Blog Archives

jeanne-dielman_01-1.jpg

Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, Drama, 202′, 1975)

Três dias na vida de Jeanne Dielman, mulher e mãe — é a partir desta premissa que Chantal Akerman constrói o seu filme, inspirado nas vivências da sua mãe Natalia, exilada em Bruxelas depois da Segunda Guerra Mundial. Interpretado brilhantemente pela atriz, realizadora e ativista Delphine Seyrig, Jeanne Dielman revela as rotinas diárias, o silêncio, o trabalho e o confinamento necessários à sobrevivência da protagonista. 

Saber mais

wendy-and-lucy-01.jpg

Wendy e Lucy (Kelly Reichardt, Drama, 80′, 2008)

Wendy Carroll (Michelle Williams) conduz até Ketchikan, no estado do Alasca, na esperança de um Verão de trabalho lucrativo na fábrica de conservas Northwestern Fish, e do início de uma nova vida com a sua cadela, Lucy. No entanto, quando o seu carro avaria no Oregon, a frágil estrutura da sua situação financeira desaba, e ela confronta-se com uma série de decisões económicas cada vez mais terríveis, com repercussões de grande alcance para si própria e para Lucy. Wendy e Lucy aborda questões de solidariedade e generosidade nos limites da vida americana, revelando os limites e a profundidade do dever das pessoas umas para com as outras em tempos difíceis. O filme é baseado no conto “Train Choir” de Jon Raymond. 

Saber mais

lunch-break-01.jpg

Lunch Break (Sharon Lockhart, Documentário, 73′, 2008)

Lockhart passou um ano a observar a vida dos trabalhadores da Bath Iron Works, no Maine. “Lunch Break” acompanha 42 trabalhadores durante o seu intervalo para o almoço em um corredor que se estende por quase todo o estaleiro. Ao contrário de seus filmes anteriores, a câmara está livre e, à medida que se move lentamente pelo corredor, vivenciamos o que era um breve intervalo na jornada de trabalho expandido para um olhar prolongado. Repleto de armários, o corredor parece ser não apenas um centro industrial, mas também um espaço social, carregando nas suas superfícies uma história de autoexpressão e personalização. Ao longo do intervalo para o almoço, vemos os trabalhadores envolvidos em diversas atividades – lendo, dormindo, conversando – além de, de facto, fazerem a sua refeição. A banda sonora é uma composição criada em colaboração com a compositora Becky Allen e o cineasta James Benning, na qual sons industriais, música e vozes se fundem e se entrelaçam lentamente. Juntos, imagem e som proporcionam uma meditação prolongada sobre um momento de descanso do trabalho produtivo. 

Saber mais

OXHIDE-II-BEST-.jpg

Oxhide II (Liu Jiayin, Documentário, 132′, 2009)

Assim como no seu filme anterior, a realizadora chinesa filma-se a si mesma e aos seus pais no seu apartamento bastante claustrofóbico com realismo documental. Ela utiliza nove posições de câmara fixas, com as quais gira no sentido do relógio ao redor da mesa da cozinha (de modo que o último plano tenha exatamente a mesma perspectiva do primeiro). Os planos, com duração de 5 a 20 minutos, foram feitos de perto, de forma que os três membros da família permaneçam, em grande parte, fora do enquadramento. A história resultante, rigorosamente minimalista, desenrola-se em tempo real: Oxhide II tem a duração necessária para limpar uma bancada, preparar dumplings chineses e comê-los. Enquanto a refeição é preparada, os três conversam ocasionalmente sobre os problemas da loja de bolsas, com a esposa e a filha tendo uma conversa séria com o pai. 

Saber mais

os-verdes-anos_01.jpg

Os Verdes Anos (Paulo Rocha, Drama, 88′, 1963)

Um rapaz de 19 anos, Júlio, vem para Lisboa a fim de tentar a sua sorte como sapateiro. No dia em que chega a Lisboa, um acidente fá-lo conhecer Ilda, uma rapariga da mesma idade, empregada doméstica num prédio perto do local de trabalho de Júlio. À medida que o filme se desenrola, vai nascendo um romance de amor entre os dois, mais forte da parte de Júlio, que ciumento, sentindo-se numa atmosfera estranha e hostil, desconfia permanentemente de Ilda, facto que a leva a romper o namoro. Num momento de cólera, impulsivo, Júlio acaba por matá-la.

Cópia digitalizada e restaurada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.

Saber mais

tangerine_01.jpg

Tangerine (Sean S. Baker, Drama, 88′, 2015)

Filmado inteiramente com Iphones 5S. O verdadeiro brilho e relevância de TANGERINE reside no facto de serem atrizes transexuais a interpretar personagens transexuais. Uma prostituta transgénero de Los Angeles (EUA) volta à liberdade depois de quase um mês na prisão. Acidentalmente, a sua melhor amiga conta-lhe que o namorado e proxeneta que ela deixou para trás anda a traí-la com uma mulher cisgénero (cuja expressão de género corresponde ao sexo que lhe foi atribuído à nascença). E parte à procura de ambos. É esta a história da comédia de Sean Baker, realizador que no passado co-criou para televisão a personagem Greg the Bunny, um fantoche de mão, e assinou filmes como Starlet. Rodou Tangerine exclusivamente com três iPhones. Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, as protagonistas, foram alvo de uma campanha para serem as primeiras mulheres abertamente transgénero a serem nomeadas para Óscares das categorias de representação, mas o filme ficou-se pelas nomeações e prémios noutras cerimónias e festivais como os Independent Spirit Awards. 

Saber mais

eu-sou-martim_01.jpg

Eu Sou Martin Parr (Lee Shulman, Documentário, 68′, 2024)

Desde a década de 1970, o fotógrafo inglês Martin Parr tem refletido — ora com ternura, ora com crítica, sempre com ironia — sobre o nosso tempo, obrigando-nos a encarar de frente a forma como a sociedade de consumo moldou as nossas vidas. Este filme convida-nos a descobrir o inconformista por detrás de algumas das imagens mais icónicas do último século, numa viagem íntima e exclusiva pela Inglaterra ao lado de Parr. Sem concessões, o seu olhar, os seus enquadramentos e o uso da cor revolucionaram a fotografia contemporânea. 

Saber mais