Ouro e Cinza
GOLD & ASHES
Informações Essenciais
Realização
Salomé Lamas
País
PRT
Ano
2025
Duração
01:16:00
Género
FIC
Idioma
PT
ID: 31CCP-838
Produção
Argumento
Salomé Lamas, Isabel Pettermann (plano concreto) Isabel Ramos (plano abstrato), Frédéric Neyrat
Elenco
LUÍSA CRUZ, MARGARIDA VILA-NOVA
Produtores
Luís Urbano/Sandro Aguilar
Distribuição
O Som e a Fúria
Sinopse
O nosso primeiro objecto de investigação e cuidado deve ser a vida. Sabemos a razão para isso, pois somos seres vivos numa situação em que as condições de vida estão em perigo. O que não tem lugar neste discurso ecológico é a morte. A dificuldade de reconhecer a morte não é nada de novo, mas, na nossa situação contemporânea, ela tem um novo rosto. Ouro e Cinza ultrapassa a representação para se tornar num acto íntimo de escavação que se propõe mediar—material, política e metafisicamente—a re-apropriação da morte como um poder e a nossa soberania como seres mortais nas esferas privada e social.
Synopsis (English)
GOLD & ASHES follows Carmo and her adult daughter, Irma, who share a deep but complex bond, shaped by their opposing personalities and their inability to truly communicate. As Carmo ages, they are confronted with the urgency of understanding and accepting one another. The narrative unfolds on two levels: the tangible, where their relationship remains cold and Carmo gradually withdraws from life, and the abstract, where their thoughts on existence – how bodies and minds are shaped by concepts – are verbalized in a symbolic universe. This device allows Salomé Lamas to infuse this film where philosophical reflections challenge traditional narrative conventions with both intellectual and emotional intensity.
Biografia – Realizador
Salomé Lamas é uma cineasta, artista visual e educadora portuguesa. Nos últimos quinze anos e com uma produção constante de mais de trinta projetos, o trabalho de Salomé Lamas tem sido contextualizado nos estudos da cultura visual, estudos artísticos e estudos de cinema, sendo exibido e distribuído internacionalmente nas áreas do cinema e da arte contemporânea. Ela tem vindo a desenvolver uma prática artística que explora a relação intrínseca entre a representação e o poder narrativo da realidade social, propondo ao mesmo tempo algo diferente. À volta, mas não para além, do real: para além, mas não ao lado, do ficcional. Para se referir aos esforços de expandir esse interstício, ela denomina o seu trabalho como paraficções de prática crítica de media. Com uma formação mista em cinema e artes visuais, e uma investigação informada por uma epistemologia crítica, transnacional e subjetiva, focada nas possibilidades abertas pelo pensamento ecológico, bem como na ligação entre a praxis artística, as mutações económicas e estéticas e a filosofia contemporânea, ela tem sido desafiada a seguir uma única orientação ou a combiná-las na sua ação enquanto artista/cineasta, mas também como educadora, em vários contextos, níveis e geografias. O ethos multidisciplinar que sustenta o seu trabalho artístico desafia continuamente os limites da narrativa visual, para fomentar diálogos críticos que levam o público a confrontar as complexidades da experiência humana e dinâmicas societais mais amplas, focadas na migração, no pós-colonialismo e numa crítica ao capitalismo. Esta prática baseada em investigação perpetua um legado de inquérito intelectual e inovação artística e aborda criticamente os papéis sociais e económicos da produção de media, nas fases de desenvolvimento, produção, exibição, distribuição e arquivo, com resultados que vão desde filmes e instalações audiovisuais a publicações.
Biography – Director (English)
Salomé Lamas is a Portuguese filmmaker, visual artist and educator. For the last fifteen years and with a steady production of more than thirty projects Salomé Lamas’ work has been contextualized in visual culture, artistic studies, and film studies, exhibited, and distributed internationally in the fields of cinema and contemporary art. She has been developing an artistic practice which explores the embedded relation between representation and the narrative power of social reality while proposing something different. Around, but not beyond, the real: beyond, but not besides, the fictional. To address the efforts to expand such interstice she refers to her work as critical media practice parafictions. With a mixed background in cinema and visual arts, and a research informed by critical epistemology, transnational and subjective, focused on the possibilities opened up by the ecological thought, as well as the connection between artistic praxis, economic, aesthetic mutations, and contemporary philosophy, she’s been challenged to comply to a single orientation or to combine them in her action as an artist/filmmaker, but also as an educator, in various contexts, levels and geographies. The multidisciplinary ethos underpinning her artistic endeavor, continually challenges the boundaries of visual narrative, to foster critical dialogues that prompt audiences to confront the intricacies of the human experience and broader societal dynamics, focused on migration, post-colonialism, and a critique of capitalism. This research-based practice perpetuates a legacy of intellectual inquiry and artistic innovation and approaches critically the social and economic roles of media production, in the stages of development, production, exhibition, distribution and archive with outcomes ranging from films, audiovisual installations and publications.
Statement / Declaração
Ouro e Cinzas ergue-se sobre dualidades [ontológico-epistemológicas] internas e externas, refletidas nas personagens, mas também no tempo e no espaço onde a ação decorre. A estrutura gira em torno de um plano concreto e de um plano abstrato, como uma referência à subjetividade humana. É interpretado por duas atrizes: a) Uma mãe e uma filha, no plano concreto. b) Duas entidades desconectadas (sem certeza se cientes uma da outra), no plano abstrato. Enquanto a narrativa do plano concreto transmite uma esfera social delineada por modelos e convenções de comunicação complexos (como a parentalidade), mas também sublinhando uma realidade construída (um desenho habitado) que contém buscas existenciais; o plano abstrato exibe uma espécie de “labirinto” mental com um texto para-filosófico que aborda a relação das personagens, revelando dinâmicas de poder, emoções humanas conflituosas e traça um paralelo com a relação da humanidade com o planeta Terra — uma realidade produto de articulações simbólicas e imaginárias, danificada pela perda do social, do político e do espiritual. No geral, a obra desenrola-se em torno de sistemas cognitivos, modelos societais e paradigmas civilizacionais, e utiliza uma abordagem que reconhece a evolução humana, simultaneamente delineando as limitações humanas para seguir as poéticas e políticas relacionais de duas grandes narrativas: [a]naturalismo, anticonstrutivismo — o mito da nossa atual época geocronológica [Antropoceno]; compelida por duas perspetivas intemporais: progresso e apocalipse — questionando a nossa capacidade de reconstruir e pilotar a Terra para longe de desastres socioecológicos e mostrando o que significa apreciar a Terra [mas também a humanidade] como um devir irreplicável — uma trajetória que não pode ser replicada, refeita ou dominada.
Statement / Declaration (English)
Gold and Ashes is erected upon internal and external [ontological-epistemological] dualities reflected in the characters but also in the time and space where the action is set. It is structured around a concrete plane and an abstract plane, as a reference to human subjectivity. It is played by two female actresses. a) A mother and a daughter in the concrete plane, b) two disconnected entities (not sure if aware of each other) in the abstract plane. While the concrete plane plot conveys a social sphere outlined by complex communication models and conventions (such as kinship), but also underlining a constructed reality (an inhabited drawing) that holds existential quests; the abstract plane displays a sort of mental ‘labyrinth’ with a para-philosophical text that addresses the relationship of the characters, unveiling power dynamics, conflicting human emotions and draws a parallel on humanity’s relation to planet earth, a reality product of symbolic and imaginary articulations, damaged by loss of the social, political and spiritual. Overall, it unfolds around cognitive systems, societal models and civilizational paradigms, and uses an approach that acknowledges human evolution, simultaneously outlining human limitations to follow the poetics and relational politics of two grand narratives: [a]naturalism, [anti](eco-geo) constructivism — the myth of our current geochronological epoch [Anthropocene]; compelled by two timeless perspectives: progress and apocalypse — questioning our ability to rebuild and pilot the Earth away from socio-ecological disasters and showing what it means to appreciate the Earth [but also humanity] as an irreplaceable becoming — a trajectory that cannot be replicated, remade or mastered.
Equipa Técnica de Realização
Fotografia / Cinematography
PEDRO J. MÁRQUEZ
Montagem / Editing
SALOMÉ LAMAS, FRANCISCO MOREIRA, JOÃO MARTINHO
Sessões de Exibição / Screenings
| Data | Dia | Hora | Local | Legendas |
|---|---|---|---|---|
| 17/11/2025 | SEG | 21:00 | CCC | PT |
Teatro Académico de Gil Vicente
Casa do Cinema de Coimbra / Auditório Municipal de Penacova / Cine-Teatro Messias
Informação sobre Bilhetes
Os bilhetes podem ser adquiridos online através dos links acima ou presencialmente nos locais de exibição, sujeito a disponibilidade.
Tickets can be purchased online through the links above or at the venues, subject to availability.
alt=”Still de Ouro e Cinza” width=”100%” />