A Paisagem dos Festivais de Cinema em Portugal

A história dos festivais de cinema em Portugal tem origem fora das áreas metropolitanas, sendo recorrentemente lembrada a glória do Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz. São e foram eventos que pela sua natureza trouxeram diversidade e atualidade a territórios longe dos grandes centros de decisão. Tanto hoje, como ontem, a sua realização tornou-se um factor de desenvolvimento humano, social e educativo, sendo capaz de  aproximar territórios, condições sociais e níveis de fruição cultural. Isto é, de quebrar as assimetrias de desenvolvimento deste país, e assim tornar a arte mais acessível aos cidadãos, numa lógica de inclusão. No Séc. XXI, a concentração da produção destes eventos fixou-se com muita força nas áreas metropolitanas, e assim vê-se uma metropolização no acesso à cultura cinematográfica.

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À semelhança do que já acontecera nos apoios atribuídos pela DGARTES, os resultados do concurso a festivais de cinema em território nacional do ICA, publicados a meados de Fevereiro, vieram confirmar a tendência de financiar esmagadoramente, em 88,3%, os projectos desenvolvidos nas áreas metropolitanas. Nesse concurso, figuram nas 12 posições cimeiras, festivais exclusivamente realizados nas duas áreas metropolitanas. Um resultado que, a nosso ver, vem contrariar o espírito e os princípios e objetivos do Instituto do Cinema e Audiovisual, e as políticas que um Ministério da Cultura deveria fomentar, para promover equitativamente a acessibilidade dos públicos ao Cinema bem como o combate à iliteracia fílmica em todo o território nacional. 

O combate às brutais assimetrias do financiamento público ao desenvolvimento artístico-cultural é uma das nossas reivindicações centrais. Não podemos ser complacentes com a situação actual, no âmbito dos programas de apoio promovidos pelo Ministério da Cultura que consequentemente centralizam esmagadoramente o financiamento cultural nas regiões metropolitanas. Assim, visando esse combate formou-se um colectivo constituído pelos festivais realizados fora das áreas metropolitanas, que, coincidentemente, ficaram classificados nas últimas posições. A sua união, como colectivo, será a única forma de lutar de forma efectiva contra as assimetrias territoriais e por uma política cultural alargada a todo o território nacional.

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Acreditamos que uma política cultural que olhe para o país no seu todo, percebendo a qualidade de cada parte territorial, beneficiará todos os festivais de cinema, tornando mais rico o cenário de diversidade temática, e mais concreto o papel de cada festival, para a coesão territorial da sua região. Por outro lado, a pouca diversificação verificada nos apoios ao setor cultural, e a inexistência de reais políticas de incentivo ao mecenato cultural veio colocar a cultura no beco sem saída que hoje ecoa por toda a comunicação social. 

Consideramos que deve ser uma prioridade da política do Ministério da Cultura corrigir as assimetrias que este concurso de apoio à promoção de festivais de cinema em território nacional evidenciou com medidas concretas que permitam a sua boa realização,  permitindo-nos caminhar em direção a um status de igualdade com os festivais das áreas metropolitanas. 

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Caminhos do Cinema Português
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MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço