Caminhos do Cinema Português

Caminhos são palco de primeiras obras para realizadores

A XXIV edição do festival Caminhos do Cinema Português tem vindo a preencher as telas da cidade. Obras internacionais são exibidas, mas, sobretudo, são as produções nacionais o motivo de celebração. Além disso, esta foi a primeira vez que o festival contou com a presença de um ator internacional: Dominique Pinon. O ator francês fez parte do elenco de “Caminhos Magnétykos” do realizador Edgar Pêra.

Os realizadores são uma parte fulcral de cada produção cinematográfica. O maestro que gere todo o ritmo e sinfonia da orquestra. Os Caminhos são um festival que primam por ser inclusivos, trazendo novos cineastas para o panorama cinematográfico nacional. Como tal, Bruno Gascon, Justin Amorim, Miguel Nunes e Ana Moreira tiveram os seus projetos selecionados e exibidos ao público de Coimbra. O festival prima por ser uma montra para o cinema português e tentar cultivar o seu consumo e gosto no público

Carga” é um filme realizado por Bruno Gascon, que cruza as línguas portuguesa, inglesa e russa. O argumento conta a história de Viktoriya, um camião, uma estrada e um destino que culmina numa rede de tráfico humano. “Quis que este filme fosse uma janela para aquela realidade”, afirma o realizador. Rui Porto Nunes, um dos atores presentes, disse que “esta foi a personagem que mais exigiu de mim, psicológica e fisicamente”. No filme, o ator representa o papel de um violador. A ficção, exibida dia 26 de novembro, no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), contou também com a presença de Joana Domingues, produtora, e dos atores Miguel Borges, Duarte Grilo e Dmitry Bogomolov. Este último admitiu ter sido vítima, “em situações semelhantes”, da “dura” realidade interpretada no filme – o tráfico humano. Relativamente à violência das cenas, Rui Porto Nunes rematou dizendo que “se é duro para quem passa pela situação, que seja duro para quem vê”.

O primeiro filme, enquanto realizadora, de Ana Moreira, galardoada atriz, também foi selecionado para ser exibido nas telas do festival no dia 29 de novembro. “Aquaparque” foi a sua primeira experiência atrás das câmaras e conta com um argumento que retrata o encontro de dois jovens nas ruínas de um aquaparque. Nelas, encontram o seu refúgio para esperanças e sonhos perdidos.

Justin Amorim foi argumentista e realizador pela primeira vez em “Leviano”. “A ideia partiu da minha vontade de querer contar a história das mulheres da minha vida”, realça. Afirma que este foi um projeto com um público-alvo definido – os “Millenials”. Dessa forma, algumas estratégias de divulgação e promoção do filme foram adaptadas para esse mesmo público. “Fomos um dos quatro filmes selecionados para ser promovido no Rock In Rio, por exemplo”, adianta o realizador. O filme foi recentemente acolhido num festival de cinema na Grécia.

O realizador de “Leviano” comentou ainda que apesar de todas as personagens femininas terem uma cena de sexo, nenhuma é explícita. Também teve como objetivo a igualdade de género no sentido em que objetifica o sexo masculino, mais especificamente, a personagem do Ruben Rua, de igual forma que ao longo dos anos as mulheres têm sido objetificadas no cinema.

 

Miguel Nunes, o conhecido premiado ator estreia-se na realização com a curta-metragem “Anjo”, que discute a fraternidade, cumplicidade e paixão, que foi exibida na sexta, dia 30 de novembro, às 21h45 no TAGV e contou com a presença do realizador na sessão.

Por Catarina Magalhães e Sara Inês Graça