma instituição, onde lecciona, actualmente, a disciplina de Crítica Cinematográfica. Investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20-UC), onde tem trabalhado sobre a construção da legitimação estética do Novo cinema Português.

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