O Primeiro Siza
The First Siza
Cartaz Promocional
Informações Essenciais
Realização
Sara Nunes
País
PRT
Ano
2025
Duração
60′
Género
DOC
Idioma
PT
ID: 31CCP-562
Produção
Argumento
João Rapagão e Sara Nunes
Produtores
Building Pictures
SARA NUNES
Sinopse
A partir do reencontro, 60 anos depois, entre o arquitecto e Fernando Neto, seu primeiro cliente e proprietário de uma das casas em Matosinhos, o filme revela como este projecto foi decisivo na sua carreira. Com entrevistas a Siza, aos habitantes das casas e ao crítico Francesco Dal Co, bem como imagens actuais e de arquivo, a narrativa mostra de que forma a arquitectura e a vida dos moradores se entrelaçam ao longo do tempo.
Synopsis (English)
Through the reunion, 60 years later, between the architect and Fernando Neto — his first client and owner of one of the houses in Matosinhos — the film reveals how this project was pivotal in Siza’s career. Featuring interviews with Siza, the residents, and critic Francesco Dal Co, as well as current and archival footage, the narrative explores how architecture and the lives of its inhabitants become intertwined over time.
Biografia – Realizador
Sara Nunes nasceu em 1985, em Lisboa. Obteve o grau de Mestre em Arquitetura em 2009, pela Escola Superior Artística do Porto e pela Universität Kassel (Alemanha). Trabalhou durante dois anos em Madrid como arquiteta (2011-2012) no atelier Ensamble Studio.
Foi em Madrid que desenvolveu uma paixão pelo cinema e, em 2013, regressou a Portugal, onde fundou uma produtora cinematográfica focada na arquitetura: BUILDING PICTURES (www.buildingpictures.pt), tendo produzido mais de 300 curtas-metragens até 2021.
Em 2022, estreou o documentário “WoodStories” na Casa da Arquitetura (Porto), disponível na plataforma de streaming “Caixa Forum+”. O filme conta com os arquitetos Carlos Azevedo, Diogo Aguiar, Diogo Zenha Morais, Francisco Vieira de Campos, Graça Correia, João Luís Carrilho da Graça, João Mendes Ribeiro, Laura Lupini, Luís Sobral e Manuel Aires Mateus. O documentário foi selecionado por festivais no Japão, Turquia, Suécia, Brasil e Hungria, e venceu os Loop Design Awards.
Em junho de 2023, estreou no Cinema Batalha o documentário “De Volta à Cidade”, sobre a reabilitação do mercado mais importante do Porto — o Mercado do Bolhão — e a forma como este edifício impactou positivamente os comerciantes, os utentes e a cidade. Foi selecionado por festivais de cinema na Bulgária e na Grécia.
Em maio de 2024, recebeu o Prémio Inovação em Arquitetura, no Auditório do Museu de Serralves, dos prémios Forma.
Sara Nunes encontra-se a trabalhar em projetos cinematográficos de alto perfil, incluindo o documentário “O Primeiro Siza”, que explora a primeira obra de Álvaro Siza Vieira e que acaba de ter a sua pré-estreia no Museu de Serralves. Para além deste, está a desenvolver o documentário “In the Age of Cities”, que oferece uma visão do futuro das cidades, contando com arquitetos, artistas e designers como Ana Aragão, Gilles Retsin, Guta Moura Guedes, Iñaqui Carnicero, Mario Cucinella e OODA. Está também a trabalhar no filme “The Flying Photographer”, sobre o fotógrafo de arquitetura Fernando Guerra, e começou recentemente a desenvolver um documentário sobre Eduardo Souto de Moura.
Em outubro de 2024, Sara iniciou o seu doutoramento em Comunicação de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Madrid (ETSAM).
Biography – Director (English)
Sara Nunes was born in 1985 in Lisbon. She obtained a Master’s degree in Architecture in 2009 from the Escola Superior Artística do Porto and the Universität Kassel (Germany). She worked for two years in Madrid as an architect (2011-2012) at the Ensamble Studio atelier. In Madrid, she developed a passion for cinema and, in 2013, returned to Portugal, where she founded a film production company focused on architecture: BUILDING PICTURES (www.buildingpictures.pt), producing over 300 short films until 2021. In 2022, she premiered the documentary “WoodStories” at Casa da Arquitetura (Porto), available on the streaming platform “Caixa Forum+”. The film features architects Carlos Azevedo, Diogo Aguiar, Diogo Zenha Morais, Francisco Vieira de Campos, Graça Correia, João Luís Carrilho da Graça, João Mendes Ribeiro, Laura Lupini, Luís Sobral, and Manuel Aires Mateus. The documentary was selected by festivals in Tokyo, Turkey, Sweden, Brazil, and Hungary, and won the Loop Design Awards. In June 2023, she premiered the documentary “De Volta à Cidade” at Cinema Batalha, about the rehabilitation of the most important market in Porto: Mercado do Bolhão, and how this building has positively impacted traders, users, and the city. It was selected by film festivals in Bulgaria and Greece. In May 2024, she received the Innovation in Architecture Award at the Serralves Museum Auditorium from the Forma awards. Sara Nunes is working on high-profile cinematic projects, including the documentary “O Primeiro Siza”, which explores Álvaro Siza Vieira’s first work and has just had its pre-premiere at the Serralves Museum. In addition to this, she is developing the documentary “In the Age of Cities”, which offers a vision of the future of cities, featuring architects, artists, and designers such as Ana Aragão, Gilles Retsin, Guta Moura Guedes, Iñaqui Carnicero, Mario Cucinella, and OODA. She is also working on the film “The Flying Photographer”, about architectural photographer Fernando Guerra, and has recently begun developing a documentary about Eduardo Souto de Moura. In October 2024, Sara began her PhD in Architecture Communication at the Faculty of Architecture of Madrid (ETSAM).
Statement / Declaração
Nunca pensei em fazer um documentário sobre Álvaro Siza. Perguntava-me a mim mesmo: o que poderia eu acrescentar que já não tivesse sido dito sobre um dos arquitetos mais influentes do século XX? No entanto, tudo mudou quando fui desafiado pelo arquiteto João Rapagão a filmar o reencontro entre Siza e Fernando Neto, o seu primeiro cliente, nas Quatro Casas – a sua primeira obra, um marco fundamental na sua carreira.
Este reencontro revelou uma dimensão profundamente humana, nunca antes explorada: a relação entre o arquiteto e o seu primeiro cliente, as memórias e o significado dessa obra, 60 anos depois. Foi a partir desse momento que percebemos que havia uma história única para ser contada, e foi assim que O Primeiro Siza nasceu.
O documentário não é apenas sobre revisitar o passado ou examinar uma obra seminal de Siza. Ele mergulha nas Quatro Casas como um espaço onde o tempo se funde com as experiências humanas, transformando a arquitetura numa ligação viva entre o projeto e as pessoas que o habitam.
O que mais me impressionou durante o processo de filmagem foi a forma como a obra se entrelaçou com as histórias de vida dos moradores, criando uma relação contínua e simbiótica entre o espaço e as pessoas. Cada elemento da casa, desde as escadas ao portão, transporta um pedaço de história pessoal – um nascimento, uma relação, uma brincadeira, um concerto. Não se trata apenas de paredes ou telhados; trata-se de como estes espaços abraçam momentos únicos e significativos, capazes de moldar e dar forma às vidas dos habitantes.
O que me surpreendeu profundamente foi também a forma como o processo de conceção e construção, com as suas tensões e contradições, contribuiu para a identidade da obra. Como o dilema da escada, que os carpinteiros receavam ser insegura, ou o conflito sobre a varanda, rejeitada por Siza, mas defendida pela família. Estas pequenas mas significativas negociações, estes desafios, transformaram a obra num verdadeiro laboratório de experimentação formal e construtiva. As Quatro Casas tornaram-se um espaço experimental que refletiu não apenas a visão de Siza, mas também a interação constante e as escolhas feitas em colaboração com os residentes.
O Primeiro Siza não é apenas um documentário sobre a primeira obra de um grande arquiteto; é uma reflexão sobre como a arquitetura e as pessoas se entrelaçam, sobre como o espaço pode ter um impacto profundo nas vidas, nas memórias e nas relações. A história que conta não é apenas sobre um projeto, mas sobre um processo, escolhas feitas, desafios enfrentados e uma obra que foi, e continua a ser, o reflexo da vida humana no seu interior.
Esse é o legado que eu quis explorar, aquele que me levou a mergulhar na história das Quatro Casas – não como um observador distante, mas como alguém que, através da câmara, tem o privilégio de testemunhar como a arquitetura se torna um meio de integração entre o construído e as experiências humanas.
Hoje, quando a crise habitacional domina as discussões e falamos constantemente em números – quantas casas são necessárias, quantas habitações vamos construir –, acredito que devemos, acima de tudo, questionar que tipo de experiências queremos proporcionar nas casas que estamos a construir. Habitar não é apenas uma questão de número de unidades, mas do impacto que estes espaços terão na vida das pessoas, nas suas histórias, nas suas relações. As Quatro Casas mostram como a arquitetura pode ser muito mais do que uma simples solução habitacional.
Statement / Declaration (English)
I never thought of making a documentary about Álvaro Siza. I asked myself: what more could I add that hasn’t already been said about one of the most influential architects of the 20th century? However, everything changed when I was challenged by architect João Rapagão to film the reunion between Siza and Fernando Neto, his first client, at the Four Houses– his first work, a key milestone in his career. This reunion revealed a profoundly human dimension, never before explored: the relationship between the architect and his first client, the memories, and the meaning of that work, 60 years later. It was from that moment that we realized there was a unique story to be told, and that’s how O Primeiro Siza came to be. The documentary is not just about revisiting the past or examining a seminal work of Siza. It delves into the Four Houses as a space where time merges with human experiences, transforming architecture into a living link between the design and the people who inhabit it. What impressed me most during the filming process was how the work intertwined with the life stories of the residents, creating an ongoing and symbiotic relationship between the space and the people. Every element of the house, from the stairs to the gate, carries a piece of personal history – a birth, a relationship, a game, a concert. It’s not just about walls or roofs; it’s about how these spaces embrace unique and meaningful moments, capable of shaping and giving form to the lives of the inhabitants. What surprised me deeply was also the way the design and construction process, with its tensions and contradictions, contributed to the identity of the work. Like the dilemma of the staircase, which the carpenters feared was unsafe, or the conflict about the balcony, rejected by Siza but defended by the family. These small but significant negotiations, these challenges, turned the work into a true laboratory for formal and constructive experimentation. The Four Houses became an experimental space that not only reflected Siza’s vision but also the constant interaction and choices made in collaboration with the residents.
O Primeiro Siza is not just a documentary about the first work of a great architect; it’s a reflection on how architecture and people intertwine, how space can have a profound impact on lives, memories, and relationships. The story it tells is not just about a project, but about a process, choices made, challenges faced, and a work that was, and continues to be, the reflection of human life within it. That is the legacy I wanted to explore, the one that led me to dive into the story of the Four Houses – not as a distant observer, but as someone who, through the camera, has the privilege of witnessing how architecture becomes a means of integration between the built and human experiences. Today, when the housing crisis dominates discussions and we constantly talk in numbers – how many homes are needed, how many houses we are going to build – I believe we should, above all, question the kind of experiences we want to provide in the houses we are building. To inhabit is not just about the number of units, but the impact these spaces will have on the lives of people, their stories, their relationships. The Four Houses show how architecture can be much more than just a housing solution –
Equipa Técnica de Realização
Música / Music
Bruno Ferreira (Original)
Sessões de Exibição / Screenings
| Data | Dia | Hora | Local | Legendas |
|---|---|---|---|---|
| 17/11/2025 | SEG | 17:15 | TAGV | EN |
| 18/11/2025 | TER | 21:30 | CTT |
Teatro Académico de Gil Vicente
Informação sobre Bilhetes
Os bilhetes podem ser adquiridos online através dos links acima ou presencialmente nos locais de exibição, sujeito a disponibilidade.
Tickets can be purchased online through the links above or at the venues, subject to availability.
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