«Um prémio, que não vem a propósito de nada, a não ser de uma memória dos filmes em que participei»

Na abertura da 30.ª Edição do Festival Caminhos do Cinema Português, num discurso emotivo, Luís Miguel Cintra valorizou a entrega do  Prémio Ethos afirmando que «o que interessa muito é o que me deixam deixar aos outros depois da minha passagem por este mundo».

O XXX Festival Caminhos do Cinema Português iniciou-se no sábado, dia 16 de novembro, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra. O arranque da sua 30.ª edição, aconteceu com uma homenagem ao ator e encenador Luís Miguel Cintra, e celebrou a herança e a importância cultural do festival

Isabel Ruth, atriz consagrada e parceira artística de longa data de Luís Miguel Cintra, foi responsável pela entrega da distinção. Num discurso comovido Isabel Ruth destacou a importância do reconhecimento na vida de um artista: «Estou mesmo comovida, sabes? Faz de conta que estamos aqui só nós os dois. Aquilo que conta para mim és tu».”

Luís Miguel Cintra, visivelmente tocado pela homenagem, refletiu sobre a sua carreira e a sua relação com o cinema e o teatro, numa partilha franca e intimista com a plateia.

Estou mais comigo próprio ou mais a conhecer um mundo que não conhecia. E isso, interessa-me. Interessa-me porque estou vivo.

«Uma sessão como a de hoje sabe-me a voltar atrás no tempo», confessou, enquanto sublinhava a importância de deixar um legado significativo: «O que me interessa muito é o que me deixam deixar aos outros depois da minha passagem por este mundo».

Sobre a sua filmografia, e a propósito do livro que escreveu a convite do Caminhos, Luís Miguel Cintra ficou muito emocionado pelo prémio Ethos, «que não vem a propósito de nada, a não ser de uma memória dos filmes em que participei. E tenho consciência de que os filmes em que participei são muitos, mas são, em geral, de boa qualidade».

«Cheguei à conclusão que fiz quase 100 filmes. É uma brutalidade, não tinha dado por isso. Claro que nesses 100 filmes, há alguns em que tenho uma pequena participação: uma aparição de voz sem estar presente, por exemplo, mas que também contaram na primeira contagem, dos 97 a que cheguei».

E aceitou o desafio do Caminhos porque lhe apetecia escrever sobre as lembranças relativas a esses filmes todos. «Confesso que é uma das coisas que me dá prazer é de olhar para ali e não ter qualquer espécie de problema em dizer bem de um, mal de outro, contar uma trica que aconteceu em relação a um dos filmes, porque aquilo também foi uma vida para mim», afirmou o homenageado.

No início da cerimónia, o diretor do festival, Tiago Santos, destacou o esforço contínuo em aproximar o público do cinema português, apresentando uma programação que reúne obras consagradas internacionalmente e produções que refletem a diversidade e a criatividade do cinema nacional.

«A homenagem não se cinge a hoje e agora. É um reflexo da herança e da resistência deste festival ao longo de três décadas».

O Festival Caminhos do Cinema Português, em exibição até 23 de novembro em diversos espaços de Coimbra e localidades como Penacova, Mealhada, Coruche e Figueira da Foz, reafirma o seu compromisso em celebrar e promover o cinema português, proporcionando um espaço de encontro entre criadores, obras e público.

 

 

Sobre o Festival

Criado em 1988, o Festival Caminhos do Cinema Português é o único festival dedicado exclusivamente à produção cinematográfica nacional, destacando-se como uma plataforma essencial de valorização e difusão do cinema português. Toda a informação em caminhos.info.


Discover more from Caminhos do Cinema Português

Subscribe to get the latest posts sent to your email.