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Ler Lolita em Teerão (Eran Riklis, Drama, 108′, 2024)

Enquanto a polícia da moralidade Islâmica encena rusgas arbitrárias em Teerão e os fundamentalistas religiosos tomam as universidades de assalto, Azar Nafisi reúne secretamente na sua sala algumas das suas alunas mais empenhadas para ler clássicos da literatura ocidental. Desacostumadas a dizerem o que lhes vai na alma, depressa removem os seus véus e constrangimentos e as suas histórias começam a cruzar-se com as das heroínas dos romances de Nabokov, F. Scott Fitzgerald, Henry James e Jane Austen. Neste espaço protegido, podem sonhar, desejar e amar, em contraposição à perseguição política, moral e pessoal de que são reféns na sua realidade diária. 

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Rosa de Areia (António Reis e Margarida Cordeiro, Drama, 80′, 1989)

Rosa de Areia parte de uma série muito diversificada de textos, desde o Atharva Veda, um dos livros canónicos do hinduísmo, a ensaios de Michel de Montaigne ou escritos da própria Margarida Cordeiro. No interior dessa enorme teia, reflete sobre a condição humana desde tempos antigos até ao presente – estratificação temporal simbolizada pela rosa-da-areia, uma formação geológica que resulta da ação combinada da água, do vento e da areia. Além dessas fontes, o filme decorre também diretamente darealidade física de Trás-os-Montes. Baseando-se naquilo que descrevem como a “imaginação prática” das gentes da região, os realizadores trabalham com matérias e elementos que ecoam os seus lavores e ofícios. Partindo da vida material destas comunidades, efabulam uma narrativa que vai muito para além delas, convocando outros atores e paisagens. 

Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

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Trás-os-Montes (António Reis e Margarida Cordeiro, Drama/Documentário, 111′, 1976)

“Nove meses de Inverno. Três de inferno.” Este dito popular ecoava na memória descritiva que António Reis escreveu depois de uma ida a Trás-os-Montes, no final dos anos 1960. Haveria de lá regressar anos depois, com Margarida Cordeiro, para aí realizarem Trás-os-Montes, o seu primeiro filme, um grande fresco sobre o nordeste transmontano. Fruto de uma admiração e estudo profundos da região, das suas gentes e paisagens, produzido com um orçamento reduzido e com a ajuda directa das populações que o protagonizam, o filme implicou, nas palavras de Reis, “uma luta corpo-a-corpo com formas ancestrais e modernaças, entre lobos e Peugeot 504, entre arados neolíticos e botijas de gás”. Ali encontramos tempos e dimensões distintas, nummundo em que vida e arte se confundem. Retratando uma região pelos olhos e pelas histórias das suas crianças, mulheres e anciães, numa época em que Trás-os-Montes se esvaziava pela emigração, este filme surge como obra de referência e influência maior na história do cinema português. 

Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

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Ana (António Reis e Margarida Cordeiro, DRAMA, 115′, 1983)

A segunda parte do tríptico rodado em Trás-os-Montes por Margarida Cordeiro e António Reis, Ana, tem como protagonista uma matriarca interpretada pela própria mãe de Cordeiro. Esta figura encaminha-se sem medo para a própria morte, tendo entre os seus últimos cuidados pedir que alimentem a sua amada vaca Miranda, uma criatura gentil que toma o nome da histórica cidade transmontana, eco de uma unidade perdida entre humanos e natureza, em que se cruzam o celestial e o terreno, o novo e o ancestral. No filme figura também a filha dos realizadores, Ana Cordeiro Reis, que surge ali ainda criança – anunciando assim a estrutura circular do filme e o seu percurso pelos caminhos do nascimento, da vida e da morte. Acompanhando um grupo de etnógrafos numa visita à região, Ana capta, através do olhar e dos sonhos de uma criança, coisas tão mágicas e belas como a decomposição da luz através de um prisma, a chegada de uma troupe de circo depois da doença, ou uma tarde de descanso no meio do Verão. 

Cópia digitalizada pela Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

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Lucefece (Ricardo Leite, Documentário, 86′, 2023)

Filmado em película e revelado manualmente pelo realizador durante mais de 20 anos, Lucefece mistura visões pessoais, políticas e míticas da realidade: exorcizando velhos fantasmas. O filme reúne os géneros documentário, ensaio cinematográfico e autobiografia. Histórias da infância do realizador entrelaçam-se com conversas com o pai — que combateu na guerra colonial portuguesa em Angola e que mais tarde foi preso — preparando o cenário para uma profunda reflexão sobre o mundo atual. Como uma cobra, o filme serpenteia pelo tempo, um eterno retorno. 

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Contos do Esquecimento (Dulce Fernandes, Documentário, 63′, 2023)

Achados arqueológicos recentes em Lagos, no sul de Portugal, revelaram o passado esquecido do papel de Portugal no tráfico transatlântico de africanos escravizados. Invocando a distância entre o que queremos esquecer e a urgência da memória, Contos do Esquecimento é um território de revelação do passado no presente.

O filme é antecedido pela exibição da curta-metragem:

Time to Change (Pocas Pascoal, DOC/EXP, 6′, Portugal/Angola, 2024)

A realizadora e argumentista angolana Pocas Pascoal lembra-nos que é hora de mudar, propondo através deste filme um olhar sobre o colonialismo, o capitalismo e o seu impacto na biodiversidade global. Observamos que a destruição do ecossistema remonta a um tempo anterior, estando já em curso através das ações de exploração da terra, da caça grossa e da exploração do homem pelo homem. 

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A Vida Luminosa (João Rosas, Drama, 106′, 2025)

Primavera em Lisboa e Nicolau faz 24 anos, mas não festeja. A viver em casa dos pais refém de um sonho de ser músico que não se concretiza e preso à imagem ideal de uma ex-namorada que o deixou há um ano e não voltou a rever, Nicolau sente-se incapaz de andar para a frente e inventar uma vida que seja sua. Vai tendo biscates que não lhe permitem sair de casa dos pais, até ao dia em que descobre que também a mãe está tão insatisfeita com a vida como ele. Nicolau sofre um abalo, mas não cai. Pelo contrário, avança. Arranja emprego numa papelaria, muda-se para uma casa partilhada, e lá se põe então a vida de novo em movimento. E com ela os sonhos e o coração. Lá à frente, uma rapariga e uma ilha. 

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Pote de Ouro: Nos Copos Com Shane Macgowan (Julien Temple, Documentário, Biografia, 124′, 2020)

O documentário definitivo sobre o ícone da música irlandesa, Shane MacGowan, que explora a vida selvagem e errante do poeta punk mais amado da Irlanda. Nesta exploração cinematográfica, mergulhamos na existência explosiva de Shane, desde os seus dias de juventude na Irlanda até à sua jornada pelas ásperas ruas de Londres e a sua imersão na cena punk. Desde a formação dos The Pogues até à conquista do universo, descobrimos as paixões de MacGowan, o seu humor e o profundo conhecimento de música, história, espiritualidade e cultura popular. Esta é uma visão do mundo através dos olhos do grande poeta punk com um elenco íntimo de amigos próximos e familiares (como Johnny Depp, Bobby Gillespie ou Gerry Adams), através da lente inimitável e eternamente vibrante de Temple. “Filmar Shane é como voar através de um arco-íris radioativo, mas no final há um “pote de ouro” à espera de ser descoberto por aqueles que se esforçam o suficiente. Daí o título do filme, que é inspirado na antiga lenda irlandesa de mesmo nome”, afirma o realizador Julien Temple. 

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Mississipis (António-Pedro, Documentário, 86′, 2024)

No interior de Portugal, grupos de desconhecidos encontram-se numa viagem artística e existencial: a criação de um espetáculo que cruza dança contemporânea com dança tradicional. O realizador faz parte destes encontros que filma ao longo de dez anos: convoca memórias, dialoga com a vida, espreita para o insondável de si próprio e de cada personagem. Tentando segurar o tempo, MISSISSIPIS é um manifesto sobre a importância vital do encontro – com os outros mas também de cada um consigo próprio. 

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