O ano de 2020 tem sido, sem qualquer dúvida, um dos piores das nossas vidas. Reconhecemos o risco que existe em começar um texto com uma fórmula que talvez já se tenha convertido num cliché, mas nunca será demais salientar esta evidência, nomeadamente se se pensar que um dos setores mais afetados pelo momento em que vivemos tem sido o da cultura. No entanto, qualquer período conturbado é também uma oportunidade para desafios, e esta 26ª edição dos Caminhos do Cinema Português pode ser encarada como o nosso: apresentar com todas as condições de segurança um festival de cinema português em Coimbra e continuar o caminho, apesar das adversidades.

Se mais razões faltassem, o contexto atual (desde logo, o da produção e distribuição cinematográficas) veio também acentuar a crescente necessidade de formas diferentes de olhar o cinema, que é o mesmo que dizer a realidade; por esse motivo, esta 26ª edição do Festival apresentará mais uma vez a seleção “Outros Olhares”, na qual estará a concurso um conjunto de filmes de produção nacional inseridos essencialmente (mas não apenas) nas vertentes do documental e do experimental.

Esta seleção vem oferecer ao público visões alternativas, ou outros olhares, sobre temáticas tão diversas como a política, a memória, a sexualidade, a ecologia, o racismo e até mesmo sobre a pandemia, comprovando que o cinema está sempre a construir-se sobre o atemporal e sobre o contemporâneo, na maioria das vezes em simultâneo. Programar uma seleção com esta natureza é, inevitavelmente, bastante mais do que escolher os “melhores” filmes de entre aqueles que se propuseram a concurso, reuni-los em diferentes sessões e levá-los para a sala. Programar, em suma, não é uma atividade baseada em opções simplistas, e por esse motivo estas escolhas podem ser equiparadas a um plano de cinema, ou seja, ao resultado de um olhar criterioso, ou a uma ética conjugada com uma estética, se preferirmos assim.

Se o ano de 2020 fosse um momento de um filme, penso que seria o do final de Fight Club (David Fincher, 1999), quando aquele estranho casal está de mãos dadas no topo de um edifício a observar pela janela a derrocada de um outro prédio em frente enquanto começamos a ouvir os acordes de “Where is my Mind”, dos Pixies, e a personagem masculina diz a Marla Singer: «Conhecemo-nos numa altura muito estranha da minha vida». Esta é uma altura muito estranha das nossas vidas e nem é sequer recomendável que demos as mãos, mas podemos olhar para o prédio em derrocada da mesma forma que o filme olhava, ou seja, como a possibilidade de uma renovação no meio do caos. Este é o poder do cinema, e esta é a magia de poder olhar para as coisas com um outro olhar.

Outros Olhares (2020)

Esta seleção vem oferecer ao público visões alternativas, ou outros olhares, sobre temáticas tão diversas como a política, a memória, a sexualidade, a ecologia, o racismo e até mesmo sobre a pandemia, comprovando que o cinema está sempre a construir-se sobre o atemporal e sobre o contemporâneo, na maioria das vezes em simultâneo. Programar uma seleção com esta natureza é, inevitavelmente, bastante mais do que escolher os “melhores” filmes de entre aqueles que se propuseram a concurso, reuni-los em diferentes sessões e levá-los para a sala. Programar, em suma, não é uma atividade baseada em opções simplistas, e por esse motivo estas escolhas podem ser equiparadas a um plano de cinema, ou seja, ao resultado de um olhar criterioso, ou a uma ética conjugada com uma estética, se preferirmos assim.

  • Como Gado, de Matilde Calado – Outros Olhares (2020)

    Como Gado, de Matilde Calado – Outros Olhares (2020)

    17/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Uma reflexão sobre o comportamento de Alfred Hitchcock, com as suas atrizes nos seus sets de filmagens. A partir de imagens de arquivo, cruzadas com imagens de uma mulher do século XXI, usando também a exploração sensorial sonora, é criado um olhar experimental, sobre um período na indústria cinematográfica, onde muitas foram as atrizes, vítimas do sistema machista da época.

    An analysis of Alfred Hitchcock’s behaviour with his actresses in his movie sets. Taking archive pictures and intertwining them with images of an XXI century woman, exploiting our audio senses, an experimental look is created. This allows us to have a different perspective on a period of them in the film making industry where many actresses were victims of a sexist panorama.

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  • A Corrida, de Tiago Afonso – Seleção Outros Olhares (2020)

    tba Data, Hora - Cinema Avenida Nova, imersa nas metáforas que atravessam o seu inconsciente, é guiada pelo destino, porta a porta.

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  • A Chuva Acalanta a Dor, de Leonardo Mouramateus – Outros Olhares (2020)

    A Chuva Acalanta a Dor, de Leonardo Mouramateus – Outros Olhares (2020)

    20/11/2020, 18:00 - Cinema Avenida

    No ano 74 a.C, Tito Lucrécio Caro, um jovem com ideias ousadas, tenta convencer seu amigo Mêmio que ir estudar para a cidade de Roma é uma total perda de tempo. Anos depois, Lucrécio volta da capital. Tentando encontrar um equilíbrio entre suas explicações do mundo natural e sua experiência emocional do mesmo, Lucrécio vive uma paixão profunda e conturbada com Isa, sua esposa estrangeira.

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  • Ana e Maurizio, de Catarina Mourão – Outros Olhares (2020)

    Ana e Maurizio, de Catarina Mourão – Outros Olhares (2020)

    18/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    A pintora Ana Marchand sempre se sentiu um tanto deslocada na sua família. Donde lhe viria o amor pela arte e pela viagem? Em jovem viu um livro de viagens escrito pelo seu tio, Maurizio Piscicelli, e finalmente compreendeu. Catarina Mourão (Pelas Sombras, A Toca do Lobo, O Mar Enrola na Areia) acompanha Ana na sua travessia familiar e espiritual. Quem foi Maurizio? Quem é Ana? O rosto de um, o do outro. A reencarnação são as várias vidas que vivemos.

    The painter Ana Marchand always felt a bit dislocated in her family. The love of art and travel, where did she get those from? As a young woman she saw a travel book written by her uncle Maurizio Piscicelli and finally understood. Catarina Mourão (Pelas Sombras, A Toca do Lobo, O Mar Enrola na Areia) follows Ana’s familiar and spiritual journey. Who was Maurizio? Who is Ana? The face of one, the face of the other. Reincarnation are the several lives we live.

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  • ENTRE SERES, de Andre Ben Birken , Takis Panas – Outros Olhares (2020)

    ENTRE SERES, de Andre Ben Birken , Takis Panas – Outros Olhares (2020)

    16/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    No dia da entrega da chave da casa, Takis chamou o seu amigo André, para ajudar com as últimas caixas de mudança. Deixar um lar pode ser doloroso. Com a ajuda da poetisa eborense Margarida, aqueles momentos de angústia transformam-se em algo diferente, mas não menos dramático.

    On the day of delivering the house key, Takis called his friend André to help with the last cleansing. Leaving a home can be painful. With the help of the Portuguese poet Margarida, those moments of anguish turn into something different, but not less dramatic.

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  • O mar já não pára aqui, de Pedro Augusto Almeida – Outros Olhares (2020)

    O mar já não pára aqui, de Pedro Augusto Almeida – Outros Olhares (2020)

    18/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Caldeira, estuário do Sado. Um mariscador e o seu amigo aproveitam a manhã para recolher os frutos da maré. O dia está cheio de surpresas.

    Caldeira, Sado estuary. A clam picker and his friend spend the morning collecting up the bounty of the tide. The day is full of surprises.

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  • Espectros da Terra, de Daniel Fawcett e Clara Pais – Outros Olhares (2020)

    Espectros da Terra, de Daniel Fawcett e Clara Pais – Outros Olhares (2020)

    18/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Um filme de um mundo moribundo, populado por criaturas e espíritos míticos; 'Espectros da Terra' é a nossa meditação sobre a natureza e o ambiente capturada em Super8.

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  • SOA, de Raquel Castro – Outros Olhares (2020)

    SOA, de Raquel Castro – Outros Olhares (2020)

    19/11/2020, 18:00 - ESTÚDIO 2 DAS GALERIAS AVENIDA

    Soundscapes, silence and noise. all sound spectra, from infra to ultrasound, frequencies and rhythm. But also, ecology, citizenship, equality and urban policies. The listening as a catalyst for transformation and sounds that are part of our everyday life places. How the soundscape affects us and how we are responsible for the sound we generate.

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  • Red Green, de Pedro Palma – Outros Olhares (2020)

    Red Green, de Pedro Palma – Outros Olhares (2020)

    14/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Deng nasceu em Hong Kong e vive em Hong Kong. Aleksandra é polaca e mudou-se recentemente para Hong Kong. A casualidade de um encontro nas redes sociais leva-os para o quarto de um hotel, sem nunca antes se terem visto. Desafio aceite, risco calculado… Uma breve conversa que divaga entre o polaco e o cantonês, viajando pelas memórias dela e pelo desejo dele. E como background, o cenário da metrópole Hong Kong que parece esmagar Deng. O propósito subjacente àquele encontro leva-os para a cama. Mas Deng desiste… O quarto passa a ser o abrigo da vulnerabilidade silenciosa entre dois estranhos…

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  • Sonho de um Verão, de Inês Nunes – Outros Olhares (2020)

    Sonho de um Verão, de Inês Nunes – Outros Olhares (2020)

    13/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    A casa é ampla e moderna. As divisões estão semivazias, sem se perceber realmente se alguém acabou de chegar ou se alguém está prestes a abandoná-la. Uma rapariga e uma mulher encontram-se frente-a-frente sem dizerem uma única palavra. Aparentemente estranhas à presença uma à outra, olham-se em segredo tentando descobrir algo nas suas expressões. Pensam no passado que as une e num homem que desapareceu.

    The house is large and modern. The divisions are half empty. We don't know if someone has just arrived or if someone's about to abandon it. A girl and a woman face each other without saying a single word. Seemingly strangers to each other's presence, they look at eachother trying to discover something in their expressions. They think of the past that unites them and the man who disappeared.

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  • Sonhámos um País, de Camilo de Sousa, Isabel Noronha – Outros Olhares (2020)

    Sonhámos um País, de Camilo de Sousa, Isabel Noronha – Outros Olhares (2020)

    02/12/2020, 18:00 - Cinema Avenida

    No início dos anos 70, Camilo de Sousa saiu de Lourenço Marques, Moçambique, deu a volta pela Europa e juntou-se aos guerrilheiros da Frelimo. Primeiro na base de treino de Nachingwea e depois na luta de libertação nacional. Tinha na altura vinte anos. Hoje, a viver em Portugal, regressa a Moçambique para reencontrar dois camaradas de armas, que conheceu na guerrilha e com quem depois partilhou a direcção do partido em Cabo Delgado, até descer de novo à agora Maputo e integrar o novel Instituto de Cinema, tornando-se realizador. Com Aleixo Caindi e Julião Papalo ele rememora tempos antigos, quando a alegria da libertação deu lugar aos tempos negros em que a procura do ‘homem novo’ veio destruir os sonhos e as ilusões de um país...

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  • A Raiz da Margem, de Silvia Coelho, Paulo raposo – Outros Olhares (2020)

    A Raiz da Margem, de Silvia Coelho, Paulo raposo – Outros Olhares (2020)

    Quinta-Feira, 19/11/2020, 18:00 - Cinema Avenida Na orla do estuário do rio Tejo, através da actividade dos mariscadores e do ciclo das marés, propõe-se um olhar sobre uma paisagem habitada que resiste e permanece, apesar do seu iminente desaparecimento

    Through the observation of the river harvesters on the bay of Barreiro, a city right in front of Lisbon, from below the surface of the tidal sand flats, the film pursues a delicate portrait of their palafitic waterline architecture and mode of inhabiting unseparable from semi-clandestine activity. A landscape that has resisted industrial and urban pressure facing now on the border its own upcoming disappearance.

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  • Mistérios Negros, de Pedro Lino – Outros Olhares (2020)

    Mistérios Negros, de Pedro Lino – Outros Olhares (2020)

    18/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida
    The “mistérios negros” (dark mysteries) are trachemical domes of dark irregular rock, which originated in the eruptions that occurred in the islands of the Azores. This film stages a voyage to the centre of the earth. We’ll dive into the beginning of the world, in a way that escapes Carthesian logic, looking for more primal manifestations; this connection of image and sound also brings us back to the beginning of Cinema, where the spoken word still did not have a place. Through the landscapes of the Azores, this piece works on antagonistic concepts of scale and time (geological and human), chasing the forces of Nature and reflecting on their relationship with Man. The Azores have about 26 active volcanoes. The last great manifestation of these phenomenons was in the Capelinhos in 1957, and it is estimated that the next big eruption in the Atlantic will also happen somewhere in these islands.

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  • Azul e Prata, de João Coroa Justino – Outros Olhares (2020)

    Azul e Prata, de João Coroa Justino – Outros Olhares (2020)

    14/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Sete anos de filmagens domésticas transfiguradas num poema cinematográfico em sete estrofes, Azul e Prata propõe um olhar pessoal sobre o intangível e o desconhecido, impulsionado por um desejo subjacente de trabalhar conceitos como o tempo e a memória, o dia e a noite, a vida e a morte.

    Seven years of increasingly abstract handycam imagery transfigured into a tentative seven-stanza cinematographic poem. Something of a cross between home movie aesthetics and a wordless documentary essay, Azul e Prata presents a personal (if materially-incidental) look at the ethereal and the unknown, nurtured by an underlying yearning to scrap-discourse on the subjects of time and memory, day and night, life and death.

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  • Adeus aos Livros, de Diego Quinderé de Carvalho – Outros Olhares (2020)

    Adeus aos Livros, de Diego Quinderé de Carvalho – Outros Olhares (2020)

    14/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Espaço Ulmeiro é uma livraria de segunda mão em Benfica que está superlotada do chão ao teto com livros de todos os tipos. Além de preciosas raridades, livros menos relevantes, alguns restos de papéis rasgados, objetos antigos sem valor e velhas revistas aleatórias. José Ribeiro é um alfarrabista de 76 anos que enfrenta a impossibilidade de organizar sua loja. Sob pressão da especulação imobiliária, ele luta entre a preservação da memória e a acumulação excessiva.

    A second-hand bookstore on the outskirts of Lisbon is overcrowded from floor to ceiling with books of all kinds. In addition to precious rarities, less relevant books, a few remnants of torn papers, worthless antique objects and old random magazines. José Ribeiro is a 76-year-old bookseller facing the impossibility of organizing his shop. Under pressure from real estate speculation, he struggles between memory preservation and excessive accumulation.

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  • A Dança do Cipreste, de Mariana Caló, Francisco Queimadela – Outros Olhares (2020)

    A Dança do Cipreste, de Mariana Caló, Francisco Queimadela – Outros Olhares (2020)

    18/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    “A Dança do Cipreste” desenvolve-se a partir do nosso interesse pela imanente transformação do corpo no encontro com o sonho e o desejo, o amor e a morte, nas suas variantes lúcidas e fantasmagóricas. Realiza-se a partir da influência da imaginação no encontro com a natureza, à luz de relações de continuidade e descontinuidade com outros seres e elementos, à medida que segue os movimentos de um círculo familiar. Mariana aparece-nos na sua solitude como mulher e pintora, à flor da sua procura pelo prazer e desejo, ao mesmo tempo entregue a representações artísticas e à sua vida familiar. Afloram figurações espirituosas, de estranheza, erotismo e violência. Mariana, Henrique, Artur e Rafael, em conjunto ou individualmente, encontram-se em projecções mútuas e relações simbióticas nos dias passados ao ar livre e nos lugares imaginários. Um retrato sensorial, que associa relações simples de contacto e afecto, momentos exploratórios na natureza e criações do espirito.

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  • Parto Sem Dor, de Maria Mire – Outros Olhares (2020)

    Parto Sem Dor, de Maria Mire – Outros Olhares (2020)

    15/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Varria o chão do piso térreo de uma casa que tínhamos ocupado em Lisboa. Oiço bater à janela. Aproximo-me e vejo-te, na altura terias cerca de 80 anos. Estavas com um cabelo muito bem enrolado e vestida de branco, apoiada numa bengala. Penso de imediato que é uma vizinha que se vem queixar do barulho. Mas, de modo completamente desarmante, o que tu tens para me dizer é que estás muito feliz por nós estarmos aqui, na tua rua. Dizes que nos queres ajudar. Tens uma série de móveis numa cave que podemos ir buscar. Agradeço-te surpreendida pela tua generosidade e digo que vou falar de imediato com os meus amigos para irmos buscar as coisas. Retenho o número da porta da Avenida Santos Dumont, despeço-me e ponho a cabeça para dentro…Lembras-te, Cesina Bermudes?

    I was sweeping the ground floor of a house that we occupied in Lisbon. I heard someone knocking on the window. Then I saw you. At the time you would be about 80 years. You had very well curled hair and you were all dressed in white, leaning on a cane. I remember thinking that you must be a neighbour complaining about the noise. But in a completely disarming way, what you have to tell me is that you're very happy that we're there on your neighbourhood. And that you want to help us. That you have furniture in a basement nearby that we can use. You offer to give lectures on gynecology and obstetrics, because it is your specialty. I thank you for being so generous and I go to talk to my friends right away so we can get those things. I memorize the door number of the Avenida Santos Dumont. I say goodbye and put my head back inside … Do you remember, Cesina Bermudes?

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  • The Kiss, de Miguel De – Outros Olhares (2020)

    14/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    O filme "The Kiss" de William Heise, de 1896, é publicitado no catálogo de filmes de Edison como algo inesquecível: “they get ready to kiss, begin to kiss, and kiss and kiss and kiss in a way that brings down the house every time.” Um filme sobre um beijo, um escândalo para a altura. Este não é esse filme, mas também é sobre um beijo.

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  • BUSTAGATE, de Welket Bungué – Outros Olhares (2020)

    BUSTAGATE, de Welket Bungué – Outros Olhares (2020)

    19/11/2020, 18:00 - ESTÚDIO 2 DAS GALERIAS AVENIDA

    Bustagate, um ano depois do incidente do Bairro da Jamaica (zona da margem Sul de Lisboa) eis o panorama escandaloso da violência e desigualdade social em Portugal. Eis um filme-intervenção póstumo à sua personagem imaginária, dedicado aos portugueses.

    Bustagate is a hybrid movie, mixing textuality and three visual narratives to tell and asphyxiate the audience, pretending to put them in the same place as our deflated heroine (society).

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  • Silêncio – Voices of Lisbon, de Judit Kalmár, Céline Coste Carlisle – Outros Olhares (2020)

    Silêncio – Voices of Lisbon, de Judit Kalmár, Céline Coste Carlisle – Outros Olhares (2020)

    16/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Silêncio - Vozes de Lisboa é um documentário que tem uma Lisboa gentrificada como pano de fundo. Seguindo os passos de Céline - uma estrangeira “local” que vive há 20 anos em Portugal - conhecemos Ivone Dias e Marta Miranda, duas artistas de diferentes gerações que lutam pela sobrevivência da sua arte e comunidade. A linguagem que partilham é o fado, um estilo de música tradicional que fala sobre a dureza da existência humana. Com as letras de fado a transportar-nos através da história, o filme explora a relação entre os fadistas e o mundo, sempre em mudança, que os envolve.

    Silêncio - Vozes de Lisboa (Silence - Voices of Lisbon) is a documentary set amongst the backdrop of a gentrified Lisbon. Following the footsteps of Céline - a local foreigner who has lived in Portugal for 20 years - we are introduced to Ivone Días and Marta Miranda, two artist from different generations who fight for the survival of their art and their community. Their common language is Fado, a traditional style of music that talks about the daily struggle of living. With the lyrics of fado songs taking us through the story, the film explores the relationship between fado singers and the ever changing world around them.

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  • Anticorpo, de André Martins – Outros Olhares (2020)

    Anticorpo, de André Martins – Outros Olhares (2020)

    14/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Um documentário em forma livre dos pensamentos e emoções do realizador ao longo do confinamento de 2020 em Portugal. Está a realidade ainda do outro lado da janela, se não participarmos dela? Entre o real e o imaginário, entre a percepção e a imagem, há um abismo. A queda nesse abismo é aquilo a que chamamos cinema. Durante esta queda o nosso papel é sermos sombras despreendidas à procura dum corpo.

    A free-form documentary of the director's thoughts and emotions throughout the 2020 confinement in Portugal. Is reality still on the other side of the window, if we don't participate in it? Between the real and the imaginary, between perception and image, there is an abyss. The fall into that abyss is what we call cinema. During this fall, our role is to be detached shadows in search of a body.

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  • Selvajaria, de Camila Vale – Outros Olhares (2020)

    Selvajaria, de Camila Vale – Outros Olhares (2020)

    14/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Uma rapariga conserta tecnologia avariada enquanto busca conforto no circuito digital.

    A girl refurbishes old technology while looking for confort online.

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  • A Rainha, de Lúcia Pires – Outros Olhares (2020)

    A Rainha, de Lúcia Pires – Outros Olhares (2020)

    17/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida Esta é a história de uma mulher misteriosa que apareceu no Oeste e a quem nunca se conseguiu dar imagem. Também é a história de Maria Rosa e das suas vinhas, onde a estranha figura apareceu pela primeira vez. O caminho destas duas mulheres cruza-se no tempo, nebuloso e difícil de destrinçar. Encontramo-nos agora, aqui, a tentar compreendê-lo. Ver para crer, alguém disse um dia. Mas também se poderia dizer: para ver, é preciso antes acreditar.

    Our lives are made by stories we want to believe in. We believe them because they seem real. Or are they real just because we want them to be? This is a movie about a real story. Or maybe not.

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  • Boca do Inferno, de Luís Porto – Outros Olhares (2020)

    Boca do Inferno, de Luís Porto – Outros Olhares (2020)

    17/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Um reservado poeta português e um exuberante ocultista inglês encontram-se na Lisboa de 1930. Quando o último desaparece, um detective inglês começa uma investigação minuciosa: terá sido realmente um suicídio, como noticiado? Ou um homicídio? Esta é a história real do breve encontro entre Fernando Pessoa, Aleister Crowley e Hanni Larissa Jaeger.

    A shy Portuguese poet and an exuberant English occultist meet up in Lisbon in 1930. When the last one disappears, an English detective begins a thorough investigation: was it a suicide, as reported. Or a homicide? This is the real story of the brief meeting between Fernando Pessoa, Aleister Crowley, and Hanni Larissa Jaeger.

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  • My father has a gun, de Ana Mendes – Outros Olhares (2020)

    My father has a gun, de Ana Mendes – Outros Olhares (2020)

    15 de novembro, 21:45 - Cinema Avenida

    My father has a gun é um video que conta a história do pai de Ana Mendes, enquanto soldado na guerra colonial Portuguesa em Guiné-Bissau, explorando, ao mesmo tempo, o papel da fotografia no negócio da guerra.

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  • Semanas de areia, meses de cinza, anos de pó, de Rita Macedo – Outros Olhares (2020)

    Semanas de areia, meses de cinza, anos de pó, de Rita Macedo – Outros Olhares (2020)

    15/11/2020, 21:45 - Cinema Avenida

    Through the form of a personal yet distant essay film, 'Weeks of sand, months of ash, years of dust' introduces Macao, a former Portuguese colony handed over back to China in 1999. Having partly grown up in Macao, the filmmaker revisits the learned history of Macao from a portuguese perspective, addressing post-imperial forms of disavowed political affect alongside the progressing dementia of her own mother. The intertwined historical and personal narratives converge into a compound reading of one through the other. Carefully positioning personal loss next to reflections on colonial narratives, the film ponders questions of looking back into a troubled past from the instability of a presently self-erasing memory. 'I look at you and I see your gaze devouring the world, but I have no idea what world is being devoured.'

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