Caminhos do Cinema Português

Guerra e Amor nos Caminhos do Cinema Português

Durante a tarde do dia 29, o Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) recebeu mais um leque de filmes da Seleção Caminhos, desta vez dedicada aos mais velhos. A sessão sénior contou com a curta metragem “Descobrindo a Variável Perfeita”, de Rafael Almeida, e a longa metragem “Soldado Milhões”, de Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa. Na sessão seguinte, em “Amantes na Fronteira” de Atsushi Funahashi, foi mostrada uma  realidade, que apesar de dura e por vezes chocante, deve ser divulgada.

A tarde começou com a curta metragem de Rafael Almeida, que confessa ter tentado fugir “àquilo que é o cinema tradicional português”. Apresentou uma obra cinematográfica envolvente e com um enredo diferente do esperado. A banda sonora e a paleta cromática adequadas a cada momento do filme prenderam a plateia ao ecrã.

Com um registo diferente da primeira apresentação, “Soldado Milhões” faz uma viagem à Primeira Guerra Mundial. A coragem de Aníbal Milhais, personagem principal do filme, captou a atenção de todos os espectadores presentes. Ao fazer referência a elementos religiosos, criou maior proximidade com o público mais velho presente.

Preenchido de uma grande autenticidade, conseguiu fazer justiça à época, de forma real e verdadeira. Gonçalo Galvão Teles, um dos realizadores da obra, afirma ter tentado “manter uma visão realista ao contexto”. Apesar da visão lamacenta da guerra “difundida também pelo cinema”, o co-realizador fugiu a essa perceção. “Esta longa-metragem foi filmada em agosto”, acrescenta.

Na sessão de perguntas e respostas, Rafael Almeida, questionado sobre o tipo de filmes que produz, confessa “ainda não ter encontrado bem” o seu registo, mas que procura “trazer o cinema para o interior” e fugir ao que é tradicional. Gonçalo Galvão Teles, quis, por outro lado, manter-se fiel ao contexto de guerra e “reavivar a memória deste nosso passado”. Como realizou este filme em conjunto com Jorge Paixão da Costa, explicou que “o co-realizador é aquele que não faz nada e o que faz tudo”.

A longa-metragem “Amantes na Fronteira” encerrou as sessões da tarde. Constituída por duas partes, este romance retrata duas épocas muito diferentes através de histórias muito semelhantes. O amor sem limites, conduzido pela vingança cativou o público do início ao fim. Jorge Silva e Hugo Pereira, estudantes de Design e Multimédia na Universidade de Coimbra afirmam ter gostado da divisão do filme. “É o sentimento que se mantém através do tempo”, acrescentam.

Ana Lage