Blog Archives

o-rapaz-da-ilha-de-amrum_01.jpg

O Rapaz da Ilha de Amrum (Fatih Akin, Drama, 93′, 2025)

Ilha de Amrum, primavera de 1945. Nos últimos dias da guerra, Nanning, de 12 anos, enfrenta o mar traiçoeiro para caçar focas, pesca à noite e trabalha na quinta vizinha para ajudar a mãe a alimentar a família. Apesar das dificuldades, a vida na bela ilha varrida pelo vento quase parece um paraíso. Quando a paz finalmente chega, revela-se uma ameaça mais profunda: o inimigo está muito mais perto do que ele imaginava. 

Saber mais

jeanne-dielman_01-1.jpg

Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, Drama, 202′, 1975)

Três dias na vida de Jeanne Dielman, mulher e mãe — é a partir desta premissa que Chantal Akerman constrói o seu filme, inspirado nas vivências da sua mãe Natalia, exilada em Bruxelas depois da Segunda Guerra Mundial. Interpretado brilhantemente pela atriz, realizadora e ativista Delphine Seyrig, Jeanne Dielman revela as rotinas diárias, o silêncio, o trabalho e o confinamento necessários à sobrevivência da protagonista. 

Saber mais

wendy-and-lucy-01.jpg

Wendy e Lucy (Kelly Reichardt, Drama, 80′, 2008)

Wendy Carroll (Michelle Williams) conduz até Ketchikan, no estado do Alasca, na esperança de um Verão de trabalho lucrativo na fábrica de conservas Northwestern Fish, e do início de uma nova vida com a sua cadela, Lucy. No entanto, quando o seu carro avaria no Oregon, a frágil estrutura da sua situação financeira desaba, e ela confronta-se com uma série de decisões económicas cada vez mais terríveis, com repercussões de grande alcance para si própria e para Lucy. Wendy e Lucy aborda questões de solidariedade e generosidade nos limites da vida americana, revelando os limites e a profundidade do dever das pessoas umas para com as outras em tempos difíceis. O filme é baseado no conto “Train Choir” de Jon Raymond. 

Saber mais

lunch-break-01.jpg

Lunch Break (Sharon Lockhart, Documentário, 73′, 2008)

Lockhart passou um ano a observar a vida dos trabalhadores da Bath Iron Works, no Maine. “Lunch Break” acompanha 42 trabalhadores durante o seu intervalo para o almoço em um corredor que se estende por quase todo o estaleiro. Ao contrário de seus filmes anteriores, a câmara está livre e, à medida que se move lentamente pelo corredor, vivenciamos o que era um breve intervalo na jornada de trabalho expandido para um olhar prolongado. Repleto de armários, o corredor parece ser não apenas um centro industrial, mas também um espaço social, carregando nas suas superfícies uma história de autoexpressão e personalização. Ao longo do intervalo para o almoço, vemos os trabalhadores envolvidos em diversas atividades – lendo, dormindo, conversando – além de, de facto, fazerem a sua refeição. A banda sonora é uma composição criada em colaboração com a compositora Becky Allen e o cineasta James Benning, na qual sons industriais, música e vozes se fundem e se entrelaçam lentamente. Juntos, imagem e som proporcionam uma meditação prolongada sobre um momento de descanso do trabalho produtivo. 

Saber mais

la-vie-de-maria-manuela_01.jpg

La Vie de Maria Manuela (João Marques, Documentário, 70’, 2026)

Maria Manuela não se rende ao conformismo. Desde muito cedo que pinta e transforma os seus lugares, numa constante procura pela materialização do seu universo interior. Depois de se tornar viral na internet sob o nome La Vie de Marie, conquista a atenção do público nacional em 2022. Este documentário, captado ao longo de quatro anos pelo seu amigo João, cristaliza a sua amizade e o crescimento de Maria no ponto mais sensível e desafiante da sua vida – a entrada na vida adulta e a afirmação da sua identidade na pequena vila que a viu crescer no norte de Portugal. 

Saber mais

bulakna_01.jpg

Bulakna (Leonor Noivo, Documentário, 93′, 2025)

BULAKNA invoca o nome de uma antiga guerreira filipina que resistiu à invasão colonial. Retrato da força e da desigualdade, o filme acompanha mulheres filipinas que hoje enfrentam uma nova forma de colonização: a migração forçada pelo trabalho. Empregadas domésticas em países estrangeiros, milhares de filipinas sustentam economias alheias, trabalhando como cuidadoras e deixando as suas próprias famílias para trás, em suspenso, na terra natal. Presas numa lógica global que transforma o cuidado em moeda de troca, vivem divididas entre o sustento e a saudade, entre o dever e a ausência. “BULAKNA” aborda questões fundamentais dos nossos tempos: a profunda desigualdade social num mundo pós-colonial, ao mesmo tempo que toca no mais íntimo do ser humano – o valor do trabalho, do corpo e da vida. 

Saber mais

riefenstahl_01.jpg

Riefenstahl (Andres Veiel, Documentário, 115′, 2024)

Leni Riefenstahl é considerada uma das mulheres mais polémicas do século XX. Os seus filmes “O Triunfo da Vontade” e “Olympia” representam a adoração do corpo perfeitamente encenada e a celebração do superior e do vitorioso. Ao mesmo tempo, estas imagens projectam desprezo pelos imperfeitos e pelos fracos. A estética de Riefenstahl está hoje mais presente que nunca – mas será isso também verdade para a sua mensagem implícita? O filme examina esta questão utilizando documentos do espólio de Riefenstahl, incluindo filmes, fotografias, gravações e cartas. Descobre fragmentos da sua biografia e coloca-os num contexto histórico mais lato. Como pôde Riefenstahl tornar-se cineasta proeminente do regime e continuar a negar laços próximos com Hitler e Goebbels? Durante a sua longa vida após o nazismo, ela continuou sem remorso, conseguindo controlar e moldar o seu legado. Riefenstahl representa muitos alemães do pós-guerra que, em cartas e chamadas telefónicas, sonham com uma mão organizadora que finalmente limpe o “estado de merda”. Então, o seu trabalho também renasceria. Esse momento poderia acontecer uma ou duas gerações mais tarde – e se eles estiverem certos? 

Saber mais

palestina-36_01.jpg

Palestina 36 (Annemarie Jacir, Drama, Histórico, 119′, 2025)

1936. Enquanto aldeias palestinianas se revoltam contra o domínio colonial britânico, Yusuf desloca-se entre Jerusalém e a sua aldeia natal, à procura de um futuro longe da agitação. Mas com o número crescente de imigrantes judeus, a população palestiniana une-se na maior e mais longa revolta num momento decisivo para o Império Britânico e para o futuro de toda a região. 

Saber mais

movimentodascoisas_01.jpg

O Movimento das Coisas (Manuela Serra, Documentário, 89′, 1985)

Histórias de quotidiano e de silêncio. Em caminhos desertos de vento inquietante numa aldeia do Norte. Há um dia de trabalho atravessado por três famílias: quatro velhas, o campo, o pão, as galinhas, e, a lembrar-nos, clareiras de histórias velhíssimas de gestos saboreados em mineralógicas palavras. Uma família de dez filhos numa quinta mergulha na largueza do tempo, no gesto todo do trabalho, o pai corta uma árvore. Mais longe, a água do rio habitado por gente, numa barca, o sol, e o largo da aldeia, a ponte em construção, a varanda, a refeição, a densidade e o misticismo ao domingo, a missa e a feira: ritualizada ao sábado. Nestes fragmentos de cenário, move-se Isabel, também, com os olhos postos no futuro, para lá dos outros em que o sentido da vida é apenas viver. O tempo atravessa o nascer e o pôr-do-sol. É um respirar a vida, usando o campo como meio numa aldeia do Norte, de gestos antiquíssimos e pousados. 

Saber mais