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«Os Caminhos terão sempre lugar no futuro da cidade»

A sessão de abertura da 31.ª edição dos Caminhos do Cinema Português, que decorreu na noite de 15 de novembro na Sala Afonso Henriques, no Convento de São Francisco, confirmou uma vez mais a força do cinema nacional e a importância de manter vivas as salas, os públicos e os territórios que dão corpo ao setor. As entidades parceiras presentes sublinharam o papel único do festival, que este ano volta a ultrapassar fronteiras e a chegar a Lisboa, Mealhada e Penacova.
O diretor do festival, Tiago Santos, agradeceu o apoio de todas as instituições envolvidas e lembrou que muitos dos filmes apresentados nestes oito dias — especialmente documentários, animação e curtas-metragens — dificilmente terão estreia comercial. Sublinhou também o reforço da componente formativa, com masterclasses e mesas-redondas que complementam uma programação com mais de uma centena de filmes.

Da Entidade Regional de Turismo do Centro, Anabela Freitas destacou que cinema e turismo «têm mais em comum do que pode parecer», sobretudo na forma como aproximam pessoas e valorizam a autenticidade do território. Já a vice-presidente da CCDRC, Alexandra Rodrigues, lembrou que «o cinema abre horizontes e cria comunidade», apelando à captação de novos públicos num tempo em que o «vício do sofá» ameaça a experiência da sala escura.

 

O representante do Instituto do Cinema e Audiovisual, Manuel Claro, reforçou a importância dos Caminhos como espaço onde o cinema português se encontra verdadeiramente com o seu público. Sublinhou que, num momento em que a exibição cinematográfica vive desafios sérios — do encerramento de salas à perda de hábitos de ida ao cinema — festivais como este tornam-se fundamentais. «Os Caminhos provam, ao longo de todo o ano, que o nosso cinema tem público e é visto», afirmou, destacando o trabalho contínuo da Casa do Cinema e lembrando que a reflexão sobre a exibição é hoje tão urgente quanto a própria criação. Para o ICA, apoiar esta edição é reconhecer o valor do festival enquanto espaço de celebração, diálogo e resistência cultural.

Já o diretor da Cinemateca Portuguesa, Rui Machado, destacou que os Caminhos, pela sua história e continuidade, «são um evento absolutamente essencial para o cinema português». Recordou que todas as oportunidades de ver cinema português — seja contemporâneo, seja de património — são vitais, sobretudo num país onde o circuito de exibição tem vindo a diminuir. Para a Cinemateca, o festival é importante não apenas pela projeção, mas também pela discussão: «Os Caminhos não servem só para ver filmes; servem para pensar o cinema português e a forma como ele chega ao público.» Sublinhou ainda que a preservação da experiência coletiva da sala escura é hoje mais necessária do que nunca, num tempo em que o conforto doméstico ameaça substituir a partilha presencial.

Estas intervenções reforçaram uma ideia comum: os Caminhos do Cinema Português são um ponto de encontro onde criação, reflexão, memória e público se cruzam. Para o ICA e para a Cinemateca, o festival não é apenas um programa cultural — é uma peça estruturante do ecossistema cinematográfico nacional, um espaço de continuidade num país onde a exibição enfrenta fragilidades e uma prova de que o cinema português, quando encontra o seu público, ganha vida nova.

Do município da Mealhada, Filomena Pinheiro resumiu a relevância desta parceria numa frase simples: «Levar este festival à nossa comunidade é uma oportunidade que não podíamos perder.» Sublinhou ainda a importância do cinema enquanto ferramenta educativa, capaz de aproximar escolas, jovens e território.

Em nome do Município de Coimbra, a vereadora da Cultura reforçou que os Caminhos do Cinema Português «são um festival que não passa apenas por Coimbra — permanecem na cidade e na vida cultural de quem cá vive». Destacou que, ao longo de mais de três décadas, o festival «provou que Coimbra tem público, tem talento e tem vontade de pensar cinema», lembrando que a cultura precisa de espaços vivos e consistentes. «Os Caminhos são um desses espaços: inclusivos, persistentes e essenciais», afirmou.

Referiu também o papel central da Casa do Cinema de Coimbra, que descreveu como «um gesto de serviço público, pela programação contínua, pela formação de públicos e pela proximidade à comunidade». Numa altura em que muitas salas encerram, destacou que «manter uma casa dedicada ao cinema é um ato de resistência e de responsabilidade cultural».

Sobre o momento atual, lembrou que «o cinema português vive um equilíbrio delicado: é reconhecido internacionalmente, mas enfrenta fragilidades internas que não podemos ignorar». Assistir a cinema português em sala, disse, «é um ato de cidadania cultural», e o festival garante que essa experiência continue a acontecer. Por isso, considerou fundamental «criar condições para que mais pessoas façam cinema e, sobretudo, para que mais pessoas o possam ver».

A vereadora reforçou ainda a importância da descentralização: «Levar o festival para além de Coimbra não é apenas descentralizar — é alargar horizontes culturais.» Sublinhou que a cultura deve ser uma força de coesão territorial, lembrando que «o cinema vive nos lugares onde chega, e este festival chega cada vez mais longe».
Sobre o trabalho conjunto das instituições, destacou que os Caminhos «são um exemplo de como universidade, comunidade e autarquias, quando trabalham juntas, conseguem transformar o território». E concluiu lembrando que «o futuro do cinema português também se constrói aqui, nestas salas, nestes encontros e nestas conversas», reafirmando que, enquanto houver público e vontade, «os Caminhos terão sempre lugar no futuro da cidade».

O festival segue agora para oito dias inteiros dedicados ao cinema português, juntando criadores, públicos e parceiros num momento de celebração, reflexão e encontro. Como recordou Tiago Santos, «os Caminhos só existem porque há quem continue a acreditar no cinema português — dentro e fora da sala escura».


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