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Sessão dos Caminhos privilegia problemáticas e temas familiares

O final de tarde do dia 27 de novembro no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) ficou marcado por três curtas metragens envolventes e dignas de emocionar qualquer um e uma longa metragem repleta de suspense e mistério, contando com duas estreias nacionais nesta sessão.

Porque este é o meu ofício” de Paulo Monteiro, “Califórnia” de Nuno Baltazar e “Pródigo” de João Lourenço, apresentadas respetivamente, abordaram problemáticas sociais de forma criativa e autêntica. Paulo Monteiro escolheu uma forma alternativa que fugiu ao tradicional. “Num encontro de gerações de uma família”, o realizador confessa que “mudou a forma” como vê e pensa o cinema.

“Pródigo” foi uma das estreias da sessão que emocionou os seus espetadores. O companheirismo entre pai e filho representados de forma única e surpreendente cativaram quem estava na plateia.

Os dois irmãos”, a segunda estreia da noite, de Francisco Manso, foi a única longa metragem da sessão e captou por completo a atenção do público. O drama familiar centrado em Cabo Verde aborda uma realidade cultural discrepante à do mundo ocidental. Flávio Hamilton, ator principal da obra cinematográfica, afirma que “naquela altura e localidade, considerando o contexto e a relação de parentesco”, o enredo da história encontra-se adaptado.

José Mazeda, produtor da obra cinematográfica, confessou em resposta às perguntas do público que o filme “era mais cabo-verdiano do que português”. Com uma equipa constituída apenas com 12 elementos lusitanos e uma rodagem completa em Cabo Verde, quis apostar numa aproximação com os atores locais. Flávio Hamilton confidencia já ter participado na versão teatral da história como advogado do Ministério Público. “Fui despromovido”, afirma, despertando risos na plateia.

Ana Lage