Contextualização Histórica

O projecto do festival “Caminhos do Cinema Português” nasce em 1988 na sequência do Curso de Verão, com o nome homónimo, que a Sala de Estudos Cinematográficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra ministrava para estrangeiros e que se constituía como uma espécie de complemento às sessões teóricas para o visionamento de filmes.

Realizou-se então a primeira edição da então Mostra de Cinema Português, organizada à data entre a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e o Centro de Estudos Cinematográficos/AAC. Mostra esta que foi evoluindo, tornando-se mais tarde no Festival que projecta a produção cinematográfica nacional. O programa desta primeira edição contou com obras de realizadores consagrados, tais como Paulo Rocha, Luís Filipe Rocha, João César Monteiro e o incontornável Manoel de Oliveira. Seguiram-se mais duas mostras em 1989 e 1990 que apostaram essencialmente em mostrar cinema português tendo por base não um formato competitivo, mas sim uma temática. Na terceira edição, a programação subordinou-se a três grandes eixos que foram: O Documento – com a projecção de filmes como “Trás-os-Montes” de António Reis e Margarida Cordeiro, “Belarmino” de Fernando Lopes, “A Fuga” de Luís Filipe Rocha, O Texto – com filmes como “Amor de Perdição” de Manoel de Oliveira, “Conversa Acabada” de João Botelho, “Crónica dos Bons Malandros” de Fernando Lopes, O Imaginário – em que foram projectados filmes, como “Verdes Anos” de Paulo Rocha, “Um Adeus Português” de João Botelho e Leonor Pinhão, entre muitos outros.

O evento sofreu então um interregno de sete anos e só volta a surgir com a quarta edição em 1997, numa organização do Centro de Estudos Cinematográficos/AAC. É a partir daí reconhecido como um evento de “manifesto interesse cultural”, e os Caminhos do Cinema Português afirma-se como o único Festival de Cinema Português. A quarta edição (outrora Mostra, agora Festival) deu destaque a toda a produção nacional, sempre com o intuito de dar a conhecer as obras pouco divulgadas e até inéditas, junto do grande público.

A partir da quinta edição, os Caminhos do Cinema Português caracterizam-se pela afirmação como verdadeiro festival de Cinema. Nesta edição do Festival foram atribuídos pela primeira vez prémios, com a constituição de um Júri Oficial e com a auscultação do Público para premiar os filmes. A estabilidade do Festival tem desde então sido uma constante, com a sucessiva introdução de novas actividades como a Selecção Ensaio e os Caminhos Juniores, sendo a primeira dedicada às Escolas de Cinema e a segunda aos Jardins-de-Infância e Escolas do 1o Ciclo, criando-se desta forma um serviço educativo com o intuito de motivar as crianças e os docentes para o ensino por meio do audiovisual. Desde 2003, o festival incorporou igualmente nas suas edições, uma vertente formativa, através do desenvolvimento de múltiplos workshops, com grandes nomes da cinematografia portuguesa como Abi Feijó, Virgílio de Almeida, Paulo Filipe Monteiro, Henrique Espírito Santo, Fernando Mateus e Cláudia Tomaz, entre outros.

De destacar a regularidade com que a Federação Internacional de Cineclubes nomeia Júris para avaliar os filmes em competição que sejam legendados em francês ou Inglês e atribuir anualmente o Premio D. Quijote, que para além de uma estatueta consiste ainda na selecção automática do filme vencedor para o Festival Internacional dos Cineclubes, organizado anualmente em Itália pela federação.

Outra dinâmica introduzida no festival ao longo das diferentes edições passou pela realização de diversos colóquios e conferências subordinados à temática da cultura em geral, mas também do cinema e da sua produção.

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Também uma aposta bem-sucedida, têm sido as Sessões Especiais para as Escolas do distrito de Coimbra, Caminhos Juniores, dando a oportunidade aos mais pequenos de entrar numa sala de cinema, despertar a sua atenção e a dos educadores que os acompanham para os filmes de animação portugueses. Um papel social que o Festival Caminhos Cinema Português não pode abandonar. Formar os públicos e fomentar a fruição do nosso cinema.

Em 2010, XVII Edição, realizámos uma edição marcante na história do festival com um enorme salto qualitativo e qualitativo. Pela primeira vez atribuímos, e fomos os primeiros do país a atribuir, os prémios técnicos no Cinema Português com o Júri Caminhos. Foi neste ano que atingimos o número marcante de 9055 espectadores e promovemos um grande número de actividades e novas formas de comunicação atingindo finalmente o estatuto de festival nacional.

Na XVIII, 2011, continuámos a inovar nas actividades promovidas superando qualitativamente as edições anteriores reafirmando o carácter nacional do festival. Foi o ano em que introduzimos as Master Sessions, após as Secções Competitivas, e promovemos uma relação mais intensa com dos nossos espectadores com os Cineastas Portugueses. Desde então têm marcado presença, frente à nossa tela, individualidades como Luís Miguel Rocha, Luís Reis Torgal, Vicente Alves do Ó, Raquel Freire, João Viana ou Inês de Medeiros debatendo-se e procurando novos Caminhos para o Cinema Português.

A XVIII edição, em 2011, revelou-se ainda importantíssima no panorama da formação do cinema a nível nacional. É nesta edição que promovemos a primeira edição do curso Cinemalogia — Da Ideia ao Filme conseguindo atrair dos mais reputados cineastas nacionais como formadores com formandos de todo o país.

A XIX e XX Edições, em 2012 e 2014 respectivamente, são edições de referência no que toca à cobertura mediática e à capacidade de comunicação do festival Caminhos Cinema Português em anos recorde das audiências de filmes nacionais.

Durante o período de 2008 a 2014 realizámos uma audiência média próxima dos 7000 espectadores. Este é um festival realizado fora dos grandes círculos nacionais e dedicado em exclusivo ao nosso cinema, batalhando na promoção e descentralização da oferta cinematográfica em Portugal.

A XXI primeira edição demonstrou mais uma vez que existe uma apetência pelo consumo de cinema português na região centro. O alargamento conceptual efectuado na Selecção Ensaios, ao incorporar filmes originários do contexto académico de outros países mostrou-se uma aposta ganha na sua dupla vertente, por um lado porque permitiu aos nossos jovens realizadores fazer uma leitura comparada, mas também porque cimentou a qualidade do projecto pelo número total de inscrições alcançadas.

O nosso historial leva-nos a crer que podemos traçar novos Caminhos para o Cinema Português, continuando a afirmar a região centro como o palco do Cinema Português, dando o nosso singelo contributo na missão de divulgar o cinema português e os seus atores.

Informação Geral

Os Caminhos do Cinema Português são um festival generalista de cinema focado na cinematografia contemporânea portuguesa, sendo um evento singular em Portugal, pela forma como promove a exibição, discussão e a prática cinematográfica – através da realização de secções competitivas, secções paralelas, retrospetivas cinematográficas e ações pedagógicas e de formação profissional no plano teórico-prático. Os Caminhos do Cinema Português pretendem ser aquilo que o nome transmite: a súmula dos diferentes caminhos que a cinematografia nacional percorre. Não existe um só caminho, disso nos damos conta quando os podemos enumerar, a saber: cinema de autor, cinema comercial, cinema para crianças e a vídeo arte. O cinema português enquadra-se nos mais variados escalões etários e registos estilísticos de que a história do cinema nos pode dar conta.

A nossa vigésima quarta edição vem (com)provar a vivacidade da cinematografia nacional numa edição em que recebemos 326 propostas nacionais num total de 726. Destas, foram programadas 167 – 21,92% de aceitação – com 99 obras nacionais presentes nas duas secções competitivas: Caminhos e Ensaios, bem como numa nova secção paralela – ‘Outros Olhares’. Esta edição é ainda reveladora do espírito de cooperação dos nossos cineastas com o universo de língua portuguesa, através do significativo número de co-produções em competição.

O festival Caminhos do Cinema Português apresenta duas secções competitivas, nomeadamente a Seleção Caminhos e a Seleção Ensaios.

  • A Seleção Caminhos é dedicada a toda a cinematografia nacional de produção profissional consagrando nesta secção todos os géneros cinematográficos.
  • A Seleção Ensaios é dedicada a filmes produzidos em contexto académico ou de formação técnica e profissional (Escolas de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Ensino Secundário e Superior) e pretende conferir um espaço a todos os realizadores, que em Portugal e a nível Internacional, almejam ser os criadores de amanhã.

Como forma de reforçar a cinematografia oferecida a públicos específicos o festival promove ainda a realização de secções paralelas, não competitivas, nomeadamente;

  • Outros olhares: Os Caminhos são um espaço plural e de confluição do Cinema Português. Nesse sentido, promove-se um espaço reservado a outros olhares sobre a prática e o exercício cinematográfico, alimentando o derrube do cânone e a procura de novas linguagens;
  • Mundiais: Nesta secção oferece-se ao público uma programação heterogénea cruzando ficção, documentário e animação no formato de curta e longa metragem ao longo de um eixo temático predominante;
  • Júniores: A captação de um público jovem para o cinema português é fundamental, pelo que, desta forma, os Caminhos Júniores pretendem manter um espaço reservado à participação das escolas no festival. Esta secção apresenta-se como um serviço educativo, tendo por base que a experimentação in locode muitos minutos de pura magia, para estas crianças, tornará possível a criação de hábitos de consumo desde a infância, no que diz respeito ao cinema português;
  • Juvenis: O cinema tem um importante papel na instrução cultural do seu espectador. Existem filmes que, devido à sua ligeireza temática e técnica, servem meramente para entreter quem o vê, fazendo esquecer, não pensar, não conhecer. Os Caminhos propõem-se, através desta secção, a levar ao público juvenil uma filmografia relevante para a construção de juízo crítico e conhecimento da cinematografia portuguesa contemporânea que possa vir a integrar o Plano Nacional de Cinema;
  • Séniores: Os Caminhos do Cinema Português estão conscientes de que, nos dias de hoje, é cada vez mais difícil encontrar iniciativas em que este segmento da população possa participar. Pretende-se oferecer uma filmografia que, para além de uma componente cultural tenha igualmente um papel importante de cariz social e de integração na sociedade;
  • Seleção das Competições: As seleções das competições têm como objectivo oferecer uma segunda exibição a títulos de qualidade singular inscritos nas Secções Competitivas do festival possibilitando que o Público e as equipas de Júri possam rever e re-analisar alguns dos filmes mais marcantes que são propostos ao festival para competição.

Os Caminhos são ainda um espaço de formação do Cinema Português. Apresentam, nesta edição, um curso modular de cinema com 31 módulos, num total de 460 horas, propondo-se a ensinar num plano prático como se materializa uma ideia num filme. Numa perspectiva mais académica há ainda o Simpósio “Fusões no Cinema”, co-organizado com a Uni­dade de Desenvolvimento dos Centros Locais de Aprendizagem da Universidade Aberta, e as MasterSessions, conjunto de mesas-redondas, co-organizado com o LIPA – Laboratório de Investigação e Práticas Artísticas da Universidade de Coimbra.

  • MasterSessions: Sessões de Debate com convidados especiais além dos intervenientes nos filmes projectados sobre uma dada temática;
  • Cinemalogia – Curso de CinemaServiço Pedagógico, com tutoria de especialistas do cinema nacional, que aborda todos os passos da produção cinematográfica – desde a Ideia ao Filme;
  • Fusões no Cinema: Simpósio internacional dedicado à discussão da representação das artes no cinema.