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Caminhos trouxeram personalidades do cinema nacional ao TAGV

Mário Augusto, Ivo Canelas e Vicente Alves do Ó foram, apenas, algumas das personalidades que marcaram presença na abertura da vigésima edição dos Caminhos do Cinema Português

Discurso de Abertura do Director Vítor Ferreira
Sala na abertura do TAGV
O Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) acolheu, ontem à noite, a sessão de abertura da XX edição do festival Caminhos do Cinema Português. Depois de dois anos de paragem, o festival voltou contando com a presença, neste primeiro dia, de figuras como Mário Augusto, Ivo Canelas e Vincente Alves do Ó.

“Os Caminhos têm-se feito caminhando”, referiu Vítor Ferreira, diretor do festival, no seu discurso de abertura. Apesar de todas as adversidades na produção fílmica, e na cultura em geral, foram submetidas mais de 400 obras para apreciação dos vários painéis de júris.

A cerimónia inaugural do festival recebeu três curtas-metragens e, ainda, um espetáculo de dança apresentado pelas alunas da Escola de Dança Rita Grade. O filme com honras de inauguração é assinado pelos alunos do 3º curso de cinemalogia, e com a coordenação de Nuno Portugal. A curta “Paloma” conta a história de uma senhora argentina, com o mesmo nome, que tenta reencontrar-se com nada mais, nada menos, do que o Papa Francisco, que tinha conhecido e namorado “nos tempos de meninice”. A plateia assistiu atenta e não conseguiu deixar de soltar algumas gargalhadas com os “avanços pecaminosos” de Paloma.

Depois de “Paloma”, foi a vez de “Dios Por El Cuello”, assinado por José Trigueiros. O filme foi rodado em Espanha e é falado em espanhol, apesar de o realizador reconhecer esta curta-metragem como uma produção puramente lusitana. José Trigueiros capta um pequeno rapaz, Pablo, que corre porta a porta com a sua mãe para tentar angariar “adeptos” para “os jeová”. O dilema pessoal e religioso do jovem Pablo preenche a película e não deixou a audiência indiferente.

Por último, foi a vez de Luís Vieira Campos apresentar a sua “Bicicleta”. Num bairro social do Porto, uma bicicleta é equiparada a um “milagre” para Maria e António. A viver no meio de extrema pobreza, a própria mobilidade dos moradores fica em risco devido a um elevador avariado. A miséria cria barreiras dificilmente ultrapassáveis. Esta parece ser a posição que Luís Vieira Campos defende na sua curta-metragem. Um final surpreendente dividiu a plateia do TAGV entre risos e espanto.
A sessão terminou com um espaço de perguntas aos realizadores e intervenientes das curtas apresentadas.

De ressalvar, ainda, é a presença de várias personalidades proeminentes na cidade de Coimbra e no País; entre elas, o magnífico reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, o presidente da Direção-Geral da AAC, Bruno Matias, a diretora Regional da Cultura do Centro, em representação do secretário de Estado para a Cultura, Jorge Barreto Xavier, Drª Celeste Amaro, o diretor regional do Instituto Português do Desporto e Juventude, Dr. José Manuel Silva Santos, e Luísa Lopes, em representação da Vice-reitora para a comunicação e cultura, Clara Almeida Santos.

Texto: João Caetano Neves
Fotografia: Tiago Santos