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Corpos em Cena: Caminhos abre debate sobre ética, desejo e intimidade no cinema português

Da sensibilidade cinematográfica de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, à presença performativa e metamórfica de Ssel Marquesa, passando pela experiência ética e técnica de Stéphanie Breton, esta mesa reúne realizadores, performers e uma especialista em intimidade para pensar o corpo, o desejo e as suas políticas de representação.

No próximo dia 21 de novembro, sexta-feira, o Festival Caminhos do Cinema Português acolhe, às 17h00 no Estúdio 1 (7.º piso do Edifício Avenida) , a mesa-redonda «Corpos em Cena: Éticas, desejos e representações do sexo explícito no Cinema Português», coordenada por Rita Alcaire e João R. Pais. 

O encontro propõe uma reflexão transversal sobre como a intimidade e o sexo explícito têm sido usados no cinema e na performance — ora como provocação estética, ora como ferramenta política, ora como gesto de vulnerabilidade e autenticidade —, questionando fronteiras entre erotismo e pornografia, ficção e realidade, intimidade e espetáculo.

A conversa contará com a participação de Stéphanie Breton, artista canadiana com mais de 20 anos de trabalho em cinema, teatro e dobragem, que desde 2018 se dedica à coordenação de intimidade, integrando a «Intimacy Coordinators Canada». Reconhecida por criar ambientes de trabalho seguros, éticos e colaborativos, foi distinguida em 2024 como «Woman of the Year »pela ACTRA Montreal, e desenvolve atualmente parte da sua prática em Portugal, centrada em ética, consentimento e bem-estar dos intérpretes.

 

O debate inclui ainda os realizadores João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, dupla incontornável do cinema português contemporâneo. João Pedro Rodrigues, cuja filmografia — de «O Fantasma» a «O Ornitólogo» — explora desejo, metamorfose e performatividade, é reconhecido internacionalmente e foi alvo de uma retrospetiva integral no Centro Pompidou. Guerra da Mata, realizador, argumentista e diretor de arte, traz uma sensibilidade profundamente marcada pelas geografias afetivas de Macau e Lisboa; juntos, assinam filmes como «A Última Vez que Vi Macau» e múltiplas curtas premiadas e exibidas em festivais e cinematecas de referência

Participa também Ssel Marquesa, performer e artista-investigadora cuja obra atravessa dança, vídeo, dramaturgia e práticas multissensoriais. Autodefinindo-se como performer em metamorfose, trabalha sobre corporeidades em trânsito, estados expandidos de percepção e gestos de transformação. Doutoranda em Estudos Contemporâneos na Universidade de Coimbra, investiga modos alternativos de conhecimento e processos de transfiguração do corpo, explorando desejo, imaginação sensorial e materialidades liminares.

Num momento em que a intimidade se tornou um território central da política cultural — nas artes, nas plataformas digitais, na produção audiovisual e nos debates públicos sobre consentimento, trabalho sexual, censura e agência —, esta mesa-redonda propõe compreender o que está em jogo quando o explícito se torna imagem, e o que essa imagem revela sobre o tempo contemporâneo.


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