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«Supervadios» vence Prémio de Melhor Ensaio Nacional no Caminhos

Uma que obra cativa «pela sua honestidade bruta e beleza de uma narrativa que sugere mais do que mostra, que nos faz ver para além do visível», na declaração oficial do júri.

O filme «Supervadios», de Ricardo Salgado, foi distinguido com o Prémio de Melhor Ensaio Nacional na Seleção Ensaios da 31.ª edição do  Festival  Caminhos do Cinema Português. A decisão partiu de um jurado composto por Alexandra Ferraz, Vítor Hugo Costa e Edgar Morais, responsáveis por avaliar os novos talentos do cinema português e internacional.

Na justificação do prémio, o júri destacou a convicção de que «a arte é, na sua essência, um acto de amor», sublinhando que o cinema «é muito mais do que a soma dos seus recursos técnicos». Para os jurados, «Supervadios» exemplifica-o de uma forma admirável. O filme impressiona pela capacidade de contar uma história «com criatividade e verdade», conseguindo tocar o público de forma profunda — um feito que consideram raro. Ricardo Salgado realizou o projeto recorrendo apenas a um telemóvel, gesto que o júri enalteceu como demonstração de que o cinema pode nascer da simplicidade e ainda assim atingir grande força artística.

Na categoria de animação, o júri atribuiu o Prémio Melhor Ensaio Nacional de Animação a «Mãe da Manhã», de Clara Trevisan. Descrito como uma animação em stop-motion de «rigor exemplar», o filme destaca-se pela «elevada atenção aos pormenores visuais e textura sonora exímia». A história de uma criatura mística que  ganha vida através da utilização inventiva de materiais não convencionais. Para o júri, a forma como o filme dá vida a esta figura — que, «Ao comer a noite, a manhã surge com uma luz de esperança em tempos de escuridão» é uma «uma experiência visual verdadeiramente cativante e envolvente».

«Mãe da Manhã», de Clara Trevisan

O júri atribuiu ainda uma Menção Especial ao filme «Um Adeus a Baco», de Margarida Kalinichenko e Vasco Souto. A obra foi considerada «impactante» e um «acto de partilha generoso», construído a partir de fotografias de um arquivo pessoal, acompanhadas por uma voz na primeira pessoa que expõe de forma crua e transparente uma história íntima marcada pela convivência com um problema que atravessa a sociedade. Os jurados, consideraram ser um «valoroso objecto artístico que é, simultaneamente, um gesto de coragem».

Com estas distinções, a Seleção Ensaios reafirma o seu papel central no Festival Caminhos como espaço privilegiado para a experimentação e para a revelação de novas perspectivas no cinema português e internacional. Os filmes premiados destacam-se não apenas pela qualidade técnica e narrativa, mas também pela sua capacidade de estabelecer com o público uma relação de proximidade e confiança, convidando-o a participar ativamente na construção do significado e na descoberta do que, em cada imagem, permanece para além do visível.

 

 

Juri da Seleção Ensaios

Espaço de descoberta e experimentação, a Seleção Ensaios apresenta obras que revelam novos talentos e linguagens emergentes do cinema português e internacional. O júri é composto por Alexandra FerrazVítor Hugo Costa e Edgar Morais, três olhares que aliam curadoria, pedagogia e prática artística, que atribuirão os prémios de Melhor Ensaio Nacional e Melhor Ensaio Nacional de Animação.

Alexandra Ferraz, programadora do IndieLisboa e responsável de aquisições da No Comboio, tem um percurso ligado à programação, distribuição e preservação cinematográfica. Vítor Hugo Costa, realizador e formador, é fundador da Metafilmes e coordenador do projeto educativo O Cinema Somos Nós, que promove o cinema como ferramenta de transformação social. Edgar Morais, realizador e ator, divide o seu percurso entre Portugal e os EUA, com filmes exibidos em Cannes, Veneza e Roterdão, distinguindo-se pela sua linguagem sensível e poética.  


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