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O legado de Hiroshi Shimizu: Ciclo especial percorre os últimos anos da sua filmografia

A partir do dia 17 de abril, tem início o ciclo “Shimizu Tardio”, uma retrospectiva dedicada à obra final do realizador japonês Hiroshi Shimizu, figura importante do cinema clássico japonês. O programa reúne cinco longas-metragens realizadas entre 1956 e 1959, período que corresponde à fase de maior maturidade artística do cineasta.

Reconhecido pela sua abordagem humanista e pela sensibilidade com que retrata relações familiares, infância e marginalidade, Shimizu desenvolveu um estilo marcado pela fluidez da câmara, pela atenção ao quotidiano e por uma encenação de grande simplicidade formal e profundidade emocional. Contemporâneo de Yasujirō Ozu, o realizador distingue-se por uma obra que privilegia o gesto, o tempo e a observação das personagens, muitas vezes em contextos de fragilidade social e afetiva.

O ciclo programado por Miguel Patrocínio em Colaboração com a Stone and the Plot incide sobre um conjunto de filmes tardios que evidenciam uma depuração estética e uma abordagem mais introspectiva aos temas centrais da sua filmografia, como a memória, a perda e os laços humanos.

A sessão de abertura, no dia 17 de abril no Auditório Salgado Zenha, apresenta O Idiota Sentimental (Ninjô baka, 1956), um drama centrado numa cantora de cabaré e num homem que, obcecado por ela, compromete a sua vida ao tentar sustentá-la. O filme evolui para uma reflexão sobre culpa, redenção e sacrifício moral.

Segue-se Crianças à Procura de uma Mãe (1956), dia 25 de abril, uma obra profundamente marcada pelo tema da infância, onde acompanhamos a história de uma mulher que, ao procurar o filho desaparecido, acaba por encontrar um novo propósito num orfanato. O filme explora a necessidade de afeto e pertença, recorrente no cinema de Shimizu. 

O ciclo inclui também A Dançarina (1957), a adaptação literária que retrata tensões familiares e desejos reprimidos num ambiente urbano, destacando-se pela riqueza visual e pelo retrato de personagens femininas complexas, com sessões a partir do dia 02 de maio.

No dia 09 de maio, O Som do Nevoeiro (1956), Shimizu apresenta um melodrama contido sobre amor, memória e arrependimento, acompanhando um homem assombrado por uma relação do passado. A obra evidencia uma estrutura narrativa madura e uma encenação depurada.

O ciclo encerra com Imagem de uma Mãe (1959), o último filme da carreira do realizador, exibido a partir do dia 16 de maio centrado na relação entre um jovem rapaz e a memória da mãe falecida. Este derradeiro trabalho sintetiza os temas essenciais da sua obra, oferecendo um retrato comovente das dinâmicas familiares e da construção emocional da infância.

Com este ciclo, propõe-se ao público português a redescoberta de um autor fundamental, cuja obra continua a revelar uma extraordinária capacidade de observar e representar a complexidade das relações humanas com delicadeza e profundidade, reiterando simultaneamente o compromisso da Casa do Cinema de Coimbra na promoção de diferentes cinematografias, através da criação de oportunidades únicas de programação e descoberta.


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