Caminhos do Cinema Português

Tráfico de mulheres: motivo de reflexão no cinema português

No dia 25 de novembro, a XXIV edição do festival Caminhos do Cinema Português continuou a sua mostra na sala do Teatro Académico Gil Vicente numa sessão marcante. A curta-metragem “Terra Amarela”, de Dinis M. Costa e o filme “Carga”, de Bruno Gascon, fizeram sucesso graças à crua realidade que representam.

No Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, a sessão das 21h45  incidiu sobre o tema do tráfico humano, e contou com a presença do respetivo realizador da curta Dinis M. Costa e a produtora Carolina Castro Almeida, bem como com a presença de Bruno Gascon, realizador do filme “Carga” e de Joana Domingues, produtora.

A curta-metragem “incide mais sobre o processo de transição em si”, esclarece Dinis M. Costa, deixando que o espetador imagine e reflita sobre outros pormenores inerentes ao tráfico de pessoas.

O filme “Carga”, que “exigiu uma profunda investigação sobre o tema”, admite o realizador Bruno Gascon, incorpora, no seu elenco, grandes nomes do cinema português como Rita Blanco, Vítor Norte e Ana Cristina Oliveira. Conta também com a estreia da modelo Sara Sampaio como atriz, que desempenha o papel de Anna, uma das jovens traficadas.

Nesta sessão, estiveram presente, Miguel Borges, Duarte Grilo, Dmitry Bogomolov e Rui Porto Nunes, parte do elenco de “Carga”, que partilharam com o público a sua experiência e deixaram apelos. Dmitry refere, no final da sessão, que “não é difícil encontrar esta realidade no dia-a-dia” e revela que ele próprio vivenciou uma situação semelhante, sendo que este filme lhe permitiu “recordar” o que sentiu. Rui Porto Nunes realça que “se a situação é dura para quem passa por ela, que seja também para quem a vê”. Admite ainda que a cena que desempenha neste filme foi “a mais difícil” que alguma vez fez, uma vez que desempenha o papel de um violador.

Paralelamente a esta sessão, decorreu outra, que teve lugar no Mini Auditório Salgado Zenha. O auditório foi palco da curta metragem “John 746”, de Ana Vijdea e da longa metragem “Eduardo Galeano Vagamundo”, de Felipe Nepomuceno. A curta, retrata a vida de um homem que dedica o seu tempo a pintar um remake do mural Guernica, de Pablo Picasso, a distribuir livros e a cuidar do seu amigo canino “Bakunin”. Na tentativa de vender a sua arte, John adota uma estratégia diferente: destruir arte.

A noite encerra-se com a obra cinematográfica “Eduardo Galeano Vagamundo”, que homenageia o escritor com um documentário envolvente baseado na leitura da suas obras.

Beatriz Grave