Ao longo dos anos, temos salientado que é essencial a descentralização cultural, que é igualmente necessário criar as condições de fruição e acesso cultural em todo o território, promovendo iniciativas que não se cingem à cidade de Coimbra, à Região Centro, e que passam por levar o cinema português mais além. Consideramos igualmente que a programação de cinema português deve estar acessível ao longo do ano, disponibilizada aos diferentes públicos que anualmente nos acompanham por ocasião dos Caminhos do Cinema Português, uma oportunidade de o ter sempre junto a si. Este ano, através do projeto Casa do Cinema de Coimbra, iniciamos uma nova forma de estar presente na cidade, com programação regular, ressuscitando um espaço e abrindo-o de novo à fruição cultural, e à sua vocação original que é o cinema.
Notícias
Primeiro foi o “novo normal”, e agora é o “regresso à normalidade”. E ainda nem tivemos o tempo necessário e imprescindível para assimilar a inerente estranheza destas expressões tão curiosas que repentinamente vieram assaltar o nosso quotidiano. Teremos estado assim tão inundados pela constante torrente de “notícias”, “opiniões” e variadas outras reações oferecidas pelos novos meios, aos quais temos a desfaçatez de encarar enquanto “comunicação”, para não nos termos apercebido do comodismo com que medimos toda e qualquer realidade, por mais espantosa que seja, através do confortável conceito de “normal”? E se sim, como observar de facto essa normalidade a que estamos a regressar?
Poucas serão as biografias que não apresentem períodos de nigredo ou de estágios de inacção. Habitualmente esses momentos – apesar normalmente enfrentados da pior das maneiras – têm em si a “possibilidade semente”, a capacidade de regeneração e reinvenção, em suma a oportunidade de iluminar a “noite escura da alma”.
Estes últimos tempos representaram toda uma negritude com um elemento adicional (e novo para o mundo ocidental contemporâneo): a partilha desse momento. Como colectivo humano, ouvimos em uníssono a voz do silêncio de uma pandemia que nos forçou a isolar e a mudar hábitos. Fez com que abandonássemos, entre outros, hábitos de consumo cultural e social, chegando ao cúmulo de uma quase total substituição de um curador de cinema por um algoritmo de uma qualquer plataforma online.
Na passada edição, no auge de uma pandemia com limitações variadas e transversais a todos os comportamentos humanos, tentámos que esses momentos escuros de isolamento fossem “compensados” por momentos de individualidade partilhada dentro de uma sala de cinema. Apesar disso, sejamos justos, percebemos que o próprio significado de festival (no sentido mais literal de festividade) não foi totalmente cumprido e deixado em pausa.
Associação Mutualista dá o nome à Seleção Ensaios e atribui prémios a três filmes da secção
A Previdência Portuguesa dá o nome à Seleção Ensaios do Festival Caminhos do Cinema Português. Trata-se de uma secção do Festival onde são exibidas produções de estudantes de cinema.
Ao longo do Festival são exibidas 58 produções em contexto académico, de jovens portugueses e estrangeiros. Houve 202 candidatos, sendo selecionadas 58 películas.
Iniciada em 2019, a mostra Programa!ação proporciona aos espectadores visionamentos comparatistas na obra de realizadores portugueses. Considerando o esforço de digitalização do património cinematográfico e as raras oportunidades para ver de forma digna alguns marcos do cinema português, a mostra mudou o seu foco para recuperar a obra de autores marcantes do cinema português, bem como proporcionar novas abordagens e contextos aos primeiros filmes portugueses através da intervenção musical.
Programação de 12 de novembro do Festival Caminhos do Cinema Português convida a uma nova abordagem dos filmes para adultos, com a presença da atriz espanhola Bunnie Bennett
O cinema para adultos do ponto de vista feminino é a abordagem proposta pelos Caminhos no Turno da Noite de 12 de novembro, a partir das 23:59, na Casa do Cinema de Coimbra. Seis curtas-metragens, onde o tema central é o prazer feminino, serão exibidas, com a presença de Bunnie Bennett, atriz espanhola e protagonista da curta “The Narcissist”. A terminar a sessão, será exibido “ASMR”, da premiada realizadora de filmes para adultos Erika Lust.
O mês de Setembro tradicionalmente é um mês de retoma da actividade, trazendo consigo várias novidades. Na Casa do Cinema de Coimbra não é diferente. Depois de no quente mês de Agosto termos revisitado alguns dos clássicos do cinema de horror, apresentamos em Setembro um mês pleno de diversidade e ofertas cinematográficas entre a exibição, com um novo inquilino na Casa: a Nitrato Filmes e a realização do 1.º Ciclo “Cinema Fora de Portas”, até à formação conhecendo “As Mulheres fazem Cinema!” de Mark Cousins e o curso de verão “Montagem e Autoria” orientado por Miguel Mira, com palestras de Afonso Cruz, José Filipe Costa e Jerónimo Rocha. As novidades continuam com os cine-concertos que abrem caminho para a 3.ª mostra Programa!Ação.
Assim, iremos promover durante o mês de setembro sessões de terça a sábado sempre às 21h30. Bilhetes a partir de 3€, com condições privilegiadas para os nossos associados.
Iniciado a 19 de Agosto com um evento piloto, o Ciclo “Cinema Fora de Portas” percorrerá várias praças da região de Coimbra levando a arte cinematográfica ao encontro dos públicos. Serão projectadas 5 longas-metragens nacionais e internacionais, culminando em dois cine-concertos que revisitam o cinema de património nacional.
As exibições de cinema ao ar livre têm entrada gratuita, mediante reserva no nosso site. Os bilhetes Cine-Concertos têm um custo de 10€, sendo reduzido a 5€ no caso dos sócios das entidades promotoras na Casa do Cinema de Coimbra, entidades parceiras, estudantes, desempregados, cineclubistas, seniores, grupos ≥ 10, profissionais do espetáculo.
Chocados com a notícia do falecido de Norberto Pires, os Caminhos do Cinema Português endereçam as suas mais sinceras condolências à família e amigos enlutados.
