Exibição Exhibition

Selecção Outros Olhares – Curtas Metragens
Cinema Avenida
14/11/2020, 21:45

Reposição – Turno da noite

14/11/2020, 23:30

País de Origem Origin Country Portugal
Duração Runtime 00:08:50

Tipo de Projecto Project Type Experimental, Short

Idioma e Legendagem Language and Subtitling

Legendas Subtitles Portuguese / English

The Kiss

Imagem de
Sinopse Original Original Sinopsis

O filme “The Kiss” de William Heise, de 1896, é publicitado no catálogo de filmes de Edison como algo inesquecível: “they get ready to kiss, begin to kiss, and kiss and kiss and kiss in a way that brings down the house every time.” Um filme sobre um beijo, um escândalo para a altura. Este não é esse filme, mas também é sobre um beijo.

Sinopse Internacional Sinopsis

William Heise’s “The Kiss,” from 1896, is marketed in Edison’s film catalogue as an unforgettable film: “they get ready to kiss, begin to kiss, and kiss and kiss and kiss in a way that brings down the house every time.” A film about a kiss, a scandal for its time. This is not that film, but it’s also about a kiss.

Mensagem do Realizador Director Statement
Numa espécie de desafio ou subversão da moral do obsceno e do sexo explícito, decidi criar um filme que recorresse a vários filmes pornográficos hardcore, utilizando apenas planos de beijos, numa referência a um dos primeiros filmes comerciais da história do cinema, The Kiss, de William Heise (1896), escandaloso para a altura por representar um beijo explícito no grande ecrã. Linda Williams, em Screening Sex (Duke University Press, 2008) defende que, de certa maneira, terá sido o primeiro filme pornográfico.

Williams analisa a insistência do acto sexual no cinema e a sua relação com a pornografia, e põe na linha da frente a relação entre a revelação e ocultação do acto sexual nos filmes. A partir dessa análise, questiono se este jogo entre o ver e o não ver, o que está fora de cena (ob-sceno) e o que aparece no plano, esta ideia de que é preferível deixar algo à imaginação em vez de mostrar tudo, não será produto da moral que explorámos nos capítulos anteriores, aliado à excitação clandestina do fruto proibido? Como Foucault pensa o paradoxo entre a imensa produção de discurso sobre sexo e o seu encobrimento como segredo, também é interessante a possível ligação paradoxal entre a tentativa de remeter as representações do sexo à escuridão e a consequente curiosidade ardente em desvendá-las. É curioso, portanto, como no cinema a tendência é normalizar a
representação do acto sexual e na internet conteúdo meramente sugestivo é apagado.

No meu The Kiss, o acto sexual reduz-se ao beijo: um longo beijo multiplicado em vários rostos, vários lábios e línguas, saliva, gemidos, o som como um assalto aos sentidos. O paradoxo do acto puro, o beijo, num filme impuro, o pornográfico, revela que o “problema” não é o beijo como conceito, mas a sua aplicação nas várias formas. A forma “socialmente aceite” do beijo não são estes e a insistência em mostrá-los, em ouvi-los, culmina numa saturação que incomoda. O facto de os fragmentos usados pertencerem a filmes pornográficos (uma evidência pelas suas características formais apresentados logo no primeiro
fragmento), lança o filme para o território do desconforto, dependendo do contexto onde é apresentado e se esse contexto é uma experiência social (cinema) ou individual (computador em casa). Se, de novo, a tendência do cinema é mostrar cada vez mais, defendendo-se na simulação do acto, e portanto salvaguardando o espectador da irrealidade do que vê, tal como quando vemos alguém a dar um tiro noutra pessoa num filme, com The Kiss proponho mostrar o menos possível, mas de um objecto em que o acto, apesar de não o vermos neste contexto, não é simulado, tornando-nos cúmplices na ilicitude moral. Não vemos o sexo, mas sabemos que ele existe e aconteceu, da mesma forma que vermos
apenas uma imagem de um qualquer vídeo de decapitação feito pelo Daesh é perturbador, mesmo que não vejamos o acto propriamente dito. A comparação pode parecer absurda, mas recordo os termos e condições das redes sociais que juntam no mesmo artigo de proibições a violência, ódio e ilegalidade e o sexo. De novo a vergonha do corpo, um empecilho à aspiração divina, um recipiente falível, terreno, impuro. Seria este filme aceite numa rede social? É mais ou menos obsceno que os filmes pornográficos que o compõem?
Miguel De


The Kiss: the obscene off the scene Challenging or subverting the morality of the obscene and the explicit sex, I decided to create a film that gathered several hardcore pornographic films, using only kisses, in reference to one of the first commercial films in the history of cinema, The Kiss, by William Heise (1896), scandalous for its time for representing an explicit kiss on the big screen. Linda Williams, in Screening Sex (Duke University Press, 2008), argues that, in a way, this was the first porn film. Williams analyzes the insistence of the sexual act in cinema and its relationship with pornography, and puts at the forefront the relationship between the showing and concealment of the sexual act in films. From that analysis, I question whether this game between seeing and not seeing, what is off the scene (ob-scene) and what appears in the frame, this idea that it is preferable to leave something to the imagination instead of showing everything , is it not a product of inherited morality, combined with the clandestine excitement for the forbidden fruit? As Foucault thinks the paradox between the immense production of discourse about sex and its concealment as a secret, the possible paradoxical link between the attempt of hiding representations of sex and the consequent burning curiosity in unraveling them is also interesting. It is curious, therefore, how in cinema the trend is to normalize representations of the sexual act and on the internet merely suggestive content is deleted. In The Kiss, the sexual act is reduced to its eponym: a long kiss multiplied on several faces, several lips and tongues, saliva, moans, the sound as an assault on the senses. The paradox of the pure act, the kiss, in an impure, pornographic film, reveals that the “problem” is not the kiss as a concept, but its application in the various forms. The “socially accepted” form of the kiss is not any of these and the insistence on showing them, listening to them, culminates in a saturation that bothers. The fact that the fragments belong to porn films (an evidence for their formal characteristics presented in the first fragment), throws the film into the territory of discomfort, depending on the context where it is presented and whether that context is a social experience (cinema) or individual (computer at home), institutional (museum) or casual (social networks). If, again, the trend of cinema is to show more and more, defending itself in the simulation of the act, and therefore safeguarding the viewer from the unreality of what he sees, such as when we see someone shooting another person in a film, with The Kiss I propose to show as little as possible, but of an object in which the act, although we do not see it in this context, is not simulated, making us complicit in moral illegality. We don’t see sex, but we know that it exists and happened, just as seeing an image from any beheading video made by Daesh is disturbing, even if we don’t see the act itself. The comparison may seem absurd, but let’s think about the terms and conditions of social networks that combine violence, hatred and illegality and sex in the same article of prohibitions. The shame of the body, an obstacle to divine aspiration, a fallible, earthly, impure vessel. Would this film be accepted on a social network? Is it more or less obscene than the porn films that compose it? Miguel De

Biografia do Realizador Director Biography
Retrato de Miguel De Miguel De (b. Ovar, Portugal; 1992) is an artist working in cinema, photography, music and media arts. He has a degree in Cinema and Audiovisual by Escola Superior Artística do Porto (2013) and is currently doing a MA in Photography at Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. He lives and works in Braga, Portugal.

Data de Estreia Release Date 5 de Agosto de 2020*

Data de conclusão year 2020-05-07

Exibições Exhibitions
Fest 2020 (Espinho, Agosto 2020);
Prometeu Lisboa (Agosto 2020);
Prometeu Porto (Outubro 2020)
Distribuição Distribution

poster de Kiss
Realização Director Miguel De
Produção Production Miguel De

Direcção de Som Sound Direction Miguel De
Edição Editing Miguel De
Cartaz Poster Igor Ramos

Banda Sonora Original Original Soundtrack Não/No

Redes Sociais & WebsiteSocial Networks & Website
website

 

 

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