Ilha de Amrum, primavera de 1945. Nos últimos dias da guerra, Nanning, de 12 anos, enfrenta o mar traiçoeiro para caçar focas, pesca à noite e trabalha na quinta vizinha para ajudar a mãe a alimentar a família. Apesar das dificuldades, a vida na bela ilha varrida pelo vento quase parece um paraíso. Quando a paz finalmente chega, revela-se uma ameaça mais profunda: o inimigo está muito mais perto do que ele imaginava.
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Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, Drama, 202′, 1975)
2026-03-23Três dias na vida de Jeanne Dielman, mulher e mãe — é a partir desta premissa que Chantal Akerman constrói o seu filme, inspirado nas vivências da sua mãe Natalia, exilada em Bruxelas depois da Segunda Guerra Mundial. Interpretado brilhantemente pela atriz, realizadora e ativista Delphine Seyrig, Jeanne Dielman revela as rotinas diárias, o silêncio, o trabalho e o confinamento necessários à sobrevivência da protagonista.
Wendy Carroll (Michelle Williams) conduz até Ketchikan, no estado do Alasca, na esperança de um Verão de trabalho lucrativo na fábrica de conservas Northwestern Fish, e do início de uma nova vida com a sua cadela, Lucy. No entanto, quando o seu carro avaria no Oregon, a frágil estrutura da sua situação financeira desaba, e ela confronta-se com uma série de decisões económicas cada vez mais terríveis, com repercussões de grande alcance para si própria e para Lucy. Wendy e Lucy aborda questões de solidariedade e generosidade nos limites da vida americana, revelando os limites e a profundidade do dever das pessoas umas para com as outras em tempos difíceis. O filme é baseado no conto “Train Choir” de Jon Raymond.
Lockhart passou um ano a observar a vida dos trabalhadores da Bath Iron Works, no Maine. “Lunch Break” acompanha 42 trabalhadores durante o seu intervalo para o almoço em um corredor que se estende por quase todo o estaleiro. Ao contrário de seus filmes anteriores, a câmara está livre e, à medida que se move lentamente pelo corredor, vivenciamos o que era um breve intervalo na jornada de trabalho expandido para um olhar prolongado. Repleto de armários, o corredor parece ser não apenas um centro industrial, mas também um espaço social, carregando nas suas superfícies uma história de autoexpressão e personalização. Ao longo do intervalo para o almoço, vemos os trabalhadores envolvidos em diversas atividades – lendo, dormindo, conversando – além de, de facto, fazerem a sua refeição. A banda sonora é uma composição criada em colaboração com a compositora Becky Allen e o cineasta James Benning, na qual sons industriais, música e vozes se fundem e se entrelaçam lentamente. Juntos, imagem e som proporcionam uma meditação prolongada sobre um momento de descanso do trabalho produtivo.
Maria Manuela não se rende ao conformismo. Desde muito cedo que pinta e transforma os seus lugares, numa constante procura pela materialização do seu universo interior. Depois de se tornar viral na internet sob o nome La Vie de Marie, conquista a atenção do público nacional em 2022. Este documentário, captado ao longo de quatro anos pelo seu amigo João, cristaliza a sua amizade e o crescimento de Maria no ponto mais sensível e desafiante da sua vida – a entrada na vida adulta e a afirmação da sua identidade na pequena vila que a viu crescer no norte de Portugal.
BULAKNA invoca o nome de uma antiga guerreira filipina que resistiu à invasão colonial. Retrato da força e da desigualdade, o filme acompanha mulheres filipinas que hoje enfrentam uma nova forma de colonização: a migração forçada pelo trabalho. Empregadas domésticas em países estrangeiros, milhares de filipinas sustentam economias alheias, trabalhando como cuidadoras e deixando as suas próprias famílias para trás, em suspenso, na terra natal. Presas numa lógica global que transforma o cuidado em moeda de troca, vivem divididas entre o sustento e a saudade, entre o dever e a ausência. “BULAKNA” aborda questões fundamentais dos nossos tempos: a profunda desigualdade social num mundo pós-colonial, ao mesmo tempo que toca no mais íntimo do ser humano – o valor do trabalho, do corpo e da vida.
Leni Riefenstahl é considerada uma das mulheres mais polémicas do século XX. Os seus filmes “O Triunfo da Vontade” e “Olympia” representam a adoração do corpo perfeitamente encenada e a celebração do superior e do vitorioso. Ao mesmo tempo, estas imagens projectam desprezo pelos imperfeitos e pelos fracos. A estética de Riefenstahl está hoje mais presente que nunca – mas será isso também verdade para a sua mensagem implícita? O filme examina esta questão utilizando documentos do espólio de Riefenstahl, incluindo filmes, fotografias, gravações e cartas. Descobre fragmentos da sua biografia e coloca-os num contexto histórico mais lato. Como pôde Riefenstahl tornar-se cineasta proeminente do regime e continuar a negar laços próximos com Hitler e Goebbels? Durante a sua longa vida após o nazismo, ela continuou sem remorso, conseguindo controlar e moldar o seu legado. Riefenstahl representa muitos alemães do pós-guerra que, em cartas e chamadas telefónicas, sonham com uma mão organizadora que finalmente limpe o “estado de merda”. Então, o seu trabalho também renasceria. Esse momento poderia acontecer uma ou duas gerações mais tarde – e se eles estiverem certos?
1936. Enquanto aldeias palestinianas se revoltam contra o domínio colonial britânico, Yusuf desloca-se entre Jerusalém e a sua aldeia natal, à procura de um futuro longe da agitação. Mas com o número crescente de imigrantes judeus, a população palestiniana une-se na maior e mais longa revolta num momento decisivo para o Império Britânico e para o futuro de toda a região.
Histórias de quotidiano e de silêncio. Em caminhos desertos de vento inquietante numa aldeia do Norte. Há um dia de trabalho atravessado por três famílias: quatro velhas, o campo, o pão, as galinhas, e, a lembrar-nos, clareiras de histórias velhíssimas de gestos saboreados em mineralógicas palavras. Uma família de dez filhos numa quinta mergulha na largueza do tempo, no gesto todo do trabalho, o pai corta uma árvore. Mais longe, a água do rio habitado por gente, numa barca, o sol, e o largo da aldeia, a ponte em construção, a varanda, a refeição, a densidade e o misticismo ao domingo, a missa e a feira: ritualizada ao sábado. Nestes fragmentos de cenário, move-se Isabel, também, com os olhos postos no futuro, para lá dos outros em que o sentido da vida é apenas viver. O tempo atravessa o nascer e o pôr-do-sol. É um respirar a vida, usando o campo como meio numa aldeia do Norte, de gestos antiquíssimos e pousados.








