Após a sua morte, ao fim de um longo exílio em Portugal, Fernando Ruiz Vergara deixou dezenas de esboços de filmes que nunca chegou a realizar. “Rocío”, obra amaldiçoada após uma censura judicial em plena democracia espanhola, foi a única que o cineasta andaluz pôde assinar. Em Caixa de Resistência damos continuidade aos filmes sonhados por Fernando como gesto de resistência.
Blog Archives
Jérémie regressa à sua cidade natal para o funeral do seu antigo patrão, o padeiro da aldeia. Decide ficar alguns dias com Martine, a viúva do homem. Um desaparecimento misterioso, um vizinho ameaçador e um padre com intenções suspeitas fazem com que a estadia curta de Jérémie na aldeia tome um rumo inesperado…
Liane, de 19 anos, atrevida e arrebatada, vive com a mãe e a irmã mais nova sob o sol de Fréjus. Obcecada pela beleza e pela necessidade de se tornar alguém, vê nos reality shows a possibilidade de ser amada. O destino parece finalmente sorrir-lhe quando faz audições para o programa “L’Île des Secrets”.
Aurora é uma trabalhadora portuguesa num armazém de e-commerce, em Glasgow. Em turnos irregulares, o seu trabalho consiste em ir buscar encomendas de prateleiras e registar os códigos de barras. Presa entre os confins do seu local de trabalho e um apartamento partilhado, Aurora sonha em escapar desta vida de salários esclavagistas e alienação social e encontrar um sentido para a sua vida. Marcado pelos azuis e cinzentos dos espaços industriais, o olhar persistente do filme mostra como as vidas dos trabalhadores são insignificantes perante forças económicas maiores e pinta um retrato íntimo e claro da precariedade financeira e social contemporânea.
A história segue Anton, cuja principal prioridade é completar a sua formação como oficial de cavalaria. Durante o treino, ordena ao seu pelotão que ajude um barão local e conhece a sua filha, Edith, que sofreu um acidente.
Vale Abraão é a história de Ema, mulher de uma beleza ameaçadora. Para Carlos, o marido, com quem casou sem amor, «um rosto como o seu pode justificar a vida de um homem». O seu gosto pelo luxo, as ilusões que tem da vida, o desejo que inspira aos homens, fazem-lhe valer o epíteto de «a Bovarinha». Conhecerá três amantes, mas esses amores sucessivos não conseguem suster um sentimento crescente de desilusão que a leva a definir-se como nada mais que «um estado de alma em balouço». Ema morrerá – «acidentalmente? Quem sabe?» – num dia de sol radioso, depois de se ter vestido como se fosse para ir a um baile. Cópia digital restaurada pela Cinemateca Portuguesa.
A história de um mistério, que se vai adensando numa catadupa de descobertas e revelações, à volta de uma mulher apaixonada e em apuros. Ela é actriz e quer fazer um filme amaldiçoado. Todo o universo de David Lynch, os jogos de espelhos, as ilusões, os fantasmas são convocados para Inland Empire, o seu filme mais perturbador desde Eraserhead. Parafraseando um crítico francês: “apertem os cintos”, vão iniciar uma viagem ao mundo delirante do mais intrigante cineasta da actualidade, conduzida pela sua mítica atriz Laura Dern.
Filho de refugiados, pequeno, pobre, nada parecia indicar que pudesse conquistar o sucesso. Mas com trabalho e uma perseverança incomum, Charles Aznavour tornou-se um monumento da canção, um símbolo da cultura francesa. Com centenas de canções, interpretadas em várias línguas, concertos no mundo inteiro, inspirou músicos de todas as gerações. Um filme que nos faz descobrir o percurso excepcional e intemporal de Aznavour.
H. P. Lovecraft e Fernando Pessoa estiveram entre os escritores mais influentes da primeira metade do século XX. Não se conheciam, apesar de terem vivido na mesma época, mas existe uma enorme complementaridade entre as suas vidas e obras. “Cartas Telepáticas” é um filme, cujas imagens foram criadas exclusivamente através de IA, em que se estabelece um diálogo entre as suas cartas e ensaios, poemas e ficções, uma correspondência imaginária entre os dois autores feita a partir dos seus textos, formando um novo universo da arte e das possibilidades literárias e fundindo o Sensacionismo de Pessoa com o Realismo Estranho de Lovecraft. Edgar Pêra regressa a Pessoa nesta prequela de “Não Sou Nada” com o uso pioneiro de ferramentas IA no cinema português.








