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Última tarde da XXIV edição do Festival Caminhos

A última tarde do Festival Caminhos do Cinema Português começa com a sessão da Seleção Caminhos no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). “Entre o Verão e o Outono” de Maria Francisca Pinto, “Sleepwalk” de Filipe Melo, “Quando Pudermos” de Miguel Cardoso Faria e “Segunda-Feira” de Sebastião Salgado foram as curta metragens exibidas e, de forma a encerrar a sessão, foi exibida a longa metragem “À Tarde” de Pedro Florêncio. Recetivos às questões do público, estiveram presentes Filipe Melo, realizador de “Sleepwalk”, e Rui Mendes, produtor de “À Tarde”.

A curta metragem “Sleepwalk” foi inspirada a partir de uma banda desenhada do próprio realizador. Filipe Melo, músico de profissão, diz que o filme “foi feito com poucos meios, filmado em 2 dias, com cenários já existentes e com atores amadores”, mas que consegue transmitir a sua mensagem ao público da forma que pretendia.

O filme passa-se nos anos 80, entre Arizona e Texas, nos Estados Unidos da América, onde a personagem principal procura, de forma intensa, uma tarte de maçã única. O seu fim é uma mensagem para o público, para que este “faça o seu máximo para conseguir abordar o assunto demonstrado”, acrescenta o realizador, não querendo fazer qualquer tipo de spoiler a quem ainda não tenha visto.

À Tarde” é uma longa metragem de Pedro Florêncio, que conta quase uma história apenas através de imagem, movimentos, sons e praticamente sem falas. Inicia o filme com o começo de uma tarde – com crianças a brincar num pátio de uma escola – e termina com o céu a escurecer. Este último plano é o que dura mais, nem todos do público percebem toda a sua ideia, mas uma espetadora confessa que “eu estava nos meus pensamentos, ou seja, era um encerramento que fazia sentido dentro da continuidade do filme”.

Até Rui Mendes, produtor do filme, disse ao público que este último plano “deixa a liberdade fluir entre o público. Podíamos voar como aqueles aviões que passaram, passamos nós a ser os prisioneiros a olhar para o céu”.  Este filme é “para ser visto num ecrã de cinema” para que o espetador fique preso ao que vê, pense e reflita.

Andreia Nogueira